Mercados: resumo da semana

A primeira semana de setembro foi de poucos negócios e tranqüilidade, em especial em função dos feriados e da expectativa pela reunião dos ministros de petróleo dos países-membros da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep ). Eles haviam decidido por um aumento da produção dos países-membros de 800 mil barris diários para fazer frente ao aumento de demanda típico do final de ano, quando é inverno no hemisfério norte e o consumo de óleo para aquecimento aumenta bastante, entre outros derivados.Porém, se a princípio muitos analistas já consideravam essa expansão da produção insuficiente, notícias desencontradas ao longo da semana agravaram a instabilidade. Por um lado, o presidente da Opep, Ali Rodriguez, também ministro do petróleo da Venezuela, reiterava o compromisso de manter os preços entre US$ 22 e US$ 28. Além disso, ressaltava a capacidade ociosa dos países, em sua avaliação, de cerca de 2 milhões de barris diários. De outro lado, o ministro de petróleo do Kuwait, sheik Saud Nasser al-Sabah, anunciou que os únicos países com condições de aumentar a produção no curto prazo são a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.No meio das apreensões, o Iraque acusou o Kuwait de explorar petróleo de suas reservas subterrâneas, o mesmo motivo usado como estopim para a Guerra do Golfo, de 1991. Mas as ameaças militares foram respondidas vigorosamente pelo governo dos Estados Unidos, que também ameaçou empregar forças militares no caso de um conflito entre os dois países. O presidente dos EUA já havia anunciado o uso de reservas estratégicas de petróleo do País para conter os aumentos nos combustíveis. E há ainda a perspectiva de um furacão na principal região produtora no México, nos próximos diasA boa notícia da semana foi a divulgação dos índices de inflação. Foram anunciados o Índice Geral de Preços de Mercado da Fundação Getúlio Vargas (IGP-M) e o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) de agosto e a primeira prévia do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Todos ficaram abaixo do esperado, tranqüilizando os mercados em relação às apreensões de propagação dos picos de inflação de julho e agosto para o resto do ano. Porém, essa boa notícia foi ofuscada pela instabilidade dos preços do petróleo, tendo um efeito menor e mais localizado nos mercados.Os mercadosCom tantas reviravoltas, os preços do petróleo cru oscilaram muito, atingindo algumas das cotações mais altas do ano. Os mercados no mundo inteiro acompanharam essas variações bruscas. O dólar retomou a tendência de alta com força, atingindo a máxima de R$ 1,8490 na sexta-feira. O mesmo ocorreu com os juros, com expectativa renovada de que os aumentos no petróleo afetem a inflação brasileira através de novos reajustes nos combustíveis. E, considerando-se a média das cotações - e não as de fechamento -, a Bovespa vem registrando quedas desde sexta passada. Nos EUA, as bolsas foram diretamente afetadas pela instabilidade. Apesar das oscilações dos últimos dois dias da semana, a tendência, considerando-se as cotações médias, na Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - foi de queda desde 1 de setembro. A mesma tendência verifica-se, desde 6 de setembro, no Dow Jones - Índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York. Dia-a-dia:Segunda-Feira (21/08)Mesmo com o anúncio, domingo, do aumento da produção em 800 mil barris diários, o petróleo continuou subindo. As bolsas caíram no mundo todo, e, aqui, também houve ligeiro aumento nas taxas de juros e cotações do dólar. Mas a inflação dava sinais de queda, com a divulgação da primeira prévia do Índice Geral de Preços da Fundação Getúlio Vargas, que ficou em 0,57%, abaixo das expectativas. Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 0,84%.Câmbio - O dólar fechou em R$ 1,8230, com alta de 0,11%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 16,870 % ao ano, frente a 16,810% ao ano na sexta-feira.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,22%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em queda de 2,06%.Terça-Feira (15/08)As cotações do petróleo caíram, mas continuavam altas. Os mercados mantiveram-se atentos, com ajustes por conta dos altos preços do produto, mas não acreditando que pudessem afetar a inflação drasticamente. Houve quedas significativas na Bolsa, especialmente, em ações de empresas do setor de telefonia. O Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) de agosto ficou em 1,31%, abaixo do esperado pelos analistas.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 2,34%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8300, com alta de 0,38%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 16,990 % ao ano, frente a 16,870% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,34%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em queda de 1,20%.Quarta-Feira (16/08)Declarações do presidente da Opep de que os países da organização tinham capacidade excedente de 2 milhões de barris diários fizeram preços do petróleo cair. A instabilidade afetava as bolsas dos EUA, comprometendo o desempenho da Bovespa. Mesmo assim, a Bolsa fechou em alta e os juros caíram. O dólar voltou a subir. As ações de telefonia tiveram ligeira recuperação em relação às quedas do dia anterior.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 0,69%.Câmbio - O dólar fechou em R$ 1,8230, com alta de 0,11%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 16,940 % ao ano, frente a 16,990% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,45%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 1,15%.Quinta-feira (17/08)Pela manhã, os mercados pareciam começar a se recuperar com as boas notícias de inflação divulgadas nos EUA e no Brasil, mas à tarde notícias desencontradas da Opep trouxeram apreensão e pessimismo. O ministro de petróleo do Kuwait levantou preocupações em relação à capacidade de expansão da produção, afirmando que apenas a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos têm condições de elevar suas cotas a curto prazo. Foi divulgado o Índice Geral de Preços da Fipe, referente às três últimas semanas de agosto e primeira de setembro, que ficou em 1,17%, também abaixo das expectativas dos analistas. O índice de preços no atacado dos EUA (PPI) também foi divulgado, abaixo das previsões.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 1,35%.Câmbio - O dólar fechou em R$ 1,8390, com alta de 0,38%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,050 % ao ano, frente a 16,940% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 1,30%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 0,58%.Sexta-feira (18/08)Ameaças do Iraque ao Kuwait motivaram os EUA a avisar que está pronto para usar forças militares na região, se necessário. Os preços do petróleo reagiram com força à notícia. Se já havia um clima de tensão e instabilidade no mercado em relação ao petróleo, a alta impactou mercados no mundo todo. As bolsas caíram e, no Brasil, os juros e o dólar subiram.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 1,22%.Câmbio - O dólar fechou em R$ 1,8450, com alta de 0,33%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,180 % ao ano, frente a 17,050% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 1,45%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em queda de 2,01%. segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-0,84%-2,34%+0,69%,-1,35%-1,27%Dólar (fechamento)R$ 1,8230R$ 1,8300R$ 1,8230R$ 1,8390R$ 1,8450Juros (DI a termo ao ano)16,870%16,990%16,940%17,050%17,180%Nasdaq (variação)-2,06%+1,20%+1,15%+0,51%-2,01%Dow Jones (variação)-0,22%+0,34%,-0,45%-0,85%-1,45%

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