Mercados: resumo da semana

A semana foi bastante tumultuada. Como na semana anterior, as boas notícias do cenário interno foram abafadas pelas turbulências do exterior, em especial, pelas idas e vindas das cotações do petróleo. Os preços da matéria-prima vêm oscilando bastante em um patamar acima de US$ 34,00, mas, nos últimos dois dias, iniciou-se um movimento de queda, em especial, devido à intervenção do governo norte-americano. Hoje, o presidente dos EUA, Bill Clinton, anunciou a liberação de estoques estratégicos do produto.Mas, de qualquer forma, os preços continuam elevados, afetando as expectativas em relação ao seu impacto no mundo inteiro. Nos últimos dias, tem amadurecido a opinião entre os analistas que um reajuste nos combustíveis é apenas uma questão de tempo, mas que ela poderá ser compensada por outros fatores, não afetando as metas de inflação do governo. A desaceleração dos índices tem tranqüilizado os investidores. Foram divulgadas essa semana a segunda prévia do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), de 0,74% e do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de 0,93%. Esse último ficou acima do previsto, mas por conta dos preços ao atacado, não ao consumidor. A divulgação da taxa de desemprego de agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 7,1% frente a 7,7% em agosto de 1999 confirmaram o aquecimento da economia brasileira. E na reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Praga, o Brasil recebeu elogios pela sua recuperação econômica, em forte contraste com a reunião do ano passado, quando as preocupações em relação a uma recessão devido à desvalorização cambial dominaram os comentários.De qualquer forma, na reunião de quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a Selic, a taxa básica de juros referencial da economia, fica mantida em 16,5% até a sua próxima reunião, em 17 e 18 de outubro. A decisão deveu-se às incertezas em relação ao preço do petróleo. Não faria sentido aumentar as taxas de juros num cenário positivo, mas as elevadas cotações do petróleo não permitem uma redução. A decisão já era esperada pelos mercados.Uma outra preocupação dos mercados internacionais são as baixas cotações da moeda única européia, o euro, adotada por 11 países da União Européia em relação ao iene e, principalmente, ao dólar. O euro muito fraco é, junto com o preço do petróleo, a principal razão pelos altos déficits comerciais dos EUA. Hoje, bancos centrais da Europa, Alemanha, França, Inglaterra, Estados Unidos e Japão conjuntamente intervieram nos mercados, comprando euros. Espera-se que os presidentes dos países do G-7 (grupo das 7 maiores economias do mundo) abordem o assunto na sua reunião em Praga no final de semana.Por fim, o governo federal anunciou que estenderá a todos os trabalhadores a correção do saldo do FGTS referente aos expurgos dos planos Verão e Collor 1. Até então, a questão estava nebulosa, e, de certo, só teriam direito ao benefício os trabalhadores que entrassem com ações na Justiça contra o governo. O impacto previsto nas contas públicas será de cerca de R$ 38,8 bilhões. Como ainda não está claro como nem quando esses pagamento serão realizados, os mercados têm ignorado a medida.Os mercadosEnquanto o petróleo continua a oscilar muito nos atuais níveis, todas os mercados apresentam tendências semelhantes. As variações nas cotações têm sido grandes, mas as médias não indicam nem alta, nem baixa tendencialmente. A cada notícia a respeito do petróleo., no entanto, as oscilações são grandes. A mudança também se faz sentir nos patamares de oscilação, revelando o pessimismo dos investidores. O dólar, por exemplo, passou a variar em torno de R$ 1,855, depois de ficar abaixo de R$1,83 por várias semanas. A mínima do Ibovespa de hoje não era atingida desde 7 de agosto. A exceção são os juros, que apresentaram queda ao longo da semana.Dia-a-dia:Segunda-Feira (18/09)O petróleo voltou a subir, e as bolsas despencaram no mundo inteiro. A Bovespa caiu 3,92%. O dólar e os juros dispararam. O ambiente passou a ficar ainda mais pessimista com os dados divulgados a respeito da balança comercial brasileira. Mas o governo declarava que ainda não considerava a possibilidade de conceder aumentos nos combustíveis, devido à volatilidade do petróleo nos mercados internacionais. Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 3,92%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8590, com alta de 0,76%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,470% ao ano, frente a 17,180% ao ano na sexta-feira.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 1,08%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em queda de 2,83%.Terça-Feira (19/09)As oscilações do petróleo continuaram a definir as oscilações nos mercados. O petróleo sofreu pequena queda, mas a apreensão continuava. O dia foi de pequena recuperação nas cotações em todos os mercados. O FMI alertou os EUA sobre um aquecimento excessivo da economia, recomendando aumento de juros. A reunião do Copom não atraiu atenções, e o mercado esperava unanimemente a manutenção da Selic em 16,5% ao ano.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 1,73%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8520, com queda de 0,38%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,350 % ao ano, frente a 17,470% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,18%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 3,73%.Quarta-Feira (20/09)Os mercados continuavam oscilando em função do alto patamar dos preços do petróleo. A preocupação e as incertezas dominaram os mercados internacionais, afetando o desempenho dos mercados no Brasil. A Fipe divulgou a segunda prévia do IPC de setembro e, após o fechamento dos mercados, a FGV soltou a segunda prévia do IGP-M de setembro. No começo da noite, foi divulgado o resultado da reunião do Copom, com manutenção da Selic em 16,5%. Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 0,69%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8560, com alta de 0,22%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,320 % ao ano, frente a 17,350% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,94%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 0,82%.Quinta-feira (21/09)O petróleo caiu, tranqüilizando um pouco os mercados, mas os preços continuavam altos. A Bolsa registrou pequena alta, mas com baixo volume de negócios. Os juros caíram, depois da já esperada decisão do Copom de manutenção da Selic em 16,5%. O dólar permanecia acima de R$ 1,85. As boas notícias foram a queda do desemprego e os elogios ao Brasil na reunião do Fundo Monetário Internacional em Praga.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 0,43%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8550, com baixa de 0,05%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,250 % ao ano, frente a 17,320% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,73%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em baixa de 1,76%.Sexta-feira (22/09)O dia começou com forte queda na Nasdaq, mas a queda do petróleo e a ação de compra de euros por parte de vários bancos centrais de países desenvolvidos acalmaram um pouco o cenário. O governo anunciou resultados positivos do fluxo cambial de agosto. Ao final da tarde, os mercados brasileiros voltaram a apresentar ligeira recuperação em relação às fortes oscilações da semana. Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 1,28%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8450, com baixa de 0,54%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,150 % ao ano, frente a 17,250% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,76%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em baixa de 0,66%. segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-3,92%+1,73%-0,69%,+0,43%+1,28%Dólar (fechamento)R$ 1,8590R$ 1,8520R$ 1,8560R$ 1,8550R$ 1,8450Juros (DI a termo ao ano)17,470%17,350%17,320%17,250%17,150%Nasdaq (variação)-2,83%+3,73%+0,82%-1,76 %-0,66%Dow Jones (variação)-1,08%-0,18%,-0,94%+0,73%+0,76%

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