Mercados: resumo da semana

Os mercados parecem estar se acostumando ao padrão inaugurado há algumas semanas de fortes oscilações sem definir tendência clara de longo prazo, nem de alta, nem de baixa. No começo de setembro, quando o petróleo atingiu suas cotações mais altas desde a Guerra do Golfo, novos patamares para todos os mercados foram definidos, refletindo um pessimismo maior. E as cotações têm oscilado muito, refletindo o nervosismo.De toda maneira, os estoques de petróleo nos EUA, principalmente, estão se recompondo lentamente, em parte devido ao aumento de produção anunciado em setembro pela Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), em parte pela venda de parcela dos estoques estratégicos do governo norte-americano. Ainda é cedo para que se retorne a uma situação de estabilidade e tranqüilidade, mas os preços até recuaram ligeiramente essa semana.Para agravar a situação nos mercados internacionais, a política do governo dos Estados Unidos de aumentar os juros para conter o crescimento avaliado como recessivo está dando resultado. A reunião do banco central norte-americano (FED), de outubro, manteve as taxas de juros em 6,5% ao ano. Isso se deu em reconhecimento do desaquecimento da economia dos EUA, que está crescendo em ritmo menos acelerado, frustrando as expectativas de lucros das empresas, especialmente nos setores de informática e Internet.As duas primeiras semanas de outubro são tipicamente marcadas pelos anúncios das empresas a respeito de seus resultados parciais, que têm decepcionado os investidores. Além disso, o euro continua baixo, prejudicando as exportações norte-americanas para a Europa.Boas notícias acumulam-se no BrasilInternamente, continuam surgindo boas notícias. A inflação recuou significativamente, confirmando as expectativas de que o governo brasileiro cumpra todas as metas estabelecidas com folga, à exceção da balança comercial, que sofre com a alta do petróleo e com o crescimento da demanda por produtos importados, dado o crescimento econômico. Mesmo assim, os investimentos diretos têm sido tão significativos, que não existe problema para cobrir os resultados fracos do saldo comercial.Na quinta e sexta-feira, foram definidos o preço-mínimo da Cesp Paraná e o edital de privatização do Banespa. Com isso, o final do ano deve ter três leilões importantes, em 17 de outubro, 20 de novembro e 6 de dezembro, respectivamente, do Banestado, do Banespa e da Cesp. Os anúncios chegaram a animar os mercados na quinta-feira, mas as incertezas vindas do exterior prevaleceram.Ainda se espera a elevação do rating brasileiro pela agência de classificação de risco Moody´s, o que sinalizaria para os investidores estrangeiros que o risco de investir no Brasil caiu. A SR rating elevou o rating brasileiro na terça-feira, mas o impacto foi pequeno, pois a agência é nacional e não influencia muito os investidores estrangeiros.ArgentinaPela manhã, saiu a notícia da renúncia do vice-presidente da Argentina, o último desdobramento da crise política daquele país. Hoje, o efeito foi pequeno, mas resta saber como a crise argentina afetará os investimentos estrangeiros na América Latina, já que muitos investidores atrelam aplicações no Brasil, Argentina e México em suas carteiras.MercadosOs mercados, de modo geral, estiveram nervosos e pessimistas, oscilando muito, mas sem indicar claramente tendência de alta ou baixa, refletindo as variações nas cotações do petróleo, a revisão de curso da economia norte-americana e a fraqueza do euro. Seguiram esse padrão, o Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - e a Bovespa - Bolsa de Valores de São Paulo. Os juros estão baixos. As taxas para títulos de um ano estão muito próximos da Selic, a taxa básica referencial da economia, hoje em 16,5% ao ano. A diferença é que a Selic reflete a taxa paga pelo overnight. E o dólar tem oscilado pouquíssimo, menos que moedas como o iene e o euro, próximo ao patamar de R$1,85. Isso se dá, segundo analistas, devido à estabilidade do fluxo cambial, com fortes investimentos estrangeiros no Brasil.Dia-a-dia:Segunda-Feira (21/08)Num dia de negócios fraquíssimos, os resultados externos influenciaram fortemente na alta do dólar e na queda da Bovespa. As empresas norte-americanas divulgaram seus resultados trimestrais, que vêm decepcionando. O petróleo voltou a subir. Mas os juros brasileiros caíram, pois são mais influenciados pelo cenário interno, que estava tranqüilo. A exceção é o saldo da balança comercial. Os dados divulgados decepcionaram.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 2,32%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8530, com alta de 0,43%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,090% ao ano, frente a 17,000% ao ano na sexta-feira.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,46%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em queda de 2,83%.Terça-Feira (15/08)O petróleo fechou estável e FED anunciou que as taxas de juros ficariam estáveis em 6,5%, conforme previsto. A empresa nacional SR rating elevou a classificação dos títulos brasileiros, mas a previsão era a de que teria pouco impacto junto aos investidores estrangeiros. Não houve variações drásticas nos mercados brasileiros em relação aos fechamentos do dia anterior, mas os negócios continuaram fracos. Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 0,48%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8530, permanecendo estável. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,020 % ao ano, frente a 17,090% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,18%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em baixa de 3,17%.Quarta-Feira (16/08)O edital do Banespa e o IPC da Fipe divulgados animaram um pouco os mercados. As ações do Banespa dispararam. O preço do petróleo caiu um pouco, mas os estoques de óleo para calefação nos EUA, ainda muito baixos, mantiveram os preços altos. As bolsas norte-americanas também subiram.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 1,55%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8540, com alta de 0,05%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 16,970% ao ano, frente a 17,020% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,60%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 1,95%.Quinta-feira (17/08)As privatizações da Cesp Paraná e do Banespa tiraram a Bolsa do marasmo, com alta e melhora nos volumes de negócios, apesar das quedas em Nova York. De toda maneira, o petróleo voltou a cair um pouco. Os juros também caíram e as cotações do dólar mantiveram-se estáveis.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 3,06%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8480, com baixa de 0,32%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 16,860 % ao ano, frente a 16,970% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em baixa de 0,56%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em baixa de 1,46%.Sexta-feira (18/08)O dia foi de pessimismo nos mercados, apesar do bom cenário interno e das privatizações anunciadas para esse final de ano. Mas os mercados internacionais continuam acumulando perdas e influenciando os brasileiros. Na Argentina, a renúncia do vice-presidente ainda não afetou muito os investidores.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 2,55%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8560, com alta de 0,43%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,010 % ao ano, frente a 16,860% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em baixa de 1,20%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em baixa de 3,20%. segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-2,32%+0,48%+1,55%,+3,06%-2,55%Dólar (fechamento)R$ 1,8530R$ 1,8530R$ 1,8540R$ 1,8480R$ 1,8560Juros (DI a termo ao ano)17,090%17,020%16,970%16,860%17,010%Nasdaq (variação)-2,83%-3,17%+1,95%-1,46 %-3,20%Dow Jones (variação)+0,46%+0,18%,+0,60%-0,56%-1,20%

Agencia Estado,

06 de outubro de 2000 | 21h17

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.