Mercados: resumo da semana

Internamente, continuam as boas perspectivas da economia brasileira, com crescimento econômico, inflação controlada, contas do governo ajustadas e estabilidade. O Comitê de Política Monetária (Copom), apesar de todas as turbulências externas, nem cogitou um aumento nas taxas de juros. A Selic, taxa básica referencial da economia foi mantida em 16,5%, quando muitos acreditam que, pelo cenário interno, os juros poderiam cair significativamente.A confirmação do cenário interno positivo veio através da elevação do rating (nota de classificação de risco) dos papéis brasileiros pela agência de avaliação internacional Moody´s. Essa melhora, no entanto, veio tarde em relação às expectativas dos investidores, que já haviam antecipado suas aplicações. Além disso, a Moody´s está atrasada nessa promoção em relação a outras agências, como a Standard and Poor´s. As prévias dos índices de inflação divulgadas na semana também confirmam queda da inflação, confirmando as boas expectativas do governo em relação à realização das metas para o ano. Um estímulo ao investidor estrangeiro surgiu na quinta-feira, com a isenção da CPMF, através de uma manobra legal, aos investimentos estrangeiros no Brasil. Porém, não se acredita que a medida em si seja suficiente para tornar a Bovespa competitiva com a bolsa de Nova York.Por fim, o leilão de privatização do Banestado, com ágio de 303%, surpreendeu os analistas e animou os investidores em relação ao leilão do Banespa, marcado para 20 de novembro.Más notícias do exterior derrubaram mercadosInicialmente, a temporada de divulgação dos balanços trimestrais das empresas norte-americanas trouxe muita oscilação às bolsas em Nova York. O desaquecimento da economia dos EUA vinha frustrando os resultados das empresas, também prejudicadas pelas baixas cotações do euro, que reduziu as exportações para a Europa. Mas alguns resultados positivos a partir da quinta-feira reverteram a tendência queda, o que não ajudou muito os mercados no Brasil.O petróleo também continua muito instável. Além do anúncio de quedas nos estoques norte-americanos, as cotações oscilaram muito em função dos conflitos entre palestinos e forças armadas de Israel. Foi firmado um cessar-fogo no início da semana, mas que ainda não teve nenhum efeito prático. O risco de que outros países produtores da região envolvam-se nos litígios preocupa os investidores.E na Argentina, continuam os desdobramentos de uma grave crise política. Na sexta-feira, renunciou Fernando de Santibañez, secretário de inteligência do governo argentino, que também foi indiciado por suborno de senadores, desvio de dinheiro e formação de caixa 2. A frágil situação econômica do país agrava as tensões, afetando os mercados argentinos e brasileiros.De uma maneira geral, todos os indicadores externos que vêm trazendo pessimismo aos mercados são complexos e muito instáveis. Com isso, não se pode esperar uma solução definitiva a curto prazo, nem que os mercados consigam livrar-se dos seus efeitos tão cedo.MercadosA Nasdaq reverteu a tendência de queda, com fortes altas na quinta e na sexta-feira. O Dow Jones continua oscilando, sem revelar tendência de alta ou baixa. O petróleo apresentou picos nos dias 12 e 13 de outubro, mas vem oscilando pouco desde então, num patamar elevado. Os mercados brasileiros estão bem mais pessimistas. A Bovespa vem oscilando, mas sem marcar tendência, desde 18 de outubro, quando atingiu a marca mais baixa desde 25 de maio. O dólar vem mostrando clara tendência de alta, tendo atingido na sexta-feira a cotação mais alta desde 2 de dezembro de 1999. E os juros também vêm indicando clara tendência de alta.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-0,94%-2,43%-3,03%,+2,95%-2,13%Dólar (fechamento)R$ 1,8660R$ 1,8720R$ 1,8750R$ 1,8770R$ 1,8860Juros (DI a termo ao ano)17,110%17,280%17,260%17,280%17,460%Nasdaq (variação)-0,80%-2,32%-1,32%+7,79 %+1,87%Dow Jones (variação)+0,46%-1,46%,-1,14%+1,68%+0,82%Dia-a-dia:Segunda-Feira (16/10)Num dia de negócios fraquíssimos, os resultados externos influenciaram fortemente na alta do dólar e na queda da Bovespa. As empresas norte-americanas divulgaram seus resultados trimestrais, que vêm decepcionando. O petróleo voltou a subir. Mas os juros brasileiros caíram, pois são mais influenciados pelo cenário interno, que esteve tranqüilo. A exceção é o saldo da balança comercial. Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 0,94%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8660, com alta de 0,32%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,110% ao ano, frente a 17,170% ao ano na sexta-feira.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,46%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em queda de 0,80%.Terça-Feira (17/10)A privatização do Banestado em excelentes condições não foi suficiente para contrabalançar os efeitos das más notícias internacionais. Houve um ataque especulativo contra o peso argentino e fortes quedas nas bolsas norte-americanas. Mesmo o cessar-fogo no Oriente Médio não foi suficiente para tranqüilizar os mercados. Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 2,43%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8720, com alta de 0,32%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,280 % ao ano, frente a 17,110% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 1,46%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em baixa de 2,32%.Quarta-Feira (18/10)Fortes oscilações na Nasdaq tiveram efeito imediato na Bovespa, que fechou em forte queda. O Copom manteve a Selic e a segunda prévia do IGP-M confirmou queda da inflação. Os juros e o dólar subiram. A moeda norte-americana atingiu a cotação mais alta desde 3 de dezembro de 1999: R$ 1,8820.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 0,35%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8750, com alta de 0,16%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,260 % ao ano, frente a 17,170% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 1,14%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em baixa de 1,32%.Quinta-feira (19/10)Balanços da Nokia e Microsoft fizeram a Nasdaq disparar. A Bovespa acompanhou, mas em menor intensidade. Os preços do petróleo também caíram, dada a maior calma no Oriente Médio. Mas tanto a Nasdaq quanto a paz no Oriente Médio são dois indicadores muito instáveis. O dólar e os juros subiram.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 2,95%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8770, com alta de 0,11%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,280 % ao ano, frente a 17,260% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 1,68%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 7,79%.Sexta-feira (20/10)A euforia de ontem cedeu lugar a novas quedas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e altas nos juros e no dólar. Mesmo com as altas nas bolsas norte-americanas, os mercados reverteram os ganhos de ontem. O principal motivo foi a renúncia de Fernando de Santibañez, secretário de inteligência do governo argentino, que também foi indiciado por suborno de senadores, desvio de dinheiro e formação de caixa 2.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 2,13%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8860, com alta de 0,48%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,460 % ao ano, frente a 17,280% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,82%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 1,87

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