Mercados: resumo da semana

O principal fato que movimentou, e muito, os mercados na semana foi a crise na Argentina. Em resposta às dificuldades econômicas que o país vem enfrentando, o governo lançou um pacote com várias medidas. As principais concedem isenções fiscais para estimular o investimento. A reação ao pacote foi negativa. O mercado julgou que as medidas acabariam comprometendo excessivamente a arrecadação de impostos, trazendo poucos resultados. Além disso, não teria efeito sobre o principal problema econômico do país, o câmbio fixo. Há um consenso de que o peso está valorizado demais, prejudicando as exportações e os resultados das empresas.Com as dificuldades na Argentina, um fator de incerteza extra num cenário de oscilação das bolsas norte-americanas e alta nos preços do petróleo, muitos investidores reagiram de maneira bastante pessimista no Brasil. Para piorar a situação, foram divulgados dados muito decepcionantes sobre a balança comercial brasileira, que segundo estimativas do próprio governo, deve fechar o ano entre um déficit de US$ 200 milhões e zero. Exatamente no momento em que houve maior intranqüilidade, e, portanto, maior procura por hedge (proteção através de investimentos de menor risco), o Banco Central decidiu leiloar títulos cambiais (corrigidos pelo dólar) com prazos mais longos e juros menores. O resultado foi que, na terça-feira, os investidores não compraram os títulos e migraram para o mercado de câmbio, levando as cotações do dólar a R$ 1,94. Mas o anúncio, na quarta-feira, pelo governo argentino, de um empréstimo de R$ 1,2 bilhões junto a bancos locais e internacionais afastou a perspectiva de um colapso. O Merril Lynch, que havia divulgado um relatório pessimista sobre a Argentina reviu suas posições na sexta-feira, traçando um diagnóstico mais positivo. E, no Brasil, foi realizado um leilão, na quinta-feira, de títulos cambiais em condições mais aceitáveis para o mercado. Outro leilão foi marcado para a semana que vem. Também trouxe calma ao mercado o anúncio do saldo das contas do governo, que superou as metas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). De forma geral, o mercado aprova o gerenciamento da economia e as metas para o final do ano devem ficar dentro do previsto. A única grande decepção é a balança comercial.Petróleo esteve estável, e pode até cair na semana que vemHouve uma elevação nos preços na quinta-feira por conta do anúncio, pelo governo iraquiano, de que suspenderia a sua produção se a Organização das Nações Unidas (ONU) não aprovasse que o pagamento das suas exportações fosse feito em euros.Mas, na sexta-feira, a cesta de produtos de petróleo dos países-membros da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) completou o seu vigésimo dia com preços médios acima de US$ 28. Segundo decisão da Organização, se o preço da cesta ficar abaixo de US$ 22 ou acima de US$ 28, é acionado um gatilho regulador da produção equivalente a 500 mil barris diários com objetivo de manter os preços dentro desse limite. Como esperado, a Opep divulgou que a produção de petróleo será aumentada a partir da zero hora de segunda-feira. Ainda não se sabe se a quantia obedecerá a regra, mas a medida pode reduzir um pouco os preços, que estão muito elevados devido aos baixos estoques nos EUA e aos confrontos entre palestinos e Forças Armadas de Israel. O medo em relação ao Oriente Médio é que haja uma escalada nos conflitos, envolvendo países produtores da região.MercadosO petróleo oscilou na semana em torno da cotação de US$ 31,50. Em parte, isso se deveu à falta de novos fatos. A situação no Oriente Médio encontra-se num impasse, sem grandes perspectivas de melhora ou sinais claros de piora. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - também oscilou bastante sem indicação de tendência. Mas o Dow Jones - Índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - vem apresentando valorização significativa. Desde 18 de outubro, já subiu 6,17%. Nos Estados Unidos, todas as empresas já divulgaram seus balanços trimestrais. Os resultados das empresas trouxeram muita oscilação às bolsas. Agora espera-se que as oscilações sejam menores.No Brasil, o câmbio foi o centro das atenções, com forte valorização apesar do recuo da sexta-feira. Desde 29 de setembro, quando fechou em R$ 1,8443 até sexta, quando fechou em R$ 1,9170, a valorização foi de 3,94%. Os juros refletiram as mesmas tendências, descolando bastante da Selic, a taxa referencial básica da economia, atualmente em 16,5%. É natural que os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - sejam mais elevados que a Selic, que se refere a vencimentos diários. Na sexta, houve uma correção para baixo. A Bovespa teve fortes quedas no início da semana, recuperando-se a partir de quinta. Nos dois últimos dias da semana, a valorização foi de 7,5%.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-3,72%-1,36%-0,97%,+4,08%+3,29%Dólar (fechamento)R$ 1,9010R$ 1,9100R$ 1,9300R$ 1,9360R$ 1,9170Juros (DI a termo ao ano)17,550%17,740%18,110%18,360%17,790%Nasdaq (variação)-0,41%-1,41%-5,56%+1,32%+0,18%Dow Jones (variação)+0,44%+1,18%,-0,64%+0,52%+2,03%Dia-a-dia:Segunda-Feira (23/10)Crise na Argentina, escalada dos conflitos no Oriente Médio, elevação nos preços do petróleo, dados decepcionantes da balança comercial e Nasdaq em queda: o dia foi cheio de más notícias. Não surpreendentemente, o impacto nos mercados foi bastante forte. O dólar disparou e a Bovespa despencou ainda mais. Os juros também subiram. Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 3,72%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9010, com alta de 0,80%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,550% ao ano, frente a 17,460% ao ano na sexta-feira.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,44%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em queda de 0,41%.Terça-Feira (24/10)O dólar fechou em R$ 1,9100, com alta de 0,47%, a cotação mais alta desde 1º de dezembro de 1999. Os juros também tiveram elevação expressiva e a Bolsa caiu. Apesar da recuperação das bolsas norte-americanas, a crise argentina, os conflitos no Oriente Médio - que mantém elevados os preços do petróleo - e os fracos números das exportações derrubaram os ânimos no mercado. O fracasso no leilão de títulos cambiais fez com que investidores intranqüilos procurassem dólares.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 1,36%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9100, com alta de 0,47%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,740 % ao ano, frente a 17,550% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 1,18%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em queda de 1,41%.Quarta-Feira (25/10)Os mercados apresentaram resultados bastante desanimadores em função da crise na Argentina, dos conflitos no Oriente Médio e dos resultados decepcionantes da balança comercial brasileira. As bolsas norte-americanas voltaram a cair, a Nasdaq, em especial, também despencou.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 0,97%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9300, com alta de 1,05%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 18,110% ao ano, frente a 17,740% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,64%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em queda de 5,56%.Quinta-feira (26/10)O dia foi tenso, com muitas oscilações e movimentos especulativos. A Bovespa teve alta de 4,08%, e o dólar subiu a R$ 1,9360. Os juros também continuaram em alta. Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 4,08%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9360, com alta de 0,31%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 18,360 % ao ano, frente a 18,110% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,52%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 1,32%.Sexta-feira (27/10)Apesar da tensão dos últimos dias, o ambiente foi de maior tranqüilidade, e os mercados corrigiram as cotações, que atingiram níveis extremos, especialmente na quarta-feira. Os resultados foram favorecidos pelo possível anúncio de expansão na produção de petróleo a partir de segunda-feira e maior calma em Nova York.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 3,29%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9170, com queda de 0,98%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,790 % ao ano, frente a 18,360% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 2,03%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 0,18%.

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