Mercados: resumo da semana

A situação econômica da Argentina monopolizou as atenções dos mercados essa semana. Outros fatores, como o preço do petróleo, a indefinição eleitoral nos Estados Unidos e a queda mais forte que o esperado da inflação no Brasil atuaram, no máximo, como meros coadjuvantes.Na segunda-feira foi feriado na Argentina, e as cotações no Brasil até ensaiaram uma recuperação, mas ao longo da semana, o pessimismo predominou. Na terça, o governo argentino leiloou títulos no valor de US$ 1,1 bilhão a uma taxa de 16% ao ano, conforme esperado pelo mercado. Analistas julgaram a aceitação dos títulos pelo mercado em si uma vitória. Mas, no leilão anterior, os títulos foram negociados a 10% ao ano, e o volume negociado foi considerado elevado demais para o mercado local. Conseqüentemente, nos dias seguintes, os volumes nos mercados argentinos caíram. Dadas as incertezas da economia, as oscilações foram grandes, assim como o pessimismo.O quadro piorou quando o governo argentino anunciou, na quarta-feira, o déficit nas contas públicas acima do esperado, ameaçando o cumprimento das metas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A partir de então, num quadro de preocupações crescentes, o próprio governo passou a admitir a dificuldade de captar financiamentos e a necessidade de um pacote de ajuda financeira multilateral.As especulações seguiram-se, e há pouco o governo argentino anunciou um pacote de medidas econômicas para restabelecer a confiança dos mercados. O presidente Fernando de la Rúa reiterou que a Argentina cumprirá suas obrigações financeiras com os credores, mas que o déficit nas contas públicas em 2000 será mais elevado que o esperado. O pacote inclui uma série de medidas de reforma econômica e fiscal. Espera-se que, uma vez feitos cortes fiscais que controlem o déficit, o FMI anuncie o pacote, sobre o qual o presidente não fez nenhuma menção. Leia mais a respeito do pacote argentino a seguir no www.estadão.com.br.Indefinição eleitoral nos EUA afetam bolsas em NYO único fato relevante para os mercados afora a crise argentina foi a indefinição eleitoral nos Estados Unidos. Os mercados mostravam-se indiferentes aos dois candidatos. Mas a indefinição prolongada, e pior, o risco de uma guerra legal para decidir a questão desestablizaram os mercados norte-americanos. Mesmo que uma batalha jurídica não ocorra, a eleição de um presidente por uma margem insignificante com um Congresso igualmente dividido nas circunstâncias em que os fatos estão se desenrolando não são um bom indicador para o início de um novo governo, qualquer que seja o eleito.MercadosDesde o início da semana, o pessimismo tem sido grande no Brasil, com altas impressionantes nos juros e no dólar. O dólar, que fechou cotado a R$ 1,9010 em 31 de outubro, estava cotado a R$ 1,9700 no fechamento da quinta-feira, uma valorização de 3,63% em seis dias úteis. Os juros, igualmente, chegaram a 19,000% ao ano na quinta-feira para contratos de juros de DI a termo, enquanto a Selic continua fixada em 16,5% ao ano. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vem oscilando alternando altas e baixas desde o início de novembro.Nos Estados Unidos, a indefinição eleitoral vem derrubando as bolsas desde o dia da eleição, 7 de novembro. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - acumula queda de 11,32% desde então. E o Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York -, por sua vez, caiu 3,19% nesses últimos quatro dias.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)+1,84%+1,14%-2,08%,-0,90%+0,70%Dólar (fechamento)R$ 1,9400R$ 1,9550R$ 1,9680R$ 1,9700R$ 1,9500Juros (DI a termo ao ano)18,200%18,500%18,850%19,000%18,500%Nasdaq (variação)-1,02%-0,01%-3,87%-0,97 %-5,35%Dow Jones (variação)+1,47%-0,23%,+0,09%-0,67%-2,13%Dia-a-dia:Segunda-Feira (6/11)Neste dia os movimentos dos mercados foram regidos diretamente pelas expectativas e resultados do leilão de títulos da Argentina. O dia foi de fortes oscilações, com altas na Bolsa, nos juros e no dólar. Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 1,84%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9400, com baixa de 0,15%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 18,200% ao ano, frente a 18,400% ao ano na sexta-feira.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 1,47%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em queda de 1,02%.Terça-Feira (7/11)As tensões quanto à situação da Argentina, aos preços do petróleo e até das bolsas nos EUA atenuaram-se, e os mercados estavam mais calmos. O momento era de atenção, mas corrigindo as cotações, que atingiram picos na semana anterior. Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 1,14%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1, 9550, com alta de 0,77%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 18,500 % ao ano, frente a 18,200% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em baixa de 0,23%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em baixa de 0,01%.Quarta-Feira (8/11)Mercados brasileiros continuaram reagindo com pessimismo às notícias das dificuldades econômicas na Argentina. Relatório do FMI alertava para a dificuldade de financiamento para países emergentes e até o governo argentino já admitia necessitar de pacote multilateral de ajuda financeira. Os números do déficit nas contas do governo em outubro pioraram a situação. Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 2,08%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9680, com alta de 0,66%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 18,850 % ao ano, frente a 18,500% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,41%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em queda de 5,38%.Quinta-feira (9/11)A expectativa de um pacote de ajuda internacional para a Argentina e de medidas fiscais para conter o déficit das contas públicas trouxeram ansiedade ao mercado, o que favoreceu a boataria e a especulação. Fontes extra-oficiais falaram no anúncio de um pacote para o dia seguinte, e a tensão trouxe muito pessimismo. A indefinição eleitoral nos EUA piorou ainda mais o quadro. Os juros e o dólar dispararam novamente e a Bovespa voltou a cair. Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 0,90%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9700, com alta de 0,10%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 19,000 % ao ano, frente a 18,850% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em baixa de 0,67%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em baixa de 0,97%.Sexta-feira (10/11)Neste dia à noite foi anunciado um pacote fiscal na Argentina, o que acalmou os mercados brasileiros um pouco. Especulava-se sobre as medidas e sobre um possível pacote financeiro multilateral liderado pelo FMI. Ao menos, os mercados reverteram ligeiramente o pessimismo dos últimos dias. Mas nos EUA, a indefinição eleitoral já estava afetando as bolsas. Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 0,70%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9500, com baixa de 1,02%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 18,500 % ao ano, frente a 19,000% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em baixa de 2,13%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em baixa de 5,35%.

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