Mercados: resumo da semana

O grande evento da semana, sem dúvida, foi o leilão de privatização do Banespa na segunda-feira. Não só o preço pago foi muito superior a qualquer expectativa, como, por ter sido comprado por um grupo estrangeiro, foi responsável por uma entrada muito significativa de dólares. Os mercados ficaram muito desestabilizados no início da semana, ignorando quaisquer outros eventos. O Banco Central inclusive interveio no mercado de câmbio para segurar a queda nas cotações do dólar. Mas a euforia durou pouco.A Argentina trouxe otimismo e pessimismo aos mercados ao longo da semana. Na segunda-feira, foi anunciado que uma das condições para a concessão do pacote de ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) tinha sido cumprida. Após difícil negociação, o governo argentino chegou a um acordo para congelar os gastos públicos por 5 anos. O FMI foi rápido ao elogiar o acordo e garantir seu apoio ao país. Somando-se essa boa notícia à privatização do Banespa, os mercados reagiram com bastante otimismo.Mas ontem iniciou-se a greve geral que paralisou a Argentina até à meia-noite de sábado. Os manifestantes opõem-se ao pacote de ajuste fiscal do governo. O Fundo anunciou que ainda falta a aprovação do orçamento de 2001 e a reforma e medidas para a extinção da previdência social para que o pacote, estimado em US$ 20 bilhões, seja aprovado. Essas medidas também são de difícil aprovação, pois dependem do Congresso, e a oposição controla o Senado. Mesmo assim, analistas duvidam que o FMI deixe de liberar o pacote, mesmo que nem todas as medidas sejam adotadas, pois o custo de um possível calote, dadas as dificuldades financeiras do governo, seriam maiores. Os mercados, de qualquer forma, reagem com cautela.Nos Estados Unidos, aumentam as preocupações em relação ao desempenho da economia. Na quarta-feira, O Morgan Stanley Dean Witter anunciou alerta máximo para a possibilidade de uma crise global puxada por uma recessão nos EUA já no primeiro semestre de 2001. Os mercados norte-americanos continuam em queda e a indefinição sucessória para a Presidência da República não está ajudando. Quinta-feira foi feriado de Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos e os mercados norte-americanos não operaram. Na sexta-feira o fechamento foi às 16:00 de Brasília.Finalmente, no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic inalterada em 16,5% ao ano, de acordo com as previsões do mercado. O diretor de política monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, alegou seis razões para a decisão, todas relacionadas com o cenário externo: a continuidade da crise na Argentina, da alta nos preços do petróleo, da desvalorização do euro e da crise no Oriente Médio, a possibilidade de recessão nos EUA e as oscilações nas bolsas. O diretor também aludiu a fatores internos, mas sem explicitá-los.MercadosA Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vem apresentando queda suave desde 30 de outubro. Até hoje, a variação acumulada é de 3,73%. O dólar caiu muito no início da semana em função da venda do Banespa, mas já quase recuperou o patamar anterior de R$ 1,95. E os juros, que vinham caindo desde 8 de novembro, oscilaram essa semana, mas num patamar mais baixo. Nos Estados Unidos, as bolsas vêm registrando quedas desde 15 de novembro, apesar das altas de hoje. Até ontem, a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - registrou queda de 12,96% e o Dow Jones- índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York -, de 2,88%. Confira abaixo os fechamentos da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)+1,23%+1,96%-1,40%,-1,80%+0,15%Dólar (fechamento)R$ 1,9180R$ 1,9200R$ 1,9330R$ 1,9540R$ 1,9590Juros (DI a termo ao ano)17,550%17,530%17,590%18,200%17,950%Nasdaq (variação)-5,01%-0,15%-4,05%-+5,41%Dow Jones (variação)-0,30%-1,57%,-0,91%-+0,68%Dia-a-dia:Segunda-Feira (20/11)A grande surpresa desse dia foi a venda do Banespa ao único participante estrangeiro do leilão. Enquanto a maioria dos analistas indicava uma forte disputa entre os três maiores grupos nacionais, a oferta do banco espanhol superou a soma dos demais concorrentes, garantindo ao governo um ágio de 281% sobre o preço mínimo, totalizando inesperados R$ 7,05 bilhões. Com a expectativa de que os recursos entrem até o dia 27, a enxurrada de dólares derrubou a cotação da moeda norte-americana, que fechou em R$ 1,9180, com queda de 2,49%.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 1,23%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9180, com baixa de 2,49%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,550% ao ano, frente a 17,910% ao ano na sexta-feira.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,98%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em queda de 2,74%.Terça-Feira (21/11)Quando o dólar estava em queda livre, em função do grande volume de recursos que devem entrar pela privatização do Banespa, o Banco Central interveio para elevar as cotações. Mas o otimismo dos mercados não foi abalado. As notícias da Argentina foram positivas e cogitou-se até uma redução da Selic.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 1,96%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9200, com alta de 0,10%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,530 % ao ano, frente a 17,550% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,76%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 0,43%.Quarta-Feira (22/11)Mercados brasileiros continuaram reagindo com pessimismo às notícias das dificuldades econômicas na Argentina. Relatório do FMI alertava para a dificuldade de financiamento para países emergentes e até o governo argentino já admitia necessitar de pacote multilateral de ajuda financeira. Os números do déficit nas contas do governo em outubro pioraram a situação.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 1,40%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9330, com alta de 0,68%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,590 % ao ano, frente a 17,530% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,81%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em queda de 2,75%.Quinta-feira (23/11)O baixo volume de negócios, em parte causado pelo feriado nos EUA, favoreceu a especulação nos mercados. O pessimismo voltou, praticamente anulando as recuperações observadas nas cotações após o leilão do Banespa. A Argentina voltou a preocupar, com declarações do diretor do FMI cobrando a implementação das medidas econômicas e a greve geral iniciada nesse dia..Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 1,80%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9540, com alta de 1,09%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 18,200 % ao ano, frente a 17,590% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - houve feriado nos EUA nesse dia em função do Dia de Ações de GraçasSexta-feira (24/11)Enquanto o pacote de ajuda econômica do FMI para a Argentina não sair, os mercados devem permanecer cautelosos. Os outros fatores de instabilidade externa também permaneceram inalterados. Nesse dia, mesmo com a alta das bolsas em Nova York e expectativa positiva para o leilão da Cesp, houve muitas oscilações, mas os mercados não apresentaram grandes variações em relação aos fechamentos de ontem.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 0,15%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9590, com alta de 0,26%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,950 % ao ano, frente a 18,200% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,68%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 5,41%.

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