Mercados: resumo da semana

Apesar da montanha-russa da semana anterior, marcada pelo leilão de privatização do Banespa, a semana que passou não teve muitas novidades. Como a balança comercial brasileira continua frustrando as expectativas mais pessimistas, as atenções voltam-se para o cenário internacional. Hoje foi anunciado o déficit de novembro, de US$ 630 milhões, com um acumulado no ano de US$ 474 milhões. O governo esperava inicialmente algo entre US$ 4 e 5 bilhões de superávit. Com isso, a necessidade de investimentos externos e de um ambiente favorável ao crescimento das exportações aumenta. E a preocupação com a deterioração do cenário externo também.A maior preocupação é quanto à desaceleração da economia norte-americana. A maioria dos analistas julga que ela continuará sendo lenta e suave, mas teme-se crescentemente que a diminuição das taxas de crescimento da economia será abrupta e pode até acabar em uma recessão. Os anúncios antecipados de resultados do quarto semestre refletem essa desaceleração, com queda nas expectativas de faturamento das empresas e queda nas cotações das ações, em especial, da Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática.Já as notícias da Argentina, que vinham conturbando os mercados, foram mais positivas. O Congresso argentino aprovou o Orçamento para 2001, arrancando elogios do Fundo Monetário Internacional (FMI). A vice-diretora do hemisfério ocidental, Teresa Ter-Minassian, chegou a Buenos Aires na quarta-feira e lidera a missão do Fundo. O FMI anunciou que o pacote multilateral de ajuda econômica, estimado em cerca de US$ 20 bilhões, será anunciado antes do Natal.O fato exótico da semana foi a crise financeira da Turquia, que abalou a percepção dos investidores sobre países emergentes, afetando as cotações de papéis da dívida externa brasileira. O FMI já negocia com o governo turco e a contaminação foi limitada.MercadosDesde o leilão de privatização do Banespa - que injetou R$ 3,5 bilhões, afetando fortemente as cotações - os mercados voltaram a registrar resultados pessimistas, confirmando as tendências anteriores. A Bolsa vem tendo quedas sucessivas, apesar de alguma oscilação, acumulando perdas de 9,11% desde 21 de novembro. Nesse mesmo período, o dólar subiu 2,81%. Os juros de DI a termo, por sua vez, têm oscilado acima de 18% ao ano, bastante superiores à Selic, a taxa básica referencial da economia, que está fixada em 16,5%.Nos Estados Unidos, a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática -acumula quedas. Desde 3 de novembro, a perda já é de 25,30%. O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - vem oscilando desde 20 de novembro, sem indicar tendência. Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-2,28%-0,68%-0,91%,-3,63%+1,13%Dólar (fechamento)R$ 1,9720R$ 1,9680R$ 1,9580R$ 1,9810R$ 1,9740Juros (DI a termo ao ano)18,160%18,130%17,980%18,370%18,230%Nasdaq (variação)-0,82%-5,05%-1,03%-4,02%+1,82%Dow Jones (variação)+0,72%-0,37%,+1,16%-2,02%-0,39%Dia-a-dia:Segunda-Feira (21/08)Baixo volume de negócios e instabilidade na Argentina, com a expectativa de votação do Orçamento de 2001 no dia seguinte e presença da missão do FMI no país, trouxeram pessimismo aos mercados. A piora no saldo comercial brasileiro também decepcionou. O dólar disparou, a Bovespa caiu e os juros também subiram.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 2,28%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9720, com alta de 0,66%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 18,160% ao ano, frente a 17,900% ao ano na sexta-feira.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,72%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em queda de 0,82%.Terça-Feira (15/08)Não houve variações muito significativas no fechamento dos mercados, apesar das oscilações ao longo do dia. O volume de negócios foi fraco e predomina a apreensão em relação às principais variáveis internacionais, ainda indefinidas: Argentina, alta do petróleo, possível recessão nos EUA e, no Brasil, a privatização da Cesp. Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 0,68%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9680, com queda de 0,20%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 18,130% ao ano, frente a 18,160% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,37%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em queda de 5,05%.Quarta-Feira (16/08)A calma retornou com os bons sinais sobre o crescimento do PIB dos EUA, da aprovação da proposta básica do Orçamento argentino e a proximidade do leilão da Cesp e até das licitações das bandas C, D e E. O dólar caiu, levando os juros e puxando a bolsa.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 0,35%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9580, com queda de 0,51%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,980 % ao ano, frente a 18,130% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 1,16%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em queda de 1,03%.Quinta-feira (17/08)Hoje a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - teve mais um dia de queda, atingindo o nível mais baixo em número de pontos desde 11 de agosto de 1999. Os mercados brasileiros seguiram a tendência, operando com pessimismo.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 3,63%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9810, com alta de 1,17%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 18,370% ao ano, frente a 17,980% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 2,02%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em queda de 4,02%.Sexta-feira (18/08)Com a alta da Nasdaq, os mercados brasileiros tiveram pequena recuperação. O FMI elogiou a aprovação final do Orçamento argentino e anunciou a liberação do pacote para antes do Natal. Mas os mercados estão apreensivos com as tendências da economia dos EUA. Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 1,13%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9740, com queda de 0,35%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 18,230 % ao ano, frente a 18,370% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,39%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 1,82%.

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