Mercados: resumo da semana

Após meses de pessimismo, que culminaram com o menor volume de negócios do ano na Bolsa segunda-feira, a semana foi marcada pela reversão nas expectativas. Desde terça-feira, o clima tem sido de euforia, revertendo as tendências anteriores nos mercados financeiros nacionais e estrangeiros. O estopim dessas mudanças foi um conjunto de fatores positivos no cenário internacional, envolvendo todos os fatores de incerteza elencados como obstáculos para o mercado brasileiro: desaceleração econômica nos EUA com juros crescentes, crise econômica na Argentina e preços elevados do petróleo. Coincidentemente, essas circunstâncias negativas parecem estar caminhando para uma solução, animando investidores.A virada foi estimulada pelo discurso, na terça-feira, do presidente do FED - banco central norte-americano - Alan Greenspan. Ele afirmou que acredita que a economia dos EUA esteja sofrendo um processo de desaceleração, e que, vê as condições para uma redução nas taxas de juros no futuro. A reversão da política de alta dos juros, iniciada em junho de 1999 animou os mercados. A expectativa é que o movimento de corte possa se iniciar em março próximo. Com isso, as bolsas dispararam em Nova York. Nesse mesmo dia, todos os concorrentes ao leilão de privatização da Cesp Paraná desistiram da disputa por causa, principalmente, de questões técnicas e ambientais envolvendo o enchimento da barragem da usina Sérgio Mota. O cancelamento do leilão, porém, não estragou a festa. O governo do Estado de São Paulo ainda pretende manter a privatização da empresa, e o otimismo dos mercados sobrepôs-se ao fracasso do leilão.Também a Argentina e a Turquia, que vinham preocupando os investidores em mercados emergentes, deram sinais tranqüilizadores para o mercado. Ao longo da semana, foi aprovado o orçamento para o ano de 2001 pelo Senado, uma das pré-condições para a liberação do pacote de ajuda multilateral coordenado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Agora o orçamento será enviado para a Câmara, que, espera-se, finalize a aprovação até terça-feira. Segundo fontes do governo argentino, faltam poucos detalhes para a liberação do pacote, estimado em US$ 20 a 30 bilhões. Espera-se que o anúncio saia ainda na próxima semana. Na quarta-feira, o governo turco anunciou o seu pacote de ajuda do FMI, de US$ 10 bilhões.Até os preços do petróleo caíram. Mas o petróleo ainda está caro e as quedas do final da semana podem ser circunstanciais, e não necessariamente sinalizam uma tendência consistente de redução nos preços. Vários fatores contribuíram para a queda do petróleo, segundo analistas, como a queda na demanda nos Estados Unidos por causa do desaquecimento da economia, o inverno até agora ameno no hemisfério norte, que reduz a demanda por óleo para aquecimento e a retomada da produção do Iraque, interrompida há alguns dias.No Brasil, as apostas do mercado são de queda na SelicAssim como nos Estados Unidos já se fala em queda nas taxas de juros no médio prazo, muitos analistas brasileiros começam a especular sobre queda na Selic, a taxa de juros básica referencial da economia. Como os maiores entraves para o otimismo dos investidores nos últimos meses foram as dificuldades no exterior, muitos acreditam numa redução já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), dias 19 e 20. A economia brasileira está crescendo com inflação baixa e a possível reversão do cenário externo pode ser o empurrão que faltava. A Selic está fixada atualmente em 16,5% ao ano, e a argumentação dos que acreditam na sua queda é que, não fossem as pressões internacionais, o bom cenário interno já teria levado a uma queda nos juros, especialmente ao se considerar as quedas nas taxas de inflação. MercadosNo Brasil, embora se esperasse que dezembro fosse ser um mês de poucos negócios, os resultados têm sido animadores. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) praticamente só registrou altas no mês, valorizando 12,76%. O dólar, desde 27 de novembro, vem oscilando em torno de R$ 1,97. As cotações sofreram forte queda na terça-feira, com a expectativa do leilão da Cesp, mas não chegaram a disparar depois do cancelamento. Os juros, por sua vez, vem caindo desde o início da semana.Nos Estados Unidos, as bolsas sofreram forte alta após o pronunciamento de GreenspanVeja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)+0,54%+4,97%-1,66%,+3,69%+3,62%Dólar (fechamento)R$ 1,9790R$ 1,9570R$ 1,9730R$ 1,9750R$ 1,9680Juros (DI a termo ao ano)18,230%17,950%17,800%17,670%17,480%Nasdaq (variação)-1,12%+10,48%-3,23%-0,44%+5,98%Dow Jones (variação)+1,81%+3,21%,-2,15%-0,44%+0,90%Dia-a-dia:Segunda-Feira (21/08)Os mercados tiveram baixíssimo volume de negócios. Novamente, a apatia dos investidores seguiu o ritmo da indefinição dos principais fatores que influenciam os mercados, todos vindos do exterior. O fraco desempenho da balança comercial condicionava o humor dos mercados ao fluxo de investimentos estrangeiros. Estes, por sua vez, foram influenciados pela situação na Argentina, nos Estados Unidos e na Turquia.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 0,54%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9790, com alta de 0,25%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 18,230% ao ano.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 1,81%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em queda de 1,12%.Terça-Feira (15/08)A perspectiva de queda dos juros nos EUA no médio prazo animou a Nasdaq, cuja alta teve repercussões positivas nos mercados no mundo inteiro. O leilão da Cesp também contribuiu para a euforia; os anúncios das desistências só vieram depois do fechamento. A Merril Lynch divulgou relatório bastante favorável ao Brasil.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 4,97%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9570, com queda de 1,11%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,950 % ao ano, frente a 18,230% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 3,21%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 10,48%.Quarta-Feira (16/08)Instabilidade nos mercados com cancelamento do leilão da Cesp e realização de lucros. O dólar subiu e a Bovespa caiu, mas, os juros, mais sensíveis às declarações de Alan Greenspan, indicando queda nos juros nos EUA, seguiram em queda. O cenário externo para o médio prazo parecia estar melhorando.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 1,66%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9730, com alta de 0,82%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,800 % ao ano, frente a 17,950% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 1,00%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 0,53%.Quinta-feira (17/08)Apesar das fortes oscilações nas bolsas norte-americanas, que operavam em baixa no momento, os mercados brasileiros reagiram com otimismo aos fatos do dia. No Brasil, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, falou sobre a possibilidade de redução dos juros. Na Argentina, o bom andamento da votação do orçamento de 2001 ajustado também animou os investidores.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 3,69%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9750, com alta de 0,10%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,670 % ao ano, frente a 17,800% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,44%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em queda de 1,57%.Sexta-feira (18/08)A pespectiva de queda nos juros nos EUA e no Brasil continuaram entusiasmando os mercados. As bolsas tiveram fortes altas em Nova York e São Paulo. Até o petróleo teve queda significativa e a situação na Argentina já não preocupavam tanto. O dólar caiu e aumentam as apostas de queda na Selic.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 3,62%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,9680, com queda de 0,35%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,480 % ao ano, frente a 17,670% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,90%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 5,98%.

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