Mercados: resumo da semana

O evento principal da semana foi a reunião do FED - banco central norte-americano -, que, conforme previsto, reduziu os juros básicos nos Estados Unidos na quarta-feira. A queda foi de meio ponto porcentual, reduzindo a taxa de 6% para 5,5% ao ano. No início de janeiro, o FED já havia realizado corte de meio ponto porcentual. Temendo que a desaceleração da economia do país acabe numa recessão, as autoridades monetárias têm sido agressivas na política de redução dos juros, mesmo que o efeito das quedas só se faça sentir em um prazo de no mínimo 6 meses.Até quarta-feira, os mercados não apresentaram grandes variações, aguardando a decisão do FED. Mas, quando ela veio, os investidores brasileiros passaram a temer ainda mais uma recessão nos Estados Unidos. Além disso, a disputa pelas Presidências da Câmara e do Senado está começando a abalar a base aliada do governo. Os analistas ouvidos pela Agência Estado não acreditam que a polêmica se sustente após a eleição, dia 14 de fevereiro. De qualquer maneira, as ameaças do candidato do PFL, deputado Inocêncio de Oliveira, de promover uma CPI para investigar as privatização do setor elétrico assustaram os investidores.Além disso, na quinta-feira, fracassou o leilão de licitação da banda C de telefonia celular do Sistema Móvel Pessoal (SMP). Houve apenas um grupo interessado, o que eliminou a possibilidade de ágio e levou o governo a cancelar o leilão na sexta-feira. Com isso, a expectativa de uma grande entrada de dólares foi frustrada, pressionando a cotação da moeda.O dólar disparou e a Bolsa sofreu uma queda significativa após um dia tenso, na quinta-feira, e até os juros subiram. Mas os analistas não consideraram os eventos da quarta e da quinta-feira como significativos. O predominante é o bom cenário da economia, que leva à tendência de alta da Bolsa e queda nos juros. A expectativa é que após as eleições no Congresso, a situação se estabilize e o otimismo retorne ao mercado. A razão para a queda foi, segundo os analistas ouvidos, a realização de lucros. Os investidores, que viram a Bolsa acumular alta de 33% nos meses de janeiro e fevereiro, venderam papéis para embolsar o ganho.MercadosOs mercados reagiram de maneiras diversas ao corte de juros nos EUA. O Dow Jones - Índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - passou a indicar tendência de alta, subindo 1,91% entre os dias 26 de janeiro e 2 de fevereiro. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - voltou a cair. Entre segunda-feira e sexta-feira, acumulou queda de 4,34%. A Bovespa também passou a apresentar quedas no mesmo período, de 5,82. O dólar teve um pico na quinta-feira, mas caiu um pouco na sexta. Entre segunda e o final da semana, subiu 1,07%. E os juros oscilaram, mas sem alterar muito o patamar de negócios.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-0,03%-0,90%-0,28%-3,59%-0,73%Dólar (cotação)R$ 1,9750R$ 1,9670R$ 1,9730R$ 1,9910R$ 1,9880Juros (DI a termo ao ano)15,410%15,440%15,430%15,680%15,700%Nasdaq (variação)+2,04%0,00%-2,31%+0,36%-4,18%Dow Jones (variação)+0,40%+1,67%0,00%+0,88%-1,09%Dia-a-dia:Segunda-Feira (29/01)Os mercados apresentaram pouquíssimas variações, enquanto aguardavam a reunião do FED para conhecer o patamar dos juros básicos nos Estados Unidos. A expectativa era de queda nos juros nos EUA e, consequentemente, no Brasil.Terça-Feira (30/01)A cassação da liminar que impedia o leilão da Banda C agitou a Bolsa e o câmbio, que fecharam em queda. E os dados sobre confiança do consumidor nos EUA reforçaram as apostas numa queda de 0,5 ponto porcentual nos juros norte-americanos.Quarta-Feira (31/01)Conforme o previsto pelo mercado, o FED - banco central norte-americano - reduziu os juros básicos norte-americanos em meio ponto porcentual. A taxa caiu de 6% para 5,5% ao ano, após ter caído 0,5 ponto porcentual na reunião extraordinária de 3 de janeiro. Com a decisão dentro do previsto, houve poucas variações no mercado.Quinta-feira (01/02)O dia foi agitado para os mercados, com fortes especulações no mercado de câmbio, motivadas pelos resultados decepcionantes da balança comercial, pelo fracasso da licitação da banda C e pelas brigas na base aliada do governo. As preocupações de que os EUA entrem em recessão também cresceram.Sexta-feira (02/02)O mercado apresentou-se menos tenso que ontem, embora o clima fosse de cautela. As oscilações foram grandes, com pressão especulativa sobre a Bolsa, dólar e juros ao longo do dia. Mesmo assim, o saldo foi melhor que o de ontem, apesar das quedas nas bolsas norte-americanas.

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