Mercados: resumo da semana

A quinta-feira representou um momento de virada nas tendências do mercado. Até então, o humor dos investidores estava favorecendo ajustes nas cotações dos papéis, depois do otimismo nos meses de dezembro e janeiro. Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), por exemplo, a alta acumulada dos dois meses foi de 33%. Depois da euforia, muitos investidores preferiram vender e embolsar o ganho auferido. Os dados ruins da balança comercial brasileira divulgados na segunda-feira reforçaram a necessidade de ajuste. O déficit - importações maiores que exportações - acumulado no ano até o dia 2 de fevereiro chegou a US$ 557 milhões. As cotações do dólar ficaram pressionadas, chegando à máxima de R$ 2,0060. E os juros também subiram, com expectativa de queda mais modesta da Selic - a taxa básica referencial da economia -, ou até manutenção nos atuais 15,25% ao ano. Porém, na quarta-feira depois dos fechamentos, foi divulgado o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), que registrou deflação de 0,05 ponto porcentual. A notícia animou os investidores, que melhoraram sua visão em relação à queda da Selic. Na quinta-feira, o Banco Central refez suas contas, diminuindo sua previsão de compra de dólares no mercado no ano de US$ 3 bilhões para US$ 1,2 bilhões. Como uma parte desses recursos já foi adquirida, a pressão no mercado de câmbio será muito pequena. A notícia reverteu a tendência de alta da moeda norte-americana. Na sexta-feira, o leilão de títulos cambiais do governo federal superou as expectativas do mercado, aliviando a procura por dólares, o que reduziu ainda mais as cotações. Também contribuiu para a retomada do otimismo a antecipação do leilão de licitação da banda D, do dia 20 de fevereiro para o dia 13, terça-feira que vem. O preço mínimo total das três licitações oferecidas totaliza R$ 2,19 bilhões, o que traz a perspectiva de forte entrada de dólares, caso vençam grupos estrangeiros. Mercados A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) sofreu uma queda de 3,59% no dia 1º de fevereiro, mas vem oscilando sem definir uma tendência clara desde então. O dólar apresentava tendência de alta com poucas recuperações entre 3 de janeiro e 7 de fevereiro, acumulando valorização de 3,72% no período. Os juros vinham subindo até dia 7 de fevereiro, mas passaram a cair nos últimos dois dias da semana. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - acumula queda de 1,68% na semana, enquanto a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - vem oscilando com tendência de queda entre 30 de janeiro e 9 de fevereiro, caindo 12,94% no período. Veja abaixo as cotações de fechamento da semana:   segunda-feira terça-feira quarta-feira quinta-feira sexta-feira Bovespa (variação) -1,08% +1,64% -1,14% +2,56% -0,61% Dólar (cotação) R$ 2,0030 R$ 2,0010 R$ 2,0050 R$ 1,9910 R$ 1,9820 Juros (DI a termo ao ano) 15,850% 15,900% 15,960% 15,800% 15,657% Nasdaq (variação) -0,65% +0,81% -2,13% -1,75% -3,56% Dow Jones (variação) +0,94% -0,08% -0,10% -0,60% -0,91% Dia-a-dia: Segunda-Feira (05/02) A intranqüilidade com a disputa pela Presidência da Câmara e do Senado e os dados sobre o desempenho da balança comercial nos primeiros dias de fevereiro pressionaram as cotações do dólar hoje. A Bovespa caiu e os juros subiram. Terça-Feira (06/02) As variações de ontem foram parcialmente revertidas, com um ambiente de maior tranqüilidade entre os investidores. Quarta-Feira (07/02) Os mercados aprofundaram a cautela, operando com pessimismo. Ainda assim, as variações nas cotações foram pequenas. As principais novidades foram as quedas nas bolsas norte-americanas e a revisão das previsões da queda dos juros, que ficaram mais pessimistas. Quinta-feira (08/02) Na quarta-feira, após o fechamento dos negócios, foi divulgado o IGP-M, com queda de 0,05%. A boa notícia reacendeu o otimismo dos investidores em relação à queda nos juros. Além disso, o governo reviu as suas contas e reduziu sua previsão de necessidade de dólares. A Bolsa subiu e o dólar e os juros caíram. Sexta-feira (09/02) Os mercados mantiveram-se otimistas com o anúncio de necessidade menor de dólares do governo. O sucesso do leilão de títulos cambiais reforçou a tendência de queda, surpreendendo com prazos maiores e juros menores. Por fim, a antecipação do leilão de licitação da banda D animou os investidores.

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