Mercados: resumo da semana

A semana foi bastante agitada nos mercados, com a reversão, ao menos momentaneamente, do otimismo que tomou conta dos mercados em dezembro e janeiro. Não que a percepção dos investidores tenha se tornado totalmente pessimista, mas o entusiasmo passou e a atitude agora é mais cautelosa. O saldo de todas essas notícias foi forte instabilidade, com um acúmulo de altas no dólar. A principal má notícia da semana foi a divulgação do CPI - o índice de preços ao consumidor - dos Estados Unidos, que ficou bem acima do esperado. Como a alta do PPI - índice de preços ao atacado - já havia surpreendido o mercado na sexta-feira, ficou disseminada a percepção de pressão inflacionária. Com isso, ficaram frustradas as expectativas de continuação da política de cortes agressivos nas taxas de juros norte-americanos. Conseqüentemente, a recuperação econômico pode ser mais lenta e menos vigorosa do que o esperado. Também aumentou o medo de uma recessão, embora essa ainda seja considerada uma hipótese improvável. Além disso, na segunda-feira, foram divulgados os dados sobre a balança comercial brasileira incluindo as três primeiras semanas de fevereiro. O déficit acumulado no ano ficou em US$ 612 milhões, frustrando as previsões mais pessimistas. Ao menos os índices de inflação voltaram a demonstrar que os preços estão sob controle, apesar de resultados ligeiramente acima do esperado. Inclusive a ata da última reunião mensal do Comitê de Política Monetária, divulgada na quinta-feira, destaca uma aceleração econômica maior do que se previa com uma leve pressão inflacionária. Essa, além da instabilidade externa, seria a razão para a interrupção na queda da Selic, a taxa básica referencial de juros. O quadro internacional foi conturbado por ataques especulativos contra a lira turca. Os mercados na Turquia sofreram fortíssimas oscilações e a crise levou a uma mudança no regime cambial, que passou de um sistema de bandas para a livre flutuação na quinta-feira. Aliás, a alteração cambial foi semelhante à que o Brasil adotou em janeiro de 1999. De qualquer forma, a crise na Turquia ameaçou contaminar outros mercados emergentes, em especial a Argentina, cuja situação econômica também é bastante precária. As metas argentinas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) não estão sendo cumpridas e não se registra crescimento na economia há 30 anos. Para piorar a situação, na quinta-feira, foram divulgadas denúncias do senador Antônio Carlos Magalhães ligando o Presidente da República ao seu ex-secretário especial em atividades ilícitas. As denúncias ainda não foram comprovadas, mas já renderam o isolamento político do senador e a demissão dos dois ministros indicados por ele, Waldeck Ornélas, da Previdência, e Rodolpho Tourinho, dos Transportes. Até agora, os mercados não apresentaram nenhuma reação à crise, confiando que ela se dissipará no futuro próximo. Mercados Nos mercados, o noticiário ficou centrado nas altas do dólar. Na quarta-feira, o dólar atingiu uma das cotações mais altas desde a criação do real, fechando a R$ 2,0410. Essa foi a cotação mais alta desde 4 de março de 1999. E ficou próxima do recorde desde a criação do real, de 2 de março de 1999, quando a moeda norte-americana foi negociada na máxima de R$ 2,23 e fechou a R$ 2,17. Desde 9 de fevereiro, o dólar vem subindo constantemente, acumulando valorização de 2,77%. E desde 27 de agosto do ano passado, a alta foi de 14,44%. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) oscilou bastante, registrando queda acumulada desde 14 de fevereiro de 5,63%. Já os juros mantiveram-se relativamente estáveis, apesar de alguma oscilação. Nos Estados Unidos, as bolsas vêm acumulando quedas. O Dow Jones- Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - caiu 4,12% desde 15 de fevereiro, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - acumula baixa de 20,29% desde 30 de janeiro. Veja abaixo as cotações de fechamento da semana:   segunda-feira terça-feira quarta-feira quinta-feira sexta-feira Bovespa (variação) -1,22% -0,93% -1,99% +2,03% +1,55% Dólar (cotação) R$ 2,0040 R$ 2,0110 R$ 2,0410 R$ 2,0440 R$ 2,0370 Juros (DI a termo ao ano) 16,240% 16,270% 16,490% 16,350% 16,250% Nasdaq (variação) -5,00% -4,41% -2,13% -1,06% +0,78% Dow Jones (variação) - -0,64% -1,90% 0,00% -0,81% Dia-a-dia: Segunda-Feira (19/02) O pessimismo que tomou conta dos investidores na sexta-feira prosseguiu, com altas nos juros e queda na Bolsa. Os mercados norte-americanos não abriram devido às comemorações do feriado de President´s Day, com poucas oscilações no mercado de câmbio. Terça-Feira (20/02) Instabilidade no cenário internacional com a expectativa da divulgação do Índice de Preços ao Consumidor nos EUA na quarta-feira derrubou as bolsas em Nova York e pressionou as cotações do dólar, que atingiram o nível mais alto desde março de 1999. A Bovespa também caiu. Quarta-Feira (21/02) O dólar chegou perto das cotações mais altas desde a criação do real, fechando a R$ 2,0410. A causa da corrida pela moeda norte-americana foi o medo de uma recessão mundial. Os índices de inflação de janeiro nos Estados Unidos, divulgados hoje, ficaram muito acima do esperado.. Quinta-feira (22/02) O dólar continuou subindo, fechando a R$ 2,0440, com alta de 0,15%. Essa é a cotação mais alta atingida pela moeda norte-americana desde 4 de março de 1999. A alta ainda reflete a busca de proteção por parte dos investidores frente às incertezas quanto à economia norte-americana e os problemas na Turquia, que podem ainda afetar a Argentina. Sexta-feira (23/02) Na véspera do feriado, os mercados operaram com poucas variações e pequeno volume de negócios. O ambiente foi de maior tranqüilidade, com as cotações recuando um pouco do pessimismo dos últimos dias. Aparentemente, o mercado não está dando muita importância à crise política iniciada pelas declarações do senador Antônio Carlos Magalhães à imprensa. Até a instabilidade internacional parece já ter sido antecipada nos movimentos dos investidores nos últimos dias.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.