Mercados: resumo da semana

Dominaram as atenções, nessa semana, a posse do novo ministro da Economia da Argentina, Ricardo López Murphy, especialmente devido aos problemas que ele terá pela frente, e a crise política motivada pelas denúncias do Senador Antonio Carlos Magalhães na semana passada.A princípio, os mercados receberam bem o nome de Murphy, prometendo continuidade política, manutenção do sistema de câmbio fixo com paridade com o dólar, e aprofundamento das medidas de austeridade. Como as metas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) não estão sendo cumpridas, o novo ministro antecipa um pacote com cortes profundos e algum alívio de impostos. O problema é que a economia está há 30 meses em recessão, com altas taxas de desemprego e a sociedade é pouco tolerante a mais aperto. Governadores de província e membros do Congresso, inclusive da base de sustentação do governo, criticam até medidas de austeridade já em vigor. O próprio Murphy declarou que imaginava muitas dificuldades, mas ficou surpreso com os desafios da tarefa que tem pela frente.A guerra política entre os Senadores Jader Barbalho e Antônio Carlos Magalhães continuaram a preocupar os mercados. As denúncias envolvem diretamente o Executivo federal e dificultam a reorganização da base governista no Congresso. Não existe nada comprovado e sobram acusações pessoais, mas a possibilidade de investigações mais aprofundadas e continuação das animosidades entre as principais lideranças nacionais deixou os investidores bastante cautelosos.A economia norte-americana também não deu sinais muito animadores. O crescimento econômico está próximo de zero, o que também não estimula os investidores. Os mercados vêm acompanhando com atenção os dados divulgados periodicamente, mas as expectativas seguem indicando continuidade na tendência de queda das taxas de juros básicas e recuperação no segundo semestre.MercadosO dólar subiu até quinta-feira, acumulando alta de 1,19%. A ação de venda antecipada de divisas por exportadores especialmente na sexta-feira aponta para a tendência de que a moeda norte-americana tenha atingido seu teto, voltando a cair. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou tendência de baixa, acumulando queda de 2,76% desde 2 de março. Os juros, por sua vez apresentam estabilidade, oscilando sem indicar tendência.A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - teve pequena recuperação na terça-feira e quarta-feira, mas prossegue com a tendência de queda. Desde 10 de março do ano passado, já caiu 59,34% e desde 1º de setembro a queda foi de 51,52%. Mais recentemente, desde 30 de janeiro, a marca já está em baixa de 27,68%. O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - vinha subindo desde 1º de março, acumulando valorização de 3,9%, mas a queda da sexta-feira reduziu os ganhos.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-0,20%-1,29%+0,43%-1,04%-0,63%Dólar (cotação)R$ 2,0250R$ 2,0340R$ 2,0410R$ 2,0530R$ 2,0470Juros (DI a termo ao ano)16,120%16,210%16,220%16,370%16,290%Nasdaq (variação)+0,75%+2,87%+0,88%-2,48%-5,35%Dow Jones (variação)+0,55%+0,27%+1,31%+1,20%-1,97%Dia-a-dia:Segunda-Feira (05/03)A nomeação de Ricardo López Murphy para o Ministério da Economia da Argentina, reafirmando todos os compromissos do governo, tranqüilizou os mercados. No Brasil, surgiram novos desdobramentos da crise política inaugurada pelo Senador Antônio Carlos Magalhães. O Senador fez acusações contra o ex-diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira, de recebimento de suborno para favorecimentos no leilão de privatização da Telemar.Terça-Feira (06/03)Apesar do otimismo dos mercados pela manhã e das altas nas bolsas norte-americanas, o mercado virou, com queda na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e alta nos juros e no dólar. Além disso, expansão da produtividade nos EUA, de 2,2%, no quarto trimestre do ano passado ficou acima do esperado pelos analistas. Ontem já havia sido divulgado o índice de atividade não-industrial, que ficou acima do esperado, gerando reação positiva nos mercados norte-americanosQuarta-Feira (07/03)Os mercados operaram sem apresentar grandes variações nas cotações. Os investidores estiveram cautelosos, dada a preocupação de que a guerra entre os Senadores Antônio Carlos Magalhães e Jáder Barbalho voltasse à carga total depois do enterro do ex-governador Mário Covas, envolvendo ainda mais o governo federal nas denúncias. Ainda assim, os mercados norte-americanos voltaram a apresentar altas, reforçados pela divulgação do "livro bege", o sumário sobre as condições da economia dos EUA do FED - banco central norte-americano. Segundo o documento, a economia norte-americana cresceu em fevereiro.Quinta-feira (08/03)As dificuldades do novo Ministro da Economia em negociar medidas de austeridade intranqüilizou os mercados. Os mercados já estavam apreensivos com a crise política entre o governo e membros da base de sustentação no Congresso Nacional, que voltou a esquentar. Mas, além disso, na Argentina, governadores de províncias da Argentina criticavam as medidas de austeridade do novo ministro da Economia, Ricardo López Murphy. Oposicionistas e até membros da base governista também estariam contra as mudanças aprovadas no ano passado no regime de previdência. Com isso, o pessimismo tomou conta dos mercados brasileiros.Sexta-feira (09/03)As apreensões em relação à crise política continuam, embora nada tenha sido comprovado. Além disso, as dificuldades financeiras da Argentina neste período de troca de equipe econômica continuaram a preocupar. E as resistências políticas a mais um programa de austeridade são grandes. Nos Estados Unidos, a Intel divulgou queda de 25% nas estimativas de lucros, derrubando as bolsas. Os sinais de desaceleração da economia também prosseguiram, desestimulando as aplicações.

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