Mercados: resumo da semana

A semana foi muito agitada para os mercados financeiros no mundo todo, e no Brasil mais ainda, por conta das dificuldades argentinas e da crise política na base aliada. As más notícias vieram dos Estados Unidos, do Japão e da própria Argentina. Até o acidente com a plataforma P-36 da Petrobrás afetou as cotações.Os Estados Unidos abriram o pessimismo na segunda-feira com quedas históricas nas bolsas. A desaceleração da economia do país afetou fortemente os resultados das empresas, o que, por sua vez, derrubou os preços das ações. A tendência de queda prosseguiu no decorrer da semana.Paralelamente, na quarta-feira, a empresa de avaliação de risco Fitch pôs 19 bancos japoneses em observação negativa, evidenciando a crise do setor bancário do Japão. Somando-se isso às declarações do governo de resultados econômicos decepcionantes e a crise política no país, aumentaram muito as preocupações dos investidores. O Japão é um dos principais exportadores de capital do mundo, e um agravamento das dificuldades do país pode afetar outros países.Argentina dominou as atençõesMas para os investidores brasileiros, o principal foco de tensão foi mesmo a Argentina. Na segunda-feira, assumiu o novo ministro da Economia, Ricardo López Murphy, anunciando cortes orçamentários para cumprir as metas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O país não está conseguindo cumprir o prometido e os investidores temem uma crise que acabe em calote nos compromissos internacionais.O pacote de ajuste do ministro, anunciado na sexta-feira depois do fechamento dos mercados, inclui cortes de quase US$ 2 bilhões, mas a resistência, até mesmo dentro da base de sustentação do governo, promete ser vigorosa. Falou-se até, na quinta-feira, em renúncia do ministro. O pacote será baixado por decreto presidencial, mas a recessão, que já dura mais de 30 meses, com desemprego acima dos 14% propiciam a oposição a mais esse ajuste.Plataforma da Petrobras também afetou os mercadosO acidente com a plataforma P-36 da Petrobrás na quinta-feira também teve efeitos. Imediatamente, as ações da empresa caíram, derrubando a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - as ações da Petrobrás correspondem a 11% do Índice da Bolsa (Ibovespa). Mas no dia seguinte, os papéis recuperaram-se, com notícias de que a Petrobrás já estudava opções e que a alta do dólar compensaria as perdas com o acidente. A P-36 responde por 7% da produção nacional de petróleo. Esse montante deverá ser importado a partir de agora, até que a produção seja retomada ou substituída, o que deve afetar negativamente a balança comercial e os preços dos combustíveis.Crise política continua, mas está ofuscadaAs inúmeras crises acabaram ofuscando a troca de denúncias entre líderes da base aliada, afetando o governo. Mas, como não se chegou a uma solução final e o processo para a instauração de mecanismos investigativos é lento, as preocupações podem ressurgir a qualquer momento. O mercado, embora não veja essa situação como a mais grave no momento, continua inquieto.Governo leiloou a área I da banda ENa terça-feira, a Telecom Italia arrematou a área I (do Rio de Janeiro ao Amazonas) da banda E de telefonia celular do Sistema Móvel Pessoal (SMP), a única a ser vendida. O ágio foi pequeno, de apenas 5,32%, para uma oferta de R$ 990 milhões. Porém, como a empresa já possuía licenças para outra banda em alguns Estados da área de concessão, receberá um desconto equivalente, pagando ao governo R$ 520 milhões. Assim, o negócio teve pouco impacto nos mercados.MercadosO destaque da semana foi sem dúvida o dólar. Desde o início do ano, a moeda norte-americana vem apresentando uma forte tendência de alta, que vem se acentuando. Desde 2 de janeiro, a alta é de 9,68%. E desde 5 de março, a valorização é de 5,34%. Os juros também vêm apresentando tendência crescente de alta nas duas últimas semanas. Acompanhando o pessimismo, a Bolsa vem caindo. Desde o dia 2 de março, a queda é de 8,11%, e desde o dia 26 de janeiro, que registrou a cotação de fechamento mais alta do Índice da Bolsa (Ibovespa), a baixa acumulada já chega a 14,82%.Nos Estados Unidos, as bolsas também sofreram fortes quedas. As da Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - são assustadoras. De 30 de janeiro para cá, a perda já é de 33,38%. E, tomando como referência o pico de 10 de março de 2000, a desvalorização acumulada chega a 62,55%. A queda do Dow Jones é menor, mas a tendência é mais recente. Desde 8 de março, a baixa é de 8,73%.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-3,70%+0,37%-2,18%-1,21%+1,18%Dólar (cotação)R$ 2,0600R$ 2,0630R$ 2,0780R$ 2,0980R$ 2,1310Juros (DI a termo ao ano)16,560%16,690%16,880%17,500%17,800%Nasdaq (variação)-6,30%+4,75%-2,12%-1,59%-2,57%Dow Jones (variação)-4,10%+0,81%-3,08%+0,58%-2,07%Dia-a-dia:Segunda-Feira (12/03)As quedas de 6,3% da Nasdaq e de 4,1% da Dow Jones derrubaram os mercados brasileiros. A Nasdaq despencou com a divulgação de resultados decepcionantes de grandes empresas, carregando os demais mercados. Nem a maior calma na crise política da base aliada foi capaz de conter o pessimismo.Terça-Feira (13/03)Os mercados apresentaram recuperação, mas a cautela com o cenário externo prosseguiu. Muitas ações ficaram muito baratas e motivaram compras hoje, o que justificou as altas. Quarta-Feira (14/03)A intranqüilidade com o cenário internacional voltou a predominar. Os destaques foram as dificuldades no Japão e na Argentina, com a desaceleração econômica nos EUA e a crise política no Brasil como pano de fundo.Quinta-feira (15/03)O noticiário já vinha acumulando más notícias, mas boatos sobre a renúncia do ministro da Economia da Argentina e o acidente com a plataforma da Petrobrás pioraram ainda mais a situação. Sexta-feira (16/03)A instabilidade internacional, especialmente a ansiedade causada pelo pacote argentino, que deverá ser anunciado às 21:15 (horário de Brasília), deixou os mercados muito nervosos e pessimistas.

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