Mercados: resumo da semana

A semana que passou ficará na memória dos investidores como uma das mais conturbadas e negativas. A situação nos mercados no mundo inteiro deteriorou-se muito em relação aos já pessimistas patamares da semana anterior. O foco das atenções ficou na sucessão de quedas das bolsas norte-americanas, que arrastaram as principais bolsas no mundo e, para os investidores brasileiros, a continuidade das dificuldades na Argentina. A evolução dos juros básicos no Brasil e no EUA ocuparam as primeiras páginas dos jornais.A desaceleração da economia norte-americana, que ainda não dá sinais de arrefecimento, continua prejudicando os resultados das empresas e, conseqüentemente, derrubando as bolsas de valores. O pior é que agora as quedas não se restringem mais à Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York -, revelando que os problemas são gerais.Para tentar reanimar a economia, o Fed - Banco Central norte-americano - vem baixando os juros desde o início do ano. Na terça-feira, foi divulgado o resultado da reunião bimestral do órgão, que reduziu a taxa básica de juros para 5% ao ano, um corte de 0,5 ponto porcentual. Desde 3 de janeiro, os juros estão 1 ponto porcentual mais baixos. Mas o mercado recebeu mal a notícia, considerando o ritmo de queda lento. As bolsas despencaram seguidamente, e, na quinta-feira, os mercados no mundo inteiro não resistiram.No Brasil, a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) acabou na quarta-feira, quando foi divulgada uma elevação da Selic - a taxa básica referencial da economia. A taxa passou de 15,25% para 15,75% ao ano. O governo justificou a medida por meio da instabilidade dos mercados, em especial a alta do dólar, ameaça o cumprimento das metas de inflação.A reação interna não poderia ser pior. O dólar, ao invés de cair, com taxas de juros mais altas atraindo investimentos estrangeiros, disparou. Os juros de mercado também descolaram da taxa básica e foram às alturas. E a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), estimulada pelas quedas em Nova York, despencou.A Argentina convulsionou o mercadoPara o investidor brasileiro, o que mais preocupa é o risco de contaminação por uma crise definitiva na Argentina, com moratória das obrigações externas ou desvalorização cambial. Depois da renúncia do ministro da Economia, Ricardo López Murphy, que só ficou duas semanas no cargo, assumiu o veterano Domingo Cavallo, autor do plano de estabilização e da paridade do peso com o dólar no regime de câmbio fixo.Cavallo enviou ao Congresso argentino a Lei da Competitividade, um conjunto de medidas para reaquecer a economia do país, mergulhada na recessão há mais de 30 meses e com taxas de desemprego acima de 14,5%. A lei prevê, entre outros, a elevação provisória das tarifas de importação para bens de consumo e sua eliminação, temporariamente, para bens de capital; alterações tributárias; guerra à sonegação e evasão fiscal; e poderes extraordinários para governar.As medidas de caráter econômico foram aprovadas na madrugada da sexta-feira, mas a sociedade de modo geral está reticente em garantir os poderes que Cavallo pede. De qualquer modo, o governo mostrou-se ágil, o ministro está empenhado no sucesso do pacote, já tendo obtido apoio do governo brasileiro para as medidas de âmbito do Mercosul (alterações nas tarifas de importação), e pelo menos agora existe um plano. O nome de Cavallo traz credibilidade e, embora tímida, a tensão que se verificou durante toda a semana parecia propensa a ceder na sexta-feira, quando o Índice da Bolsa de Buenos Aires fechou em alta de 6,22%. Mas os juros interbancários superaram os 95% e um ambiente definitivo de maior tranqüilidade ainda demora.MercadosAs tendências da semana são todas pessimistas. Dólar e juros tiveram altas impressionantes a cada dia que passou. A moeda norte-americana encerrou a semana com a cotação de fechamento mais alta desde a criação do real e os contratos de juros descolaram da referência da Selic, criando distorções incríveis. As bolsas, no Brasil e nos EUA despencaram. Houve uma pequena recuperação na sexta-feira, mas ainda muito tímida frente às quedas anteriores.O dólar ultrapassou as cotações que motivaram as intervenções e leilões de títulos cambiais na semana passada, acumulando alta na semana de 4,17%. A Bovespa apresentou quedas sistemáticas em março, totalizando desvalorização de 12,94% desde o dia 2. Tomando-se por base o pico de 2001 atingido em 26 de janeiro, a baixa é de 19,31%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - também perdeu, desde 8 de março, 11,69%. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York -, caiu 14,64% desde 7 de março e, entre 30 de janeiro e 23 de março, a queda foi de 33,14%.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-2,64%+0,46%-0,34%-5,27%+2,62%Dólar (cotação)R$ 2,1130R$ 2,0850R$ 2,1220R$ 2,1620R$ 2,1720Juros (DI a termo ao ano)18,120%17,600%18,050%21,000%21,050%Nasdaq (variação)+3,23%-4,80%-1,49%+3,69%+1,63%Dow Jones (variação)+1,38%-2,39%-2,41%-1,03%+1,23%Dia-a-dia:Segunda-Feira (19/03)Os mercados reagiram com muito pessimismo aos acontecimentos na Argentina e o dólar disparou, chegando à máxima de R$ 2,1770. O BC interveio, leiloando títulos cambiais. Terça-Feira (20/03)Num dia bastante agitado, Domigo Cavallo assumiu o Ministério da Economia da Argentina, o Banco Central leiloou títulos cambiais e o Fed reduziu os juros abaixo do esperado .Quarta-Feira (21/03)As fortes quedas nas bolsas norte-americanas afetaram o mercado brasileiro. A tensão continua alta e o mercado aguarda o resultado da reunião do Copom, que saiu depois dos fechamentos dos mercados. Quinta-feira (22/03)A alta da Selic e a crise de pessimismo mundial, que atingiu um ponto alto hoje, fizeram estragos nos mercados brasileiros. As variações foram muito grandes, especialmente no mercado de juros.Sexta-feira (23/03)O nervosismo persistia e o dia foi de fortes oscilações. O dólar e os juros dispararam, mas a Bolsa subiu com as recuperações dos mercados nos EUA e a chance de uma luz no fim do túnel na situação da Argentina.

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