Mercados: resumo da semana

A semana voltou a ser muito agitada nos mercados financeiros, com muitos sustos e nervosismo. No início da semana, os mercados até ensaiavam uma recuperação do pessimismo das semanas anteriores, mas, a partir de quarta-feira, os humores voltaram a azedar. Dessa vez, a culpa não foi da Argentina. As cotações do dólar pressionam a inflação, o que leva o governo a elevar os juros. Desde a alta da Selic - a taxa básica referencial de juros da economia brasileira -, dia 21 de março, de 15,25% para 15,75% ao ano, os mercados redobraram a cautela. A divulgação da ata da reunião que decidiu pela alta, na quinta-feira, confirmou os temores do governo de que os altos patamares do dólar pressionem a inflação. No mesmo dia, foi divulgado o memorando de avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI), que reviu as previsões de entrada de investimentos diretos no Brasil e o total das transações em conta corrente para o ano. O resultado é que devem entrar menos recursos - cerca de US$ 2,4 bilhões a menos -, enquanto estima-se uma necessidade adicional de US$ 1 bilhão.A confirmação final das perspectivas mais negativas para a economia brasileira veio na sexta-feira, com o relatório de inflação do Banco Central, que projeta uma inflação de 4,8% para 2001 se os juros forem mantidos nos atuais níveis.Cenário externoAlém disso, a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - continua firme em sua trajetória de queda. A desaceleração da economia norte-americana continua afetando severamente os resultados de empresas dos setores mais dinâmicos. As perdas dos investidores estrangeiros afetam os mercados brasileiros, pois eles sacam seus recursos do País para cobrir seus prejuízos. Ainda assim, as quedas nos juros básicos dos EUA melhoraram as cotações de ações de empresas ligadas fortemente ao desempenho econômico do país, pois a perspectiva de médio e longo prazo, na visão de analistas, é de recuperação.Na Argentina, as coisas estiveram mais calmas, com a aprovação do pacote econômico do novo ministro Domingo Cavallo. Os riscos ainda são grandes, mas ao menos agora há um plano e cabe esperar para ver qual será o resultado das medidas, caso não ocorram imprevistos. Ou seja, apesar das enormes dificuldades, a credibilidade de Cavallo e a adoção do pacote ao menos trouxeram alguma estabilidade.MercadosOs mercados reagiram com muita tensão aos eventos da semana, fazendo com que as cotações oscilassem muito. Até que o relatório de inflação fosse divulgado, na sexta-feira, o mercado buscava o seu rumo, ou seja, ainda restavam dúvidas quanto aos novos patamares de preços. Os negócios com o dólar e juros mostram isso claramente. A moeda norte-americana não apresentou tendência clara de alta ou baixa, mas oscilou muito, ficando próxima dos R$ 2,14. O mesmo se deu com os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano -, variando em torno de 20% ao ano. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vem revelando forte tendência de queda desde o dia 2 de março. De lá até hoje, a Bolsa já caiu 12,92%. Em parte, esse movimento reflete as quedas da Nasdaq. Desde 30 de janeiro, a queda acumulada é de 35,16%. Tomando como parâmetro seu pico em 10 de março, a bolsa amarga perda de 63,55%.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)+1,92%+0,84%-1,83%-2,39%+1,09%Dólar (cotação)R$ 2,1350R$ 2,1240R$ 2,1250R$ 2,1520R$ 2,1530Juros (DI a termo ao ano)19,430%18,770%18,900%20,100%19,800%Nasdaq (variação)-0,53%+2,80%-5,99%-1,81%+1,08%Dow Jones (variação)+1,92%+2,68%-1,63%+0,14%+0,81%Dia-a-dia:Segunda-Feira (26/03)A aprovação do pacote econômico pelo Congresso argentino tranqüilizou os mercados, ainda bastante cautelosos. Terça-Feira (27/03)Os mercados continuavam se refazendo do pânico da semana anterior. As boas notícias no Brasil, Argentina e Estados Unidos trouxeram maior estabilidade, apesar da cautela. Quarta-Feira (28/03)A desaceleração da economia dos EUA vem prejudicando os resultados das empresas no país. Com anúncios de previsões de lucros, as bolsas despencaram, carregando os mercados brasileiros.Quinta-feira (29/03)A divulgação da ata do Copom, com revisão dos números relativos às transações com o exterior, reforçou a percepção de que juros e dólar devem permanecer em patamares elevados. Sexta-feira (30/03)A divulgação do relatório de inflação pelo Banco Central confirmou os temores do mercado de que a inflação está pressionada pelo câmbio, conturbando os negócios.

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