Mercados: resumo da semana

Os mercados continuam pessimistas e mantendo a atenção em três focos de instabilidade: nos EUA, o efeito da desaceleração econômica nas empresas; a reação da economia argentina; e a pressão inflacionária causada pela alta do dólar no Brasil. O noticiário nesses três temas vem comandando as oscilações dos mercados, com destaque, na semana que passou para os anúncios de resultados de empresas norte-americanas nessa virada de trimestre.O dia de resultados mais extremos foi a quinta-feira, quando as bolsas nos Estados Unidos dispararam com bons anúncios de empresas e puxaram os demais mercados. Porém, mesmo a forte alta da Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York -, de 8,92% mal aparece nos gráficos de evolução do índice dada a forte e persistente tendência de queda dos últimos meses. Comenta-se que as fortes altas também se deveram a boatos de queda nos juros no país.Na Argentina, o ministro da Economia Domingo Cavallo anunciou na segunda-feira que o déficit fiscal do trimestre superará a meta com o Fundo Monetário Internacional (FMI) de US$ 2,1 bilhões em US$ 1 bilhão. Ele sustenta o cumprimento da meta anual de US$ 6,5 bilhões, mas o mercado é cético. Cavallo esteve nos Estados Unidos e na Europa nessa semana e comenta-se que esteja negociando um empréstimo com bancos internacionais presentes na Argentina para cobrir as necessidades financeiras do governo. Os investidores apreciam os esforços do ministro, mas a opinião majoritária é que a situação do país é muito frágil e talvez a quebradeira seja inevitável.No Brasil, a entrada de dólares para a oferta pública do Santander para compra de ações do Banespa atenuou as pressões nas cotações da moeda, que, apesar disso, continuam próximas da máxima histórica. De qualquer modo, especialistas em inflação ouvidos pela Agência Estado consideram que os índices só devem começar a registrar os efeitos do dólar mais alto que o previsto em maio. Como a política monetária do governo baseia-se em metas de inflação (4% em 2001 e 3,5% em 2002), se o câmbio muito desvalorizado pressionar demais os índices, pode ser necessária uma alta dos juros.MercadosNo Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acumulou uma alta de 5,45% nos últimos quatro pregões, mas ainda assim amarga uma queda de 19,03% desde 26 de janeiro. Os juros e o dólar vêm oscilando em torno do mesmo patamar desde o final de março. No câmbio, o destaque foi a cotação de fechamento mais elevada desde a criação do real, R$ 2,1760 na terça-feira.E nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - vem oscilando sem tendência definida desde o dia 20 de março. A Nasdaq, no entanto, continua acumulando perdas. Desde 27 de março, a queda é de 12,77% e retrocedendo para 24 de janeiro, o acumulado foi de 39,83%.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-3,17%-1,75%+0,86%+4,24%+0,29%Dólar (cotação)R$ 2,1660R$ 2,1760R$ 2,1750R$ 2,1540R$ 2,1660Juros (DI a termo ao ano)19,450%19,760%19,550%19,080%19,300%Nasdaq (variação)-3,11%-6,17%-2,04%+8,92%-3,62%Dow Jones (variação)-1,02%-2,99%+0,31%+4,23%-1,28%Dia-a-dia:Segunda-Feira (02/04)Anúncios decepcionantes de empresas nos Estados Unidos derrubaram as bolsas, que afetaram os mercados brasileiros. Terça-Feira (03/04)As bolsas em Nova York voltaram a cair com força, arrastando mercados no mundo inteiro.Quarta-Feira (04/04)As cotações, que vinham apresentando uma recuperação pela manhã, viraram à tarde e mantiveram o pessimismo do dia anterior.Quinta-feira (05/04)Os mercados tiveram um dia de recuperação, puxados pelas fortes altas em Nova York. Mas a alta ainda ficou longe de reverter as fortes quedas dos últimos meses. Sexta-feira (06/04)O dia não trouxe muitas novidades e os mercados mantiveram-se relativamente estáveis. Apenas os números relativos ao desemprego nos EUA preocuparam.

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