Mercados: resumo da semana

A semana foi marcada por uma estabilidade maior dos mercados, apesar de todas as incertezas e da cautela dos investidores. De qualquer forma, a situação externa realmente deu uma trégua. Por um lado, os anúncios de empresas norte-americanas diminuíram, reduzindo a instabilidade dos mercados. Mesmo assim, os indicadores econômicos continuam demonstrando a desaceleração da economia.E se a situação argentina não tem solução próxima, pelo menos o governo conseguiu financiar suas necessidades de curto prazo com os leilões de títulos da semana e o início da cobrança da versão argentina da CPMF. A cautela em relação às enormes dificuldades que o país enfrenta continua, mas o mercado está mais tranqüilo, em grande parte devido à credibilidade e aos esforços do ministro da economia, Domingo Cavallo.Por outro lado, a maior preocupação internamente tem sido a inflação. A instabilidade internacional e a crise argentina fazem com que os investimentos externos saiam do Brasil, o que pressiona as cotações do dólar. As incertezas também estimulam os investidores brasileiros a buscarem a moeda norte-americana como proteção. Dada a prolongada desvalorização do real, sofrem pressão de alta os preços dos produtos importados e dos exportáveis - que têm seus preços definidos nos mercados internacionais. Os índices divulgados essa semana reforçam os temores de que as metas de inflação do governo para o ano não sejam cumpridos. Com isso, aumentam as chances de que a Selic, a taxa básica referencial de juros da economia, seja elevada na próxima reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta-feira.MercadosOs juros vêm oscilando, mas, ao final da semana, a tendência de alta ganhou força com os temores em relação à possível alta da Selic na próxima semana. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tem se valorizado, acumulando alta de 8,98%. Já o dólar está oscilando com as altas e baixas se alternando, mas num patamar elevado, entre R$ 2,13 e R$ 2,18.Nos Estados Unidos, a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York -, depois de meses de perdas acumuladas, começa a se recuperar. Desde 4 de abril, a alta é de 19,69%. O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - também vem se valorizando, acumulando 6,76% desde 3 de abril.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)+1,62%+2,24%-1,52%+1,02%-Dólar (cotação)R$ 2,1590R$ 2,1380R$ 2,1550R$ 2,1550-Juros (DI a termo ao ano)19,050%18,820%19,318%19,900%-Nasdaq (variação)+1,47%+6,09%+2,53%+3,29%-Dow Jones (variação)+0,55%+2,62%-0,88%+1,13%-Dia-a-dia:Segunda-Feira (09/04)Num dia de poucas notícias e negócios fracos, os mercados apresentaram uma pequena recuperação. Os mercados norte-americanos tiveram resultados semelhantes.Terça-Feira (10/04)Os mercados norte-americanos melhoraram suas expectativas em relação aos próximos anúncios de resultados de empresas e as bolsas em Nova York subiram.Quarta-Feira (11/04)As bolsas em Nova York operaram com maior estabilidade, e os índices de inflação brasileiros deixaram os investidores preocupados. Começa a se consolidar a expectativa de alta da Selic.Quinta-feira (12/04)A surpresa com a alta da Selic no mês passado torna os investidores cautelosos quanto à reunião de quarta. As apostas são num aumento da taxa.

Agencia Estado,

12 de abril de 2001 | 22h15

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