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Mercados: resumo da semana

Os dois assuntos que monopolizaram as atenções dos mercados nessa semana foram os desdobramentos das dificuldades econômicas argentinas e, em escala menor, a crise política em Brasília. Os investidores seguiram o noticiário, reagindo a cada novidade ou boato. O clima já não é tão nervoso, mas a cautela predomina.Quanto à Argentina, os investidores mantiveram-se na expectativa do anúncio do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e da reestruturação da dívida de curto prazo do governo com bancos privados. A carta de intenções do acordo com o FMI foi divulgada na sexta-feira, sem alteração nas metas, mas foi concedido o perdão pelo rombo nas contas públicas, que foi muito superior do que o previsto. Além disso, serão antecipados recursos de cerca de US$ 1,2 bilhão do pacote de ajuda financeira negociado no final do ano passado. O acordo agradou o mercado, assim como a disposição demonstrada pelo ministro da Economia, Domingo Cavallo, em cortar gastos e aumentar impostos. A suspeita que permanece é se a economia será capaz de reagir, revertendo uma recessão que já dura 34 meses, o que inclusive pode prejudicar o cumprimento das metas.O principal problema econômico do país é o câmbio sobrevalorizado, que reduz a competitividade dos produtos argentinos e dificultando a retomada. Mas governo e empresas estão fortemente endividados em dólar, e uma desvalorização teria efeitos desastrosos. Como o nó cambial não foi atacado, muitos mantêm-se céticos quanto ao sucesso dos esforços atuais.Mas a renegociação da dívida com os bancos privados está em curso e, apesar da ansiedade dos investidores, o governo havia antecipado a divulgação dos detalhes em duas ou três semanas. Os boatos garantem que esse prazo não será respeitado e o acordo será selado muito brevemente. Desde quinta-feira, o mercado está de prontidão para receber a notícia.Crise política já não preocupa tantoO ápice da crise política foi a acareação dos Senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), José Roberto Arruda (sem partido-DF) e de Regina Borges, diretora do Prodasen - serviço de processamento de dados do Senado. Os depoimentos na Comissão de Ética do Senado sobre o escândalo de violação do painel de votação na sessão secreta de cassação do ex-Senador Luis Estêvão não trouxeram novidades. Para o mercado, o importante é que não surjam novos envolvidos, em especial que o Presidente da República não seja atingido. Afora essa possibilidade, que parece cada vez mais remota, não há muito que possa afetar os negócios.O que preocupa, sim, os investidores é a possibilidade de instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso para apurar denúncias de corrupção no Executivo federal. Os riscos desse tipo de investigação são maiores e podem desestabilizar o governo. Mas, por enquanto, esse fato não está tendo efeito relevante. A oposição afirma já ter as assinaturas necessárias para pedir a CPI, mas espera o melhor momento para fazê-lo, com um prazo para organizar manifestações de apoio. A primeira data cogitada foi o dia 9 de maio.MercadosOs mercados brasileiros estão um pouco mais tranqüilos do que na semana passada, apresentando ligeira recuperação. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acumula alta de 10,19% desde 20 de abril. O dólar comercial para venda, desde 25 de abril, já caiu 3,36%. Os juros acompanharam a tendência de queda da moeda norte-americana.Nos Estados Unidos, as bolsas vêm se recuperando, seguindo as quedas dos juros básicos do país e a perspectiva de retomada econômica no segundo semestre. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York -, desde 24 de abril, acumula alta de 8,67% e o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York -, 4,75%. Num período maior, tomando-se como referência o dia 4 de abril, a valorização da Nasdaq é de 33,73% e a do Dow Jones, de 15,09%.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-0,07%--0,13%+1,64%-0,32%Dólar (cotação)R$ 2,2010-R$ 2,2380R$ 2,2130R$ 2,2120Juros (DI a termo ao ano)21,400%-22,280%21,000%20,790%Nasdaq (variação)+1,96%+2,46%+2,41%-3,35%+2,12%Dow Jones (variação)-0,69%+1,52%-0,20%-0,74%+1,43%Dia-a-dia:Segunda-Feira (30/04)Os investidores, embora tenham aprovado o pacote argentino e o apoio do FMI, continuavam cautelosos e as cotações ficaram relativamente estáveis. Terça-Feira (01/05)Na terça-feira, por conta das comemorações do Dia do Trabalho, os mercados no Brasil e em vários países não funcionaram. Uma das exceções foram os EUA, onde os negócios prosseguiram normalmente.Quarta-Feira (02/05)Ressurgiram as preocupações de que o governo argentino não esteja criando as condições para a recuperação da economia no longo prazo. Essa percepção atrapalha a reestruturação da dívida de curto prazo. Quinta-feira (03/05)Rumores sobre um anúncio dos termos da renegociação da dívida argentina fizeram os mercados oscilar. Mas a relativa tranqüilidade voltou, ajudada pela sessão do Senado, que não trouxe novidades. Sexta-feira (04/05)A expectativa pelo anúncio da renegociação da dívida argentina e a divulgação do acordo do país com o FMI agitaram os mercados. A economia dos EUA também voltou a preocupar.

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