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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Mercados: resumo da semana

Os mercados tiveram uma semana bastante tensa, com a crise política em Brasília, o prolongamento da indefinição sobre as medidas de combate das dificuldades econômicas argentinas e a novidade no cenário: a crise energética. Esses fatores agravaram a cautela dos investidores, fazendo com que as cotações expressassem um pessimismo maior.A mais nova preocupação dos investidores é com a crise energética que provocará um racionamento a partir de junho no Centro-Sul do Brasil. Ainda não se sabe qual será o impacto da medida na economia, mas não faltam especulações. De fato, deve haver uma redução na produção das empresas, o que pode provocar remarcações e um desempenho econômico pior do que o esperado até agora. O maior temor é que, em função de falhas na infra-estrutura, haja uma diminuição no investimento direto estrangeiro, que vem cobrindo o rombo nas transações do País com o exterior. Os efeitos sobre o câmbio podem ser desastrosos e de difícil solução no curto prazo.A Argentina continua como um importante foco de nervosismo. Os anúncios realizados até agora indicam uma série de metas de difícil cumprimento e muitos pontos nebulosos sobre como atingi-las. Os investidores aguardam o anúncio de todas as medidas do pacote de recuperação econômica, especialmente no que se refere às garantias e à renegociação da dívida de curto prazo com bancos internacionais. Enquanto isso, o tempo está correndo. Já se sabe que o governo terá de captar recursos no mercado para cobrir seu déficit no terceiro trimestre. Mas para fazê-lo, precisará reconquistar a confiança dos investidores. Na terça-feira, a agência de classificação de risco Standard and Poor´s reduziu o rating (nota que reflete a confiança) da Argentina e de bancos do país, refletindo a preocupação reinante.Crise política está próxima do fimAo menos a crise política parece estar próxima de uma solução definitiva. Na quarta-feira, a oposição entregou pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção no Executivo federal. Mas o governo foi rápido e eficiente em suas manobras no Congresso, e na quinta-feira conseguiu que vários congressistas retirassem suas assinaturas do requerimento de instauração da CPI, encerrando a questão. Correm boatos em Brasília de que teria havido um grande acordo, incluindo o governo e os Senadores Jader Barbalho e Antônio Carlos Magalhães. Com o fim da CPI, Jader teria sido beneficiado por não ser investigado pelo Congresso pelas denúncias de envolvimento no desvio de verbas do Banpará e da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). O governo também não sofreria investigações, evitando os riscos inerentes ao processo, além da provável paralisação do Congresso até o final do ano. Dado que em 2002 ocorrem eleições em nível federal e estadual, pouco seria votado nesses últimos dois anos do mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. Como parte do acordo, ACM não seria cassado pelo escândalo de violação do painel de votação do Senado, o que só se confirmará nas próximas semanas.MercadosCom o aumento do pessimismo, o dólar e os juros subiram, e a Bolsa caiu. O dólar comercial para venda subiu 3,21% entre 7 e 11 de maio. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acumulou queda de 4,28% desde 3 de maio.Nos Estados Unidos, os investidores esperam a reunião bimestral do Fed - Banco Central norte-americano - na próxima terça-feira. As apreensões sobre a mudança na taxa de juro básica provocaram ligeira queda nas bolsas. O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - sofreu queda de 1,19% entre 4 e 11 de maio. No mesmo período, a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - caiu 3,84.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-1,44%-0,86%+0,21%+1,45%-3,33%Dólar (cotação)R$ 2,2150R$ 2,2450R$ 2,2610R$ 2,2580R$ 2,2860Juros (DI a termo ao ano)21,250%21,580%21,890%21,710%22,400%Nasdaq (variação)-0,82%+1,15%-1,92%-1,29%-1,01%Dow Jones (variação)-0,15%-0,47%-0,16%+0,40%-0,82%Dia-a-dia:Segunda-Feira (07/05)A crise política, com a perspectiva de instalação da CPI da corrupção, piorou os humores dos investidores, que já estavam preocupados com a Argentina. Terça-Feira (08/05)O agravamento da situação argentina e da crise política piorou os humores dos mercados. Esperava-se que o pessimismo pudesse se estender e afetar os negócios na quarta-feira. Quarta-Feira (09/05)O tema do dia foi o racionamento de energia, mas contribuíram a entrega do pedido de CPI da corrupção e as incertezas com a Argentina. Quinta-feira (10/05)Os mercados ainda estavam muito cautelosos com os vários focos de instabilidade presentes, mas a perspectiva de arquivamento da CPI da corrupção trouxe um certo alívio. Sexta-feira (11/05)As tensões com a crise energética e com a prolongada situação econômica da Argentina fizeram as cotações oscilar muito. Os mercados operaram com grande pessismo.

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