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Mercados: resumo da semana

Os assuntos da semana foram o desenvolvimento das crises de abastecimento de energia elétrica e da Argentina. O auge do nervosismo foi atingido na terça-feira, devido às crescentes preocupações com a falta de informações nesses dois focos de tensão. Mas, a partir de quarta-feira, os governos começaram a divulgar medidas para controlá-los e os mercados foram acalmando. Mesmo assim, a cautela continua imperando.Na quarta-feira, os brasileiros foram informados de que o anúncio do plano de racionamento de energia sairiam na sexta-feira, e que não haveria apagões induzidos nessa primeira fase. A confirmação dessas medidas foi aprovada pelos investidores, mas a punição por corte de energia para os consumidores residenciais que não cumprirem com a economia de 20% foi considerada excessivamente rígida. Nos últimos três dias da semana, a economia espontânea de energia já chegava a 10% no Estado de São Paulo segundo dados da Eletropaulo. Teme-se que a popularidade do governo fique muito abalada, favorecendo a oposição nas eleições de 2002, o que pode ser uma ameaça à política econômica atual. Também teme-se uma avalanche de processos judiciais questionando as medidas.As conseqüências para a economia ainda não estão claras, mas o mercado parece acreditar nas chances de que o plano do governo atinja seus objetivos, apesar do risco político. É possível ainda que os efeitos sejam menores do que os imaginados inicialmente, mas para ter certeza é preciso esperar que as medidas entrem em prática.Outro resultado indesejável para a economia seria a redução do investimento direto estrangeiro, que mantém o equilíbrio das transações do Brasil com o exterior. Havendo uma queda brusca, os efeitos no fluxo de divisas para o País podem ser desastrosos, refletindo-se imediatamente nas cotações do dólar. O leilão de privatização da Cesp Paraná, que estava marcado para quarta-feira, foi cancelado na véspera por causa da forte queda das ações do setor elétrico. Com isso, também ficou frustrada a entrada de cerca de US$ 800 milhões, já que as principais empresas concorrentes eram estrangeiras.Argentina também pressiona o câmbioNa quarta-feira, começaram a ser anunciadas medidas referentes ao acordo de renegociação da dívida de curto prazo da Argentina, que dependem apenas de trâmites burocráticos para sua conclusão. O governo fala em trocar títulos até o limite de US$ 29 bilhões. A notícia reduziu as tensões no mercado, já que a operação alivia as contas do governo nos próximos anos, reduzindo as chances de insolvência no curto prazo.Porém, restam dúvidas quanto à capacidade do governo promover uma retomada do crescimento econômico, tarefa complexa num regime de câmbio fixo. A sobrevalorização atual do peso reduz a competitividade dos produtos argentinos, prolongando depressão que já dura mais de 30 meses. As metas renegociadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) são consideradas pouco realistas, e os analistas começam a cobrar novos cortes orçamentários, redução de impostos e flexibilização das relações trabalhistas.Fed reduziu juro básico para 4% ao anoNa terça-feira, o Fed - Banco Central norte-americano -, em sua reunião bimestral de política monetária, reduziu o juro básico de 4,5% para 4% ao ano, mantendo a tendência de queda no futuro. O corte já era previsto, mas a perspectiva de novas reduções foi bem recebida pelos investidores norte-americanos. Com isso, o governo pretende estimular a retomada do crescimento econômico em níveis mais elevados. No Brasil, o impacto foi pequeno, mas, no longo prazo, tende a promover uma migração de capitais para os mercados nacionais.MercadosAs cotações nos mercados brasileiros apresentaram leve recuperação desde que começaram a ser conhecidas as medidas de racionamento de energia e de troca dos títulos do governo argentino. O dólar atingiu um pico na terça-feira, quando o comercial para venda fechou em R$ 2,3410. Na sexta-feira, a cotação de fechamento foi de R$ 2,3040, uma queda de 1,58%. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também teve recuperação, com valorização de 5,32% desde segunda-feira.Nos Estados Unidos, a tendência de recuperação das bolsas com as seguidas quedas nos juros continuam, especialmente depois da queda no juro básico de terça-feira. O Dow Jones - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - já apresenta alta de 19,14% desde 3 de abril, e desde a reunião do Fed em 15 de maio, já subiu 3,94%. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - também recupera-se, mas com mais oscilações. Desde 4 de abril, a alta é de 34,18%, e desde segunda-feira, de 5,62%.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-1,77%+0,67%+3,43%+0,54%+0,62%Dólar (cotação)R$ 2,3150R$ 2,3410R$ 2,3190R$ 2,3050R$ 2,3040Juros (DI a termo ao ano)23,100%22,750%22,330%22,650%22,220%Nasdaq (variação)-1,21%+0,18%+3,88%+1,26%+0,24%Dow Jones (variação)+0,52%-0,04%+3,15%+0,29%+0,47%Dia-a-dia:Segunda-Feira (14/05)A falta de definição sobre a renegociação da dívida de curto prazo argentina e sobre o racionamento de energia no Brasil preocupavam os mercados.Terça-Feira (15/05)O cancelamento do leilão de privatização da Cesp Paraná frustrou a expectativa de entrada de dólares. O pessimismo, já grande com a crise argentina e energética, aumentou.Quarta-Feira (16/05)O anúncio de que a operação de troca da dívida de curto prazo argentina sairia nos dias seguintes melhorou os humores dos mercados, mas as cotações continuavam muito pessimistas.Quinta-feira (17/05)O anúncio da troca de dívida de curto prazo da argentina e a divulgação das medidas de economia de energia amanhã permitiram pequena recuperação nas cotações. Sexta-feira (18/05)O plano de racionamento foi o centro das atenções. A avaliação do mercado misturou aprovação e suspeita, e a reação foi bastante cautelosa.

Agencia Estado,

18 de maio de 2001 | 21h26

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