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Mercados: resumo da semana

A semana foi marcada pelo agravamento das crises internas, especialmente da crise energética e da crise política. Para piorar, a crise energética agrava a cada dia a imagem do Executivo, e já começaram a surgir as primeiras ações judiciais contra o plano de racionamento, às quais o ministro Pedro Parente reagiu com irritação. As chances de apagões - induzidos ou não - é cada vez maior, dada a fraca base jurídica e das medidas, o que deve surtir um efeito maior na produção e, portanto, na economia.Copom elevou a Selic para 16,25%Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou elevação da Selic, a taxa básica referencial da economia, de 16,25% para 16,75% ao ano. As várias crises foram a razão da alta, e o mercado espera mais altas na próxima reunião mensal do Comitê. A inflação já mostra forte tendência de alta. O petróleo voltou a subir nos mercados internacionais e, com as altas do dólar, já se projeta uma elevação nos preços dos combustíveis nos próximos meses. Também estão subindo as tarifas, em São Paulo serão reajustados água e ônibus. Isso sem mencionar as conseqüências econômicas da falta de energia. No mínimo, o câmbio sofrerá com a queda nos investimentos diretos estrangeiros e com a provável queda nas exportações, já que a produção certamente cairá. Além disso, pode haver ainda mais pressão inflacionária, devido ao menor volume de mercadorias nas prateleiras. Crise política agrava-seJosé Roberto Arruda renunciou ao seu mandato no Senado na quinta-feira e espera-se que o Senador Antônio Carlos Magalhães faça o mesmo na próxima quarta-feira. Irritado, prometeu um discurso bombástico contra o seu principal desafeto, o Senador Jader Barbalho, e contra o Presidente da República.Teme-se que o Senador baiano traga fatos novos ou provas contra todos em resposta à sua derrota e agrave ainda mais a crise política, abalando a união da base aliada e dando subsídios para investigações. Além disso, os mercados temem que a impopularidade do governo promova um candidato de oposição à Presidência da República ano que vem, interrompendo a atual política econômica.No final de semana passado, ressurgiu a denúncia, publicada na última edição de Veja, de que no meio da crise cambial do início de 1999, o então presidente do Banco Central (BC), Francisco Lopes, teria vendido informações privilegiadas com o conhecimento do ministro da Economia, Pedro Malan. A novidade é que, em posse de fitas confirmando a denúncia, o ex-proprietário do Banco Marka, Salvatore Cacciola, teria chantagiado Lopes. Na terça-feira à noite, Malan enviou uma carta à redação da revista negando enfaticamente o fato, repetindo as declarações de vários membros do governo. Inicialmente, os mercados reagiam mal às denúncias, mas como não houve apresentação de provas, a atenção ao tema foi diminuindo ao longo do dia.Sai anúncio do swap argentinoA Argentina anunciou na quinta-feira os tão esperados detalhes da troca de títulos da dívida de curto prazo. Serão emitidos papéis com vencimento entre 7 e 30 anos, aliviando as contas públicas nos próximos anos. Espera-se que sejam renegociados US$ 15 bilhões até o dia 4 de junho.Certamente a operação aliviará as contas públicas nos próximos anos, mas teme-se que o custo financeiro seja sufocante quando o governo retomar os pagamentos. De qualquer modo, essa é apenas uma medida paliativa; mesmo que tenha sucesso, cabe à equipe econômica o desafio de tirar o país da depressão. O mercado espera ainda soluções para a grave crise que a Argentina atravessa.PT Telecom lançará BDRsA única boa notícia internamente foi que a Portugal Telecom anunciou que trocará as ações da Telesp Celular, sua controlada, por BDRs - recibos através dos quais as ações da empresa portuguesa serão negociados na Bovespa. Mas o pessimismo geral ofuscou a notícia.MercadosO clima de forte ansiedade resultou em fortes altas no dólar e nos juros, com quedas na Bolsa. O dólar comercial para venda vem oscilando muito desde 15 de maio, em torno de R$ 2,33. No final da semana, com as intervenções do Banco Central, a tendência de alta foi anulada. A Bovespa tem registrado quedas sucessivas, acumulando perda de 5,40% na segunda-feira.Nos Estados Unidos, o corte nos juros básicos promovido na semana passada animou os investidores. Mas a partir de segunda-feira, a tendência de alta reverteu-se. Na semana, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - registrou baixa de 2,93%. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - vem oscilando na última semana sem registrar claramente nenhuma tendência.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)+1,63%-1,98%-0,92%-1,14%-1,47%Dólar (cotação)R$ 2,3190R$ 2,3240R$ 2,3460R$ 2,3490R$ 2,3190Juros (DI a termo ao ano)22,100%22,540%23,000%22,700%22,570%Nasdaq (variação)+4,85%+0,36%-3,04%+1,72%-1,36%Dow Jones (variação)+0,32%-0,71%-1,35%+0,15%-1,05%Dia-a-dia:Segunda-Feira (21/05)Apesar das denúncias envolvendo a equipe econômica, a Bolsa subiu, puxada pelas ações da Telesp Celular, devido ao anúncio de troca dos papéis da empresa por BDRs. Terça-Feira (22/05)Na quarta-feira terminaria a reunião mensal do Copom e os investidores esperavam alta da Selic por causa dos inúmeras incertezas.Quarta-Feira (23/05)As diversas crises que o País atravessa levavam os investidores a crer que a Selic subisse pelo menos meio ponto porcentual. Quinta-feira (24/05)O dia foi extremamente tenso com os desenvolvimentos da crise do Senado e com a crise energética. O anúncio da troca da dívida argentina acabou ofuscado. Sexta-feira (25/05)O Banco Central interveio agressivamente nos mercados, derrubando o dólar. Mas as crises energética e política agravaram-se e os mercados devem continuar muito instáveis.

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