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Mercados: resumo da semana

Os dois fatos que agitaram os mercados foram o discurso de renúncia de Antônio Carlos Magalhães ao seu mandato no Senado e a operação de troca de títulos da dívida argentina com vencimento no curto prazo por papéis com vencimento mais longo. Ambos os eventos trouxeram muito nervosismo e deram margem a muita especulação. A insegurança pelos efeitos do discurso e do swap argentino fez com que os investidores buscassem aplicações seguras para proteger seus recursos, com destaque para o dólar.Desde a semana passada, os mercados operavam especialmente cautelosos por causa do discurso-bomba prometido por ACM. Como ele renunciou para dar continuidade à carreira política e tem o apoio do PFL, partido da base governista, não era razoável imaginar que surgissem fatos novos que comprometessem o governo federal. Mas o temperamento imprevisível de ACM preocupou os investidores. Temia-se que ele trouxesse denúncias que comprometessem o governo. O pronunciamento, porém, apesar de contundente, não trouxe fatos novos. A reação do mercado foi imediata, e as cotações apresentaram recuperação mesmo antes do final. Sexta-feira foi o último dia para os detentores de títulos de curto prazo da dívida externa argentina registrarem suas ofertas para trocá-los por papéis novos, com vencimento a partir de 2006. O swap (troca) deve aliviar as contas públicas nos próximos anos, possibilitando uma retomada econômica. Os detalhes - valor total e taxas de juros, entre outros - serão divulgados apenas na segunda-feira, e o governo espera que o alívio fiscal nos próximos anos dê a trégua necessária para que a economia saia da depressão. Mas ainda resta saber qual será o custo da operação, e mesmo que ela tenha sucesso, a reação da economia não depende só da reestruturação da dívida. Os investidores reagiram bem ao anúncio da troca de títulos, mas reconhecem que os desafios não são pequenos. As metas acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) são ambiciosas e o peso fixo em relação ao dólar e sobrevalorizado prejudica a competitividade dos produtos argentinos, e, portanto, a recuperação do crescimento. As constantes desvalorizações que o real vem sofrendo no regime brasileiro de câmbio flutuante pioram ainda mais a situação, já que o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina. O governo alega que a economia já dá sinais de reação e a arrecadação de impostos está crescendo. Na verdade, depois que os brasileiros descobriram a crise energética, as dificuldades do país vizinho deixaram de ser a maior preocupação dos mercados. Mesmo assim, um colapso econômico argentino, possibilidade que o swap bem-sucedido afasta no curto prazo, teria conseqüências imediatas para o Brasil. Nesse caso, o fluxo de capitais estrangeiros para o mercado financeiro nacional diminui e os investidores procuram aplicações de menor risco, como o dólar, para proteger seus recursos. Para os mercados brasileiros, a preocupação maior é a falta de energia elétrica. As projeções de crescimento da economia estão sendo revistas e os impactos negativos são certos. O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, anunciou que a inflação deve ficar em 5,5% no ano ao invés dos 4,5% previstos anteriormente. O único problema é que ainda é cedo para avaliar o tamanho da crise e suas conseqüências exatas, já que o programa de racionamento ainda nem foi implementado. O governo já considera a possibilidade de que nem haja apagões caso o plano de contenção de consumo funcione. MercadosNos mercados brasileiros, a semana foi de pessimismo. O dólar comercial para venda valorizou-se 2,73% entre o dia 25 de maio e 1º de junho, quebrando vários recordes históricos. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve alta de 3,42% entre o dia 28 e o dia 1º, devido à percepção, por alguns investidores, de que os efeitos da crise energética podem ser menores do que o previsto inicialmente. A Bovespa também se beneficiou do fim da crise política.Nos Estados Unidos, tanto o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - como a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - reverteram a tendência de queda na última quarta-feira. Desde então, passaram a operar com ligeiras altas.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-0,06%+1,06%+0,25%+1,10%+0,97%Dólar (cotação)R$ 2,3340R$ 2,3470R$ 2,3430R$ 2,3750R$ 2,3820Juros (DI a termo ao ano)22,200%22,300%22,140%22,400%22,570%Nasdaq (variação)--3,35%-4,18%+1,25%+1,85%Dow Jones (variação)-+0,31%-1,51%+0,36%+0,72%Dia-a-dia:Segunda-Feira (28/05)O feriado nos EUA e a expectativa pela renúncia de ACM e pelo swap argentino deixaram os mercados parados. O dólar comercial para venda subiu para R$ 2,3340, a Bovespa caiu 0,06% e os juros do DI a termo de um ano caíram para 22,200% ao ano. Terça-Feira (29/05)As expectativas pelo discurso de renúncia de ACM amanhã são grandes. O swap argentino e a indefinição da crise energética ajudam a manter os mercados parados. A Bovespa subiu 1,06%, os juros do DI a termo de um ano subiram para 22,300% ao ano e o dólar comercial para venda subiu para R$ 2,3480.Quarta-Feira (30/05)Os mercados reagiram bem ao discurso de renúncia de ACM, mas o espaço para recuperação nas cotações é pequeno. A Bovespa subiu 0,25%, os juros do DI a termo de um ano caíram para 22,140% ao ano e o dólar comercial para venda subiu para R$ 2,3430.Quinta-feira (31/05)Mesmo com o aparente fim da crise política, os mercados prosseguem cautelosos com a Argentina e com a crise energética. A divulgação da ata do Copom não ajudou. O dólar comercial para venda subiu para R$ 2,3750, a Bovespa subiu 1,10% e os juros do DI a termo de um ano subiram para 22,400% ao ano.Sexta-feira (01/06)Os mercados foram comandados pelas notícias do swap argentino num dia muito tenso. A Bovespa subiu 0,97%, os juros do DI a termo de um ano subiram para 22,570% ao ano e o dólar comercial para venda subiu para R$ 2,3820.

Agencia Estado,

01 de junho de 2001 | 20h20

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