Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Mercados: resumo da semana

Os negócios ficaram parados nessa semana, com pequeno volume e pouca variação nas cotações dos ativos. O noticiário não trouxe muitas novidades e as crises que afetam os negócios estão mais estáveis. A percepção é de que o momento é de avaliação do cenário, e, embora os negócios estejam parados, os investidores estão atentos, tentando perceber mudanças nas tendências.O principais focos de instabilidade que estavam assustando os investidores parecem estar mais estáveis, mas as cotações continuam em patamares elevados, especialmente do dólar, que vem sendo negociado entre R$ 2,30 e R$ 2,40 nas últimas semanas. Alguns analistas e especialmente o governo argumentam que as cotações negociadas não refletem as bases reais da economia, estando baseadas em movimentos especulativos. A principal preocupação é com o dólar, que estaria excessivamente caro. Muitos investidores, na incerteza, passaram a aplicar em dólares ou papéis cambiais para proteger seus recursos. A dúvida é se chegou a hora de voltar a investir em real. Por enquanto, predomina a cautela, mas se houver uma reversão na percepção de risco devido a uma estabilização do cenário, as cotações podem cair. Como o conjunto de fatores parece estar passando por uma mudança, os investidores estão atentos. E se o que sustenta o pessimismo no mercado é especulação, a recuperação pode ser rápida. Mas há muitos que não estão convencidos disso. As crises que afetam os negócios são de longo prazo, e embora a estabilidade seja maior, os as incertezas no médio e longo prazo continuam. Se predominarem, os atuais níveis das cotações serão mantidos até que fatos concretos e mais duradouros surjam, o que pode demorar. Crise energética continua no centro das atençõesA principal preocupação dos mercados continua sendo a crise energética, mas ainda é cedo para avaliar as apostas feitas pelos investidores com base nas informações disponíveis. É certo que o crescimento econômico, o investimento direto estrangeiro e a inflação ficarão comprometidos. O próprio governo já prevê que o crescimento no ano será de 3% ante 4% previstos anteriormente. E projeta-se uma redução do investimento direto estrangeiro de US$ 26 bilhões no ano para US$ 18 bilhões. Daí, o pessimismo na Bolsa de Valores, no câmbio e no mercado de juros. Mas o tamanho da crise e seus efeitos na economia são uma incógnita. Cogita-se que as previsões iniciais podem ter sido exageradas, mas, aparentemente, ninguém está apostando nisso ainda. De qualquer modo, o abrandamento do plano de racionamento do governo federal anunciado na segunda-feira agradou. Primeiramente, pois as medidas draconianas anteriores não terão de ser postas à prova, com todos os empecilhos legais e jurídicos que já estavam surgindo. O ato também sinaliza para uma menor probabilidade de ocorrerem apagões. Conta bastante o fato de que a imagem do Presidente Fernando Henrique Cardoso possa não sair tão arranhada com a suspensão de várias medidas impopulares. Com isso, aumentam as chances do governo nas eleições do ano que vem, o que cada vez mais atrai as atenções do mercado. Os investidores temem uma ruptura na atual política econômica, mais provável com uma vitória da oposição. Cenário externo não animaAs dificuldades econômicas da Argentina persistem, mas a troca de títulos com vencimento nos próximos anos por papéis com vencimento a partir de 2008 afastaram a possibilidade de um colapso econômico iminente. Os mercados ainda aguardarão por algum tempo para avaliar se ocorre uma retomada do crescimento, condição necessária para que o governo possa honrar seus compromissos internacionais no futuro, especialmente depois da operação de troca, que foi feita a juros bastante elevados. Havendo uma melhora gradual no cenário, a tensão pode ceder. Se a crise política está praticamente encerrada, o mundo inteiro ainda espera notícias de recuperação da economia norte-americana. Mas os dados são incoerentes e não há sinal de que a persistente desaceleração econômica esteja passando por uma reversão. Boas notícias para algumas açõesNa quarta-feira, o anúncio de reestruturação da Telemar-RJ, com a troca de ações de 15 outras operadoras do grupo por meio de troca de ações animou os negócios na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). As ações da empresa valorizaram-se 16,81%. Os demais papéis envolvidos na transação também tiveram altas expressivas. Com a operação, as ações terão um volume maior de negócios (liquidez), tornando-se mais atraentes para os investidores. Na quinta-feira, a agência de classificação de risco Moody´s anunciou a avaliação de papéis de empresas brasileiras para possível elevação de rating (nota que avalia o risco). A maioria é do setor bancário, além da Petrobrás. O anúncio surpreendeu, pois a agência poderá classificar as empresas melhor que o próprio país e deu um pequeno impulso para os negócios na Bolsa de Valores.MercadosO dólar sofreu quedas totalizando 1,30% entre terça e sexta-feira. Mas, considerando-se a evolução das cotações desde 25 de maio, o movimento ainda é de alta, de 1,72%. O detalhe é que nessa data, o dólar já estava bem alto, sendo vendido a R$ 2,3190. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vem oscilando sem indicar tendência nos últimos três dias, mas apresenta queda de 7,44% desde 28 de maio.Nos Estados Unidos, as bolsas vêm oscilando nas últimas semanas com movimentos de alta e baixa que se anulam. O maior destaque é para as quedas seguidas nos últimos três dias totalizando 1,78% do Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)+2,11%+1,93%-0,43%+0,89%-0,63%Dólar (cotação)R$ 2,3820R$ 2,3900R$ 2,3880R$ 2,3670R$ 2,3590Juros (DI a termo ao ano)21,880%21,400%20,650%20,500%20,250%Nasdaq (variação)+0,30%+3,61%-0,71%+2,09%-2,16%Dow Jones (variação)+0,65%+1,03%+0,94%+0,19%-1,03%Dia-a-dia:Segunda-Feira (04/06)A finalização da operação de troca da dívida argentina, apesar de já estar embutida no preço dos ativos, ainda teve reflexos positivos nos negócios durante o dia. Terça-Feira (05/06)Num dia mais tranqüilo, os mercados experimentaram uma pequena recuperação. A exceção foi o dólar, que continuou subindo. Quarta-Feira (06/06)A falta de dólares no mercado foi o principal motivo para a oscilação do dólar durante o dia. Segundo analistas, qualquer movimento de compra mais expressivo fez com que as cotações subissem rapidamente.Quinta-feira (07/06)Em dia tranqüilo e de poucos negócios, as cotações tiveram recuperação pontual. Mas o clima ainda era de cautela e pessimismo. Sexta-feira (08/06)Os negócios estiveram parados, com os investidores atentos a possíveis mudanças nas tendências. Enquanto isso, as variações nas cotações foram pequenas.

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