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Mercados: resumo da semana

Os mercados apresentaram uma maior estabilidade na semana, devido às medidas de controle do câmbio adotadas pelo governo, amparadas na forte alta dos juros e venda de dólares ou títulos cambiais para conter as elevações. Logo na segunda-feira, o Banco Central retomou as intervenções no mercado, mas a ação mais contundente ocorreu na quarta-feira. Os investidores pressionaram fortemente as cotações do dólar e o BC interveio três vezes para conter a alta. Estima-se que entre os dois leilões de títulos cambiais e a venda de moeda no mercado, a autoridade monetária tenha gastado cerca de US$ 1 bilhão, conforme apuração da editora Silvana Rocha. Para se ter uma idéia do que isso representa, basta verificar que as reservas internacionais do País somam cerca de US$ 35 bilhões e a captação extra de recursos do governo para conter a alta do dólar é de US$ 10,7 bilhões. A agressividade do mercado e o efeito limitado dessa injeção maciça de divisas preocupou os demais mercados. Os juros futuros passaram a subir com força, conforme crescia a percepção de que a Selic - taxa básica referencial de juros da economia - não voltará a cair tão cedo. O governo prometia níveis mais aceitáveis assim que o dólar se estabilizasse em patamares mais baixos. Mesmo com a estabilidade atual, fica a preocupação de que o dólar volte a subir assim que acabe a munição do governo para rebater a demanda dos investidores. Na sexta-feira, com a divulgação do relatório mensal de inflação do BC, ficou consolidada a expectativa de que a Selic não volte a cair tão cedo. O documento indica uma chance considerável de que nem o limite máximo da meta de inflação do governo seja alcançado. A causa é a alta do dólar, sustentada por fatores de longo prazo - Argentina, desaceleração da economia mundial e crise energética -, que mantêm os investidores preocupados. Cenário é preocupante no longo prazo Na quarta-feira, a decisão do Fed - banco central norte-americano - de baixar o juro básico dos EUA em 0,25 ponto porcentual, para 3,75% ao ano, embora esperada, contribuiu para o pessimismo. A queda foi pequena, e só terá efeito na economia real no longo prazo. Calcula-se que o juro básico nos Estados Unidos não fique abaixo de 3,5% ao ano, o que significa que a política agressiva de barateamento do crédito para estimular a economia está chegando no limite, ainda sem apresentar resultados. E, pior, a desaceleração econômica norte-americana já afeta a economia mundial, que cresce a taxas menores. Além desse fator de pessimismo, para os mercados nacionais ainda existe a preocupação com a gravidade da situação da Argentina, que não caminha para uma solução de seus problemas. Os juros no país voltaram a subir com força, refletindo as preocupações dos investidores. Porém, nos níveis a que chegaram, ultrapassam em muito o patamar desejado pelo governo para o cumprimento das metas acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e também para permitir a retomada do crescimento da economia. Eleição de 2002 é outro agravante Segundo pesquisa da CNI/Ibope divulgada na quarta-feira, 65% dos entrevistados rejeitaram a possibilidade de votar em um candidato que representasse a continuidade do atual governo. Os mercados temem que uma vitória da oposição traga rupturas com a atual política econômica. Com isso, quanto mais próximas as eleições, mais sensíveis os mercados às oscilações na popularidade do governo e às campanhas eleitorais.MercadosOs mercados brasileiros estiveram relativamente estáveis na semana. O dólar oscilou sem se afastar muito dos R$ 2,30 em função das pressões do Banco Central Já os juros sofreram alta, conforme a expectativa de queda da Selic no curto prazo foi sendo frustrada, e a Bovespa apresentou queda de 3,47% entre os dias 21 e 27. Na quinta-feira e na sexta-feira, houve uma pequena recuperação. Nos Estados Unidos, as bolsas permaneceram relativamente estáveis, com pequenas quedas até quarta-feira, quando o Fed decidiu sobre a taxa básica de juros. O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York -acumulou queda de 2,62%, mas a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York -teve alta acumulada de 8,64%.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-0,97%-0,55%-1,04%+0,57%+1,17%Dólar (cotação)R$ 2,3000R$ 2,3270R$ 2,3050R$ 2,3000R$ 2,3120Juros (DI a termo ao ano)21,300%22,150%23,050%23,400%23,400%Nasdaq (variação)+0,79%+0,67%+0,49%+2,45%+2,06%Dow Jones (variação)-0,95%-0,30%-0,36%+1,26%-0,63%Dia-a-dia:Segunda-Feira (25/06)Num dia tranqüilo nos mercados e sem grandes novidades no noticiário, o BC voltou a intervir e dólar e Bolsa seguiram em queda.Terça-Feira (26/06)As altas taxas do leilão de títulos argentinos e as quedas nas bolsas no exterior estimularam uma alta do dólar. O Banco Central não interveio e os negócios fecharam na máxima. Quarta-Feira (27/06)Em dia bastante agitado, o Banco Central interveio com muita agressividade para conter as cotações do dólar, que oscilaram muito. Quinta-feira (28/06)A forte intervenção de ontem no mercado de câmbio e a ata do Copom garantiram um dia tranqüilo nos mercados e poucas oscilações. Sexta-feira (29/06)Os mercados tiveram mais um dia tranqüilo mesmo sem intervenções do Banco Central, apesar do relatório de inflação e a leve alta nos juros na Argentina.

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