Mercados: resumo da semana

Esta semana foi marcada por dois feriados. Na segunda-feira, foi o feriado norte-americano do Dia do Trabalho. Amanhã, é a vez de o Brasil comemorar seu Dia da Independência. O volume de negócios da Bovespa continua reduzido. Somente na quarta-feira a Bovespa teve mais negócios, e o motivo não foi nada bom. O anúncio de que a Portugal Telecom Celular desistiu da recompra das ações da Telesp Celular fez as ações desta última despencarem. O volume cresceu apenas para acompanhar as vendas deste papel.O dólar também acabou pressionado nesta semana. A indefinição do quadro econômico na Argentina é o principal motivo para as nuvens pessimistas que cobrem o mercado. Os investidores estão mais retraídos. Hoje, o JP Morgan recomendou aos seus investidores que reduzam a participação de ativos brasileiros em suas carteiras de investimento, dado o risco de contágio por causa da crise argentina.Num cenário sem melhoras, o feriado de amanhã é mais um detalhe para ajudar na alta do dólar. Isto porque muitos investidores preferem manter sua posição em dólar como forma de hedge (garantia) contra eventuais surpresas. A melhora do resultado da balança comercial não foi suficiente para acalmar os investidores no que se refere à fragilidade das contas externas brasileiras.Situação argentina ainda indefinidaA arrecadação fiscal da Argentina no mês de agosto, cujo resultado ficou acima do previsto (embora ainda negativo), pode ser considerada um bom sinal. No entanto, os investidores permanecem desconfiados em relação à capacidade financeira de o país alcançar o déficit zero, o que pode se agravar depois das eleições parlamentares, em 14 de outubro.Caso as previsões de vitória do Partido Justicialista - oposição ao governo - sejam confirmadas, ficará mais difícil para o governo argentino aprovar medidas impopulares, como corte de gastos e redução de salários, com o objetivo de cumprir a exigência do Fundo Monetário Internacional (FMI) de déficit zero para a liberação do pacote de ajuda de US$ 8 bilhões. Também não está definido se haverá o repasse de US$ 1,364 bilhão para as 23 províncias do país, outro ponto de tensão política vivido pelo governo argentino.Estados Unidos apresentam melhoraNos Estados Unidos, o cenário permaneceu favorável durante a semana com a divulgação de indicadores que revelam uma recuperação do mercado. O índice nacional de atividade industrial (NAPM) pela Associação Nacional dos Gerentes de Compras no mês de agosto ficou acima da expectativa dos analistas, embora o setor continue em retração. Subiu de 43,6 para 47,9 no mês passado, sendo que a expectativa era de 44,0. Outra surpresa foi a queda dos pedidos de auxílio-desemprego - de 405 mil para 402 mil -, o que pode ser considerado um importante sinalizador da tendência para o consumo no país, responsável por dois terços da economia norte-americana. Estes números, que refletem o comportamento do mercado consumidor norte-americano, são acompanhados com muita atenção porque uma recessão nos EUA teria impacto forte na economia de outros países. Desistência da Portugal Telecom afeta a Bolsa Por causa do feriado norte-americano, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou a segunda-feira com o terceiro menor volume do ano. E na quarta-feira, operou com queda de 1,38%. O motivo foi a confirmação do cancelamento da oferta pública da Portugal Telecom Celular para a Telesp Celular, o que provocou uma forte queda das ações da companhia brasileira. Segundo os analistas ouvidos pela editora Márcia Pinheiro, esta desistência da Portugal Telecom Celular revela que as empresas estrangeiras querem reduzir sua exposição ao Brasil.Hoje, os operadores da Bolsa paralisaram suas atividades durante uma hora, na maior paralisação já realizada pela categoria. A atitude foi um protesto contra as comemorações do "Brazil Day", que reunirá amanhã autoridades - entre elas, o ministro da economia Pedro Malan - na Bolsa de Nova York. Para os profissionais da Bolsa, não há o que comemorar já que o mercado de ações brasileiro vem sofrendo uma migração dos negócios para o mercado norte-americano.Ainda em Nova York, Malan confirmou a intenção de o governo conceder isenção da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) à Bolsa.O inesperado anúncio do ministro interino da Fazenda, Amaury Bier, de que o governo já tomou a decisão de isentar as operações em Bolsa da CPMF, não impressionou o mercado. Segundo apurou a equipe do serviço Broadcast, da Agência Estado, a Fazenda já vem estudando o assunto desde outubro do ano passado. E o próprio ministro Pedro Malan admitiu, em Nova York, que não tem previsão de quando vai ser instituída de fato a isenção da CPMF. As declarações do governo hoje foram mais políticas do que técnicas, na avaliação do mercado.Dólar fecha em altaNo mercado financeiro nesta semana, o dólar oscilou, no fechamento, entre R$ 2,557 e R$ 2,5840. A Bolsa fechou todos os dias da semana em baixa. E os juros futuros encerraram a semana em 22,740% ao ano, para contratos a termo com vencimento em um ano.No mercado norte-americano, o índice Dow Jones - que mede a variação das ações mais negociadas em Nova York - apresentou queda forte nesta semana - um movimento iniciado de maneira mais significativa no dia 24 de agosto. A Nasdaq - bolsa que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet - vem apresentando ciclos de alta e baixa, mas a tendência geral é de queda. Entre os dias 27 e hoje, a queda acumulada da Nasdaq é de 5,59%.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-0,31%-0,27%-1,38%-2,66%-Dólar (cotação)R$ 2,5660R$ 2,5570R$ 2,5780R$ 2,5840-Juros (DI a termo ao ano)23,110%22,400%22,490%22,740%-Nasdaq (variação)+0,77%-1,92%-0,66%-3,03%-Dow Jones (variação)-+0,48%+0,36%-1,92%-Dia-a-dia:Segunda-Feira (03/09)O feriado nos EUA reduziu o volume de negócios no Brasil. A Bovespa encerrou o dia com terceiro menor volume do ano. Os investidores ficaram na expectativa dos dados da arrecadação fiscal argentina. Internamente, foi anunciado o saldo da balança comercial no mês de agosto - superávit de US$ 625 milhões.Terça-Feira (04/09)A instabilidade no mercado financeiro diminuiu neste dia. Os investidores privilegiaram as notícias positivas. O dólar comercial terminou o dia em queda de 0,35%. As taxas de juros também recuaram. A Bolsa ficou apática.Quarta-Feira (05/09)Os investidores apostaram que o clima de instabilidade deveria ser menor até as eleições na Argentina, mas o dólar continuou em patamares elevados. A desconfiança em relação ao país vizinho permaneceu.Quinta-feira (06/09)Com o feriado da Independência, a semana terminou hoje no mercado financeiro brasileiro. O clima foi de cautela em relação às perspectivas para a Argentina. Internamente, a possibilidade de isenção da CPMF na Bolsa não animou os investidores.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.