Mercados: resumo da semana

A semana, como já era de se esperar, foi marcada pelos ataques terroristas nos Estados Unidos, que resultaram no encerramento antecipado da maioria das operações financeiras na terça-feira. A destruição no centro financeiro de Nova York, além de chocar os investidores, impediu até mesmo o acesso à região. Foram registradas fortes oscilações em função dos acontecimentos, refletindo o pessimismo do mercado. As bolsas do mundo inteiro registram resultados negativos e revelam muito pessimismo nos mercados. Na Ásia, os principais mercados acumulam fortes baixas na semana, embora hoje as quedas tenham sido mais moderadas. Na Europa, as bolsas também caem com força, em torno de 10% ao longo da semana. No Brasil, o Banco Central interveio várias vezes no mercado, vendendo títulos cambiais e dólares para conter a alta da moeda norte-americana. No Brasil, por exemplo, o dólar chegou a R$ 2,6850 e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) despencou 9,18%. Nos dias que se seguiram, foram registradas fortes quedas nas bolsas do mundo inteiro, mas ainda se espera a reação do mercado acionário, que deve abrir apenas na segunda-feira. O tom dos investidores foi de muita preocupação, especialmente conforme foi se conhecendo o prejuízo financeiro decorrente dos ataques. Também contribuíram para os temores as declarações do presidente George W. Bush de que promoverá uma retaliação militar contra os responsáveis pelos atentados e as nações que os apóiam. As investigações indicam que a ofensiva norte-americana será no Afeganistão, porém ainda não se sabe quando isto acontecerá e em que dimensões.EUA já indicavam recessão antes da tragédiaO temor de uma recessão já estava presente antes mesmo da tragédia nos Estados Unidos, cuja gravidade acentuou ainda mais a apreensão dos investidores. Dados divulgados na semana passada apontavam um forte crescimento do desemprego nos EUA. Na quarta-feira, foi divulgado o índice de confiança do consumidor referente ao período anterior aos atentados, que apresentou forte queda. Com a guerra, parece inevitável que as empresas voltem a contratar e que os cidadãos passem a gastar mais, tornando a recessão praticamente inevitável.Neste cenário de incertezas, a tendência é de que os investidores desviem seus recursos para aplicações mais seguras, como títulos do governo norte-americano, ouro e aplicações na Suíça, o que deve reduzir significativamente os investimentos estrangeiros em países emergentes, sobretudo Brasil e Argentina. E, dependendo do desenrolar das ações militares dos EUA, os preços do petróleo podem subir. Efeitos na Argentina e no BrasilA situação fica ainda mais complicada para o Brasil e para a Argentina, pois o fluxo de recursos para países emergentes deve se reduzir significativamente. A previsão é de que as conseqüências sejam graves, pois os dois países dependem de recursos externos para financiar suas contas internacionais. Além disso, será mais difícil exportar para mercados em retração. E, para o Brasil, o agravamento da situação argentina trará reflexos negativos.Há outros problemas que dificultam a retomada econômica da Argentina. Por um lado, a desvalorização do real dificulta ainda mais a reação das exportações. E o empréstimo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), cuja função é ganhar tempo para que o país elimine o déficit nas contas públicas e consiga renegociar sua dívida externa, não terá vida longa. O ajuste no orçamento terá de ser mais profundo e, depois dos ataques terroristas, a Argentina deixará de ser prioridade para o governo norte-americano, agora em guerra. MercadosDepois de terça-feira, o pessimismo instaurou-se nos mercados. O dólar comercial, que desde o início de setembro indicava ligeira tendência de alta, disparou, só sendo controlado pelas agressivas intervenções do BC. Na quinta-feira, atingiu a máxima histórica de R$ 2,74, mas, desde os ataques nos EUA, vem oscilando bastante em torno de R$ 2,70. Os juros futuros demoraram a reagir, mas passaram a subir no final da semana. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acumula quedas impressionantes. Desde 4 de setembro, já caiu 21,40%. Desde o atentado, a queda foi de 15,84%. Os mercados norte-americanos fecharam na terça-feira logo após a abertura e só serão reabertos na segunda-feira.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-9,18%-2,72 %+2,64%-7,26%-2,64%Dólar (cotação)R$ 2,6600R$ 2,5840R$ 2,6920R$ 2,6600R$ 2,6750Juros (DI a termo ao ano)23,750% 23,000%23,650%24,600%25,120%Nasdaq (variação)-1,05%+0,46%---Dow Jones (variação)0,00%----Dia-a-dia:Segunda-Feira (10/09)O anúncio de forte aumento no índice de desemprego norte-americano fez aumentarem as preocupações dos investidores brasileiros. Terça-Feira (11/09)Os mercados funcionaram operaram com muito pessimismo, mas a maioria fechou antes por causa dos ataques terroristas nos EUA. Quarta-Feira (12/09)Os negócios funcionaram mais calmos hoje, com recuperação parcial nas bolsas das quedas de ontem. Mas o dólar disparou e os investidores buscavam aplicações mais seguras. Quinta-feira (13/09)Os mercados reagiram com muito pessimismo a indicadores econômicos dos EUA, e cresce o temor de uma recessão mundial. O BC interveio para segurar o dólar, mas a bolsa despencou.Sexta-feira (14/09)Mais um dia difícil nas bolsas do mundo inteiro. As fortes quedas continuaram, já que a guerra apavora os investidores. As conseqüências para o Brasil serão graves e o BC voltou a intervir no câmbio.

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