Mercados: resumo da semana

A segunda-feira foi marcada pela reabertura das bolsas em Nova York, que registraram forte queda, embora o resultado não tenha sido tão negativo quanto às expectativas dos investidores. A semana prosseguiu com menos oscilações até ontem, quando o dólar começou a subir. Hoje, o dia foi ainda mais tenso e o dólar bateu outro recorde, desde a desvalorização do real em 1999, e fechou em R$ 2,835. Mesmo depois de seis leilões de títulos cambiais, o Banco Central não conseguiu conter a alta da moeda norte-americana.Nos Estados Unidos, as incertezas em relação aos planos de retaliação do presidente George W. Bush impediram que os investidores tomassem decisões arriscadas. O país já começou a se preparar para a guerra. Na quarta-feira, o governo norte-americano ordenou o enviou de 100 aviões de combate e dez navios para bases no Oriente Médio e Mediterrâneo. E na quinta-feira, lançou um ultimato - não atendido - ao Afeganistão. O presidente dos EUA anunciou que o ataque está próximo e que a guerra será longa e árdua.Antes dos ataques, o país já apresentava várias indicações de desaceleração do PIB e estava à beira da recessão. Agora, a insegurança ficou ainda maior e os consumidores tendem a gastar menos. Assim, é quase certa uma recessão, já que os gastos de pessoa física impulsionam quase 70% da economia norte-americana. Esta semana, as declarações do presidente do Banco Central dos Estados Unidos (Fed), Alan Greenspan, confirmaram as previsões de inevitabilidade da recessão. Ele afirmou que a economia dos EUA sofrerá efeitos significativos no curto prazo, o que resultará no afastamento dos investidores e na redução do consumo. Com estes comentários, o mercado passou a prever novos cortes de juros na próxima reunião do Fed, no dia 2 de outubro. Na segunda-feira passada, a taxa básica de juros já havia sido reduzida de 3,5% para 3,0% ao ano.Copom mantém Selic em cenário adversoNa quarta-feira, em sua reunião mensal, o Comitê de Política Monetária (Copom), conforme esperavam os analistas, manteve a taxa Selic - taxa referencial de juros da economia - em 19% ao ano. Mesmo antes da reunião, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, já havia declarado que não havia espaço para quedas nos juros, especialmente depois dos ataques terroristas aos Estados Unidos. Diante das dificuldades na economia mundial, os países emergentes, especialmente Turquia, Argentina e Brasil, já estão sofrendo as conseqüências. Para financiar suas contas externas, esses países precisam de investimentos estrangeiros. Mas frente às incertezas, investidores no mundo inteiro começam a transferir seus recursos para aplicações mais seguras, dificultando a situação das suas contas externas. Neste cenário nada otimista, a Argentina sofre mais dificuldades se comparada ao Brasil, seu principal parceiro comercial. O país terá de realizar ajustes ainda mais profundos e enfrenta também a desvalorização do real, que gera mais um empecilho à retomada econômica. Além disso, a proximidade das eleições parlamentares, em 14 de outubro, aumenta a probabilidade de um aprofundamento da crise atual, já que as previsões apontam a vitória do partido de oposição ao governo.MercadosDesde a semana passada, o pessimismo instaurou-se nos mercados. O dólar, que desde o início de setembro indicava ligeira tendência de alta, disparou, não sendo controlado nem com as agressivas intervenções do BC. Altas recordes têm sido registradas com freqüência, e o comercial para venda fechou a semana cotado a R$ 2,835. Desde 11 de setembro, data dos atentados, o dólar já subiu 8,75%. Os juros futuros também seguem em alta, mas sem tanta intensidade. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) sofreu fortes quedas na semana passada, mas manteve-se relativamente estável nessa semana. Os mercados norte-americanos reabriram na segunda-feira e vem apresentando fortes quedas todos os dias. Na semana, o índice Dow Jones - que mede a variação das ações mais negociadas em Nova York - acumulou baixa de 14,26%. A Nasdaq - bolsa que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet - caiu 16,05% no mesmo período.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)+5,08%+0,09%+1,80%-1,95%-1,19%Dólar (cotação)R$ 2,6680R$ 2,6940R$ 2,7100R$ 2,7600R$ 2,8350Juros (DI a termo ao ano)24,000%23,540%23,840%24,000%24,550%Nasdaq (variação)-6,83%-1,55%-1,75%-3,72%-3,25%Dow Jones (variação)-7,13%-0,19%-1,62%-4,37%-1,68%Dia-a-dia:Segunda-Feira (17/09)As bolsas em Nova York reabriram em forte baixa. Mas os governos do mundo dedicaram todos os seus esforços a conter o pessimismo dos mercados. Terça-Feira (18/09)A Bovespa operou muito influenciada pelas variações das bolsas dos EUA, e os juros ajustaram-se à expectativa de manutenção da Selic. Quarta-Feira (19/09)As quedas nas bolsas de Nova York pressionaram o dólar. À noite, esperava-se que o Copom mantivesse a Selic em 19% ao ano. Quinta-feira (20/09)A movimentação de tropas norte-americanas e os claros indicadores de recessão mundial deram o tom pessimista dos mercados. Sexta-feira (21/09)Em dia extremamente tenso, o dólar disparou. O comercial atingiu a máxima de R$ 2,84 apesar das seis intervenções do Banco Central, que vendeu 4,7 milhões de títulos cambiais. No fechamento, ficou em R$ 2,835. A declaração de guerra ao Afeganistão, ontem à noite, apavorou os mercados no mundo inteiro.

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