Mercados: resumo da semana

Os mercados financeiros tiveram uma semana mais tranqüila, com recuperação relativa das fortes quedas que ocorreram após os ataques terroristas nos Estados Unidos, embora ainda tenham apresentado muitas oscilações. No Brasil, o Banco Central realizou onze leilões cambiais de grande porte para segurar a alta do dólar com resultados considerados modestos. O dólar comercial para venda fechou em R$ 2,6710, mas não foi suficiente para melhorar a perspectiva dos investidores diante das incertezas do cenário internacional. Embora a tendência de médio prazo continue pessimista, as previsões apocalípticas em relação aos rumos da ofensiva norte-americana foram perdendo força. Segundo analistas, os EUA reagiram com mais bom senso e menos paixão do que se esperava, concentrando suas forças apenas contra o regime Taleban, no Afeganistão, e recebendo apoio até de aliados improváveis, como Vaticano, Irã e Paquistão. Portanto, diante deste cenário, uma guerra de maiores proporções parece descartada.Mas ainda predominou o risco de recessão nos Estados Unidos, tendência que já era notada mesmo antes dos atentados terroristas. O índice de confiança do consumidor, relativo à semana dos ataques teve forte queda - de 114 para 97,6 pontos -, o nível mais baixo desde a Guerra do Golfo, em 1991. Como o consumo de pessoa física corresponde a cerca de dois terços dos gastos na economia, uma queda na disposição para gastar dos norte-americanos leva a uma forte tendência recessiva. No entanto, esta variação no índice já era esperada pelos investidores devido às quedas significativas nas bolsas em Nova York na semana passada.BC continuou a intervir para conter dólarA alta significativa do dólar, que fechou em R$ 2,835 na última sexta-feira, levou o Banco Central a intervir onze vezes no mercado leiloando grandes lotes de títulos cambiais para aumentar a oferta de papéis corrigidos pela variação do dólar e tentar impedir a alta da moeda norte-americana. Ainda para conter a as cotações da moeda norte-americana, o governo elevou o compulsório nas operações a prazo de zero para 10%. Mas a recuperação mais significativa do mercado veio na quarta-feira com a divulgação pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que as empresas de capital aberto poderão contabilizar o efeito da alta do dólar nos resultados financeiros de 2001 ao longo dos próximos quatro anos. Assim, o governo aceitará que as perdas sejam lançadas de forma a reduzir o seu lucro futuro, e, portanto, o imposto de renda a pagar. Em outras palavras, o Tesouro está dando garantias parciais do risco cambial. Na terça-feira, o governo já havia determinado a obrigatoriedade de aumento de capital das instituições financeiras a cada aumento no estoque de moeda estrangeira. Com isso, a captação de dólares fica mais cara. O governo espera, com isso, desestimular, através da elevação do custo da operação, as empresas que têm procurado a moeda norte-americana como hedge (proteção). O grande problema é que quando empresas compram dólares para ter certeza de que poderão honrar compromissos externos futuros, elas antecipam a compras de divisas, pressionando as cotações, que disparam, trazendo mais incertezas, num ciclo vicioso. Essa é a hipótese do governo, de que o real está subvalorizado por razões circunstanciais. O Banco Central também redefiniu critérios sobre o recolhimento do compulsório dos depósitos à vista. Com isso, houve uma redução do volume de recursos no mercado, o que provoca o encarecimento do crédito, e, portanto, a redução da atividade econômica. Assim, diminui a demanda de uma maneira geral, e, portanto, por produtos importados. Prevaleceu a cautela A perspectiva de recessão nos EUA piorou ainda mais a situação dos países emergentes, como Turquia, Argentina e Brasil, porque investidores estrangeiros passaram a reduzir a entrada de capitais frente à dificuldade destes países com suas contas externas, levando a taxas de juros mais altas e aumento das cotações do dólar. Ainda assim, as intervenções do governo frearam o pessimismo.A boa notícia foi a queda no preço do petróleo. A desaceleração da economia mundial - em especial os Estados Unidos, os maiores consumidores de energia do planeta - e o impacto na indústria aeronáutica contêm a demanda pelo produto e seus derivados. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) confirmou as expectativas do mercado e não alterou os atuais níveis de produção de seus países membros na sua reunião de quarta-feira. MercadosDepois de duas semanas de fortes quedas, as bolsas norte-americanas atingiram um patamar de negociação mais estável nesta semana, apesar de ainda oscilarem bastante. Nos últimos três dias, o Dow Jones - que mede a variação das ações mais negociadas em Nova York - inclusive teve ligeira alta. No Brasil, as fortes intervenções do Banco Central, desde sexta-feira da semana passada, conseguiram conter as cotações do dólar. A moeda norte-americana que havia atingido R$ 2,84 em 21 de setembro fechou hoje a R$ 2,6710 - uma queda de 5,95%. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) oscilou bastante desde 17 de setembro, mas vem operando sem definir tendência clara de alta ou baixa. Os juros acompanharam em menor proporção as quedas do dólar. Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)+1,09%-2,88%-2,19%+3,99%+2,22%Dólar (cotação)R$ 2,7200R$ 2,7150R$ 2,7380R$ 2,6750R$ 2,6710Juros (DI a termo ao ano)25,200%24,520%24,7000%24,030%23,500%Nasdaq (variação)+5,35%+0,15%-2,50%-0,23%+2,61%Dow Jones (variação)+4,47%+0,65%-1,07%+1,33%+1,91%Dia-a-dia:Segunda-Feira (24/09)Mercados no mundo inteiro tiveram um dia de recuperação, mesmo que ainda distantes dos níveis anteriores aos ataques terroristas nos Estados Unidos. Terça-Feira (25/09)Os mercados tiveram um dia de fortes oscilações, com mais uma intervenção do Banco Central no câmbio, a nona desde sexta-feira.Quarta-Feira (26/09)O BC fez a décima intervenção desde sexta-feira no mercado de câmbio, mas mesmo assim o dólar subiu. As turbulências esperadas no mercado no médio prazo predominaram.Quinta-feira (27/09)Medidas adotadas pelo governo animaram os mercados, que tiveram uma tarde eufórica.Sexta-feira (28/09)As medidas do governo anunciadas na quarta e quinta-feira continuaram tendo efeito, promovendo ligeira recuperação dos mercados.

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