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Mercados: resumo da semana

Foi uma semana de muito nervosismo em relação à Argentina, que mergulha ainda mais profundamente na crise. Hoje, o risco país chegou a ultrapassar 1900 pontos - um novo recorde - e fechou em 1868 pontos base, o que aumentou, na visão dos investidores, o risco de calote da dívida, desvalorização cambial e dificuldade em implementar o déficit zero, apesar das medidas de cortes de despesas. A queda de 14% na arrecadação fiscal no mês de setembro em comparação com o mesmo período de 2000, anunciada na terça-feira, também aumentou ainda mais os temores quanto aos problemas econômicos do país. Outro sinal negativo foi a queda na arrecadação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), de 31%. A situação econômica argentina, já grave há muitos meses, foi agravada pela desaceleração da economia mundial e incertezas sobre a ação militar norte-americana na Ásia Central.Mais pontualmente, os mercados estiveram muito nervosos em função das eleições parlamentares do dia 14. O temor de uma derrota do governo e a previsão de que os US$ 8 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI) não consigam conter a onda pessimista, dadas as dificuldades econômicas, levam a crer que medidas emergenciais devam ser anunciadas até antes do resultado das urnas. Acompanhando as incertezas em relação à Argentina, houve uma proliferação de boatos nos mercados. Foram divulgadas notas e desmentidos sobre a saída do ministro da Economia, Domingo Cavallo, calote da dívida, desvalorização cambial e até uma possível moratória da província do Chaco. Hoje, o presidente Fernando de la Rúa convocou reunião com membros de seu alto escalão, mas o resultado ainda não foi divulgado. Provavelmente, novas medidas econômicas devem ser aprovadas.BC interveio várias vezes no câmbioO pessimismo impediu que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanhasse as altas dos últimos dias nos mercados da Europa e nos Estados Unidos, e pressionou juros e dólar. Ainda prevalece o temor de que os efeitos da crise Argentina afetem muito o Brasil. O Banco Central (BC) voltou a intervir para conter o câmbio, realizando leilões de títulos cambiais. Hoje foi um dia muito tenso e o dólar chegou a R$ 2,7780, uma alta de 1,50%. Com a proximidade do final de semana, os investidores aumentam a demanda por dólares como forma de segurança (hedge) e, assim, ficarem protegidos contra fatos novos negativos nos próximos dias. A boa notícia foi a divulgação dos dados sobre a balança comercial brasileira, que apresentou superávit de US$ 594 milhões no mês de setembro. As necessidades cambiais do País ultrapassam estes valores, mas a tendência é de crescimento dos superávits. Governo dos EUA tentam reanimar economiaNos Estados Unidos, a incerteza em relação à guerra na Ásia Central foi mantida, embora o clima tenha sido de maior estabilidade. Na terça-feira, foi anunciado o nono corte no juro básico norte-americano nesse ano, que passou de 3% para 2,5% ao ano, o menor nível nos últimos 40 anos. A taxa de juro real ficou muito próxima de zero, o que significa um forte estímulo ao consumo.O presidente George W. Bush também propôs um plano de estímulo econômico ao Congresso, pedindo a liberação de recursos entre US$ 60 e US$ 75 bilhões. O resultado nos mercados foi imediato com altas significativas nas bolsas de valores no mundo inteiro.Já os dados sobre o mercado de trabalho norte-americano confirmaram a forte desaceleração da economia. A taxa de desemprego no país ficou estável em 4,9% no mês de setembro, porém o número de vagas disponíveis caiu em 199 mil postos. Também houve alta de 71 mil pedidos de auxílio-desemprego na semana até 29 de setembro, quando a expectativa era de apenas 30 mil, de acordo com o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos.MercadosO dólar retomou a tendência de alta, apesar das intervenções do Banco Central, que apenas limitaram o avanço das cotações. Na semana, a moeda norte-americana sofreu valorização de 4,01%. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vem apresentando pequenas quedas também no mesmo período, acumulando desvalorização de 4,12%. Já as Bolsas norte-americanas estão em recuperação. O Dow Jones - que mede a variação das ações mais negociadas em Nova York - valorizou-se desde o dia 21 de setembro 10,73%.No mesmo período, a Nasdaq valorizou 12,80%, oscilando mais que a Dow Jones, que apresentou alta mais regular. Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-1,26%-1,44%-1,13%-1,68%+1,35%Dólar (cotação)R$ 2,6790R$ 2,7070R$ 2,7220R$ 2,7370R$ 2,7780Juros (DI a termo ao ano)23,850%24,150%24,350%24,800%24,450%Nasdaq (variação)-1,23%+0,80%+5,93%+1,05%+0,50%Dow Jones (variação)-0,12%+1,29%+1,94%-0,69%+0,65%Dia-a-dia:Segunda-Feira (01/09)Notícias de um ataque iminente dos EUA ao Afeganistão mantiveram os mercados cautelosos. No Brasil, saldo comercial de setembro agradou. Terça-Feira (02/09)Queda de 14% na arrecadação fiscal do mês de setembro preocupou os investidores. O Fed voltou a baixar o juro básico em 0,5 ponto porcentual, conforme os mercados esperavam. Quarta-Feira (03/09)A queda na arrecadação argentina, a instabilidade política no país e a boataria deixaram os mercados muito nervosos e o Banco Central voltou a vender títulos cambiais. Quinta-feira (04/09)As apreensões quanto ao comportamento do governo argentino depois das eleições, dia 14, mantiveram os mercados pessimistas e o BC fez dois leilões de títulos cambiais. Sexta-feira (05/09)A deterioração da situação econômica da Argentina, o feriado de segunda-feira nos EUA e na Argentina, e a expectativa de ataque ao Afeganistão deixaram os mercados muito tensos.

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