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Mercados: resumo da semana

A semana começou com volume baixo de negócios nos mercados brasileiros devido ao feriado na Argentina e ao feriado parcial nos Estados Unidos. A reação dos investidores aos ataques ao Afeganistão foi ligeiramente otimista, porém as incertezas em relação à dimensão do conflito e sua duração ainda causam apreensão. Ao longo da semana, houve forte recuperação nas bolsas no mundo inteiro. Mas, no Brasil a retomada foi contida pelo agravamento da crise econômica na Argentina e o Banco Central (BC) interveio no mercado de câmbio nos momentos de maior tensão, vendendo títulos cambiais. Enquanto o cenário da guerra parece menos pessimista que o esperado, o aprofundamento da crise na Argentina causa muita apreensão. Durante toda a semana, esperava-se a divulgação de um novo pacote de medidas pelo governo argentino, o que não aconteceu. Os resultados muito ruins da economia e da arrecadação de impostos no país vizinho deixaram os investidores nervosos, ainda mais às vésperas das eleições legislativas no próximo dia 14, com evidências de vitória da oposição. Na terça-feira, o risco país chegou a 1.896 pontos (leia mais a respeito no link abaixo) e o nervosismo aumentou ainda mais com o rebaixamento do rating - nota que classifica o risco - dos títulos de longo prazo pela agência de avaliação de risco Standard and Poor´s. Às vésperas do feriado, houve um relativo otimismo com o aparente avanço nas negociações para a troca dos títulos da dívida argentina por papéis de prazo mais longo e taxas de juros mais baixas. O risco país teve uma ligeira queda, mas ainda ficou acima dos 1.800 pontos base.Com o objetivo de zerar o déficit fiscal, o vice-Ministro da Economia, Daniel Marx, começou negociações para a troca de títulos em poder dos bancos e da AFJP (Administradoras de Fundos de Aposentadoria e Pensão) por novos papéis a juros mais baixos e dando a arrecadação de impostos como garantia. Com isso, o governo pretende economizar US$ 2,7 bilhões no ano que vem, quantia que seria repassada ao consumidor como desconto no IVA (Imposto sobre Valor Agregado). Ele também discute a renegociação das dívidas das províncias. A medida foi bem recebida pelos mercados portenhos, que falaram em um volume renegociado de cerca de US$ 15 bilhões.Recuperação dos mercados norte-americanosApesar da recuperação dos mercados norte-americanos nas duas últimas semanas, o país continua em guerra. Na verdade, a ofensiva militar norte-americana ficou acima das expectativas mais otimistas já que, por enquanto, os ataques ficaram restritos ao Afeganistão, embora o presidente George W. Bush tenha avisado que a guerra durará muito tempo e envolverá outros países.Nesta semana, as bolsas no mundo inteiro operaram em níveis muito próximos aos observados antes dos ataques. A Bolsa de Londres e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - já negociam em patamares mais elevados. A avaliação geral é que o governo norte-americano foi rápido em realizar cortes drásticos nos juros e em liberar recursos para estimular a economia.Brasil e Argentina discutiram MercosulNa terça-feira, o presidente Fernando de la Rúa e o ministro da Economia Domingo Cavallo reuniram-se com a cúpula do governo brasileiro e anunciaram a discussão de mecanismos de proteção a setores específicos nos dois países, a serem concluídos em duas semanas. Essa medida evitaria um aprofundamento dos conflitos entre os principais sócios do Mercosul, especialmente em função da forte desvalorização do real em relação ao peso, que tem paridade com o dólar. Embora os mercados não tenham reagido às negociações entre os dois países, a presença do alto escalão do governo argentino no Brasil suscitou suspeitas nos mercados portenhos de que Cavallo e De la Rúa estariam antecipando medidas drásticas. Mais uma vez, surgiram boatos e desmentidos de dolarização, desvalorização, calote da dívida e saída do ministro da Economia. Na reunião, também foi anunciada a intenção de se adotar uma moeda comum no futuro.MercadosAinda operando em patamar elevado - entre R$ 2,75 e R$ 2,80 -, o dólar manteve-se estável ao longo da semana. Em parte, em função das intervenções do Banco Central. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) não chega a acompanhar a recuperação dos mercados mundiais, mas ainda assim teve alta de 6,90%. Os juros do DI a termo de um ano vêm oscilando em torno do patamar de 24% ao ano.O Dow Jones - que mede a variação das ações mais negociadas em Nova York - segue em recuperação desde o dia 21 de setembro. Até hoje, a alta acumulada é de 14,26%. O mesmo acontece com a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - que, no entanto, vem oscilando um pouco mais e acumula alta de 19,5 % no mesmo período.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-1,01%+1,88%+1,73%+3,08%Dólar (cotação)R$ 2,7710R$ 2,7820R$ 2,7720R$ 2,7820Juros (DI a termo ao ano)24,490%24,290%23,950%24,000%Nasdaq (variação)+0,04%-2,23%+3,57%+4,62%Dow Jones (variação)-0,57%-0,17%+2,08%+1,83%Dia-a-dia:Segunda-Feira (08/10)Em um dia de poucos negócios por causa dos feriados na Argentina e nos EUA, o BC realizou dois leilões de títulos cambiais para conter o dólar. A reação aos ataques ao Afeganistão foi moderada. Terça-Feira (09/10)A evolução da guerra e a expectativa de um pacote argentino às vésperas das eleições mantiveram os mercados cautelosos. Em mais um capítulo da crise, a S&P´s rebaixou o rating do país. Quarta-Feira (10/10)Sem grandes novidades, os mercados tiveram um dia um pouco mais otimista, puxado pelas altas em Nova York e pela intervenção do BC no mercado de câmbio. Quinta-feira (11/10)Um mês depois dos atentados aos EUA, a Bolsa de Londres e a Nasdaq já ultrapassaram os níveis de 10 de setembro e as demais estiveram próximas. Em Buenos Aires, também houve otimismo com o pacote iminente.

Agencia Estado,

11 de outubro de 2001 | 22h07

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