Mercados: resumo da semana

Passadas as eleições argentinas no domingo, que vinham complicando a situação política do presidente Fernando De la Rúa, os mercados parecem finalmente acreditar que o governo argentino evitará a todo custo uma ruptura drástica do atual modelo econômico. O governo tem insistido - com palavras e ações - na manutenção da paridade do peso com o dólar e em honrar os compromissos externos. Pelo menos enquanto houver dólares em caixa para sustentar a conversibilidade, considera-se que têm poucas chances os cenários mais preocupantes: calote da dívida, desvalorização, dolarização e demissão do ministro da Fazenda, Domingo Cavallo. E os mercados brasileiros apresentaram recuperação nas cotações, mesmo sem abandonar a cautela.O governo perdeu as eleições legislativas, conforme esperado, e em 10 de dezembro, quando os novos congressistas assumirem, a oposição terá maioria no Senado e o maior número de cadeiras na Câmara, embora sem constituir maioria. Quando assumir, em 10 de dezembro, os novos congressistas prometem criar obstáculos ao governo. O primeiro será a suspensão da Lei de Poderes Delegados, aprovada em março deste ano, que conferiu poderes especiais ao ministro da Economia, Domingo Cavallo.Mercado não espera novidades no pacote argentinoO pacote econômico não deve trazer surpresas, já que várias informações já vazaram. O mercado acredita que deva haver um novo corte de salários do funcionalismo de 13% e cancelamento do pagamento do décimo terceiro salário. As aposentadorias também deverão sofrer cortes de 20%. Aparentemente, os governadores provinciais estariam próximos de um acordo com o governo central sobre a redução dos repasses de verbas em troca da renegociação de suas dívidas. Também deve ser anunciada a renegociação de parte da dívida interna, de até US$ 15 bilhões. Mas o ponto que gera mais controvérsia é a reestruturação da dívida externa. Acredita-se que a Argentina já tenha recebido US$ 5 bilhões como garantia para renegociação da dívida externa do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Somam-se esses recursos aos US$ 3 bilhões liberados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em agosto. Na quarta-feira, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou novamente o rating (nota de avaliação) da dívida argentina, alertando que seriam necessários mais US$ 10 a US$ 26 bilhões em garantias para que a dívida seja reestruturada na medida necessária sem que os credores sofram prejuízos. A agência Standard and Poor´s também declarou que qualquer renegociação que implique em prejuízos para os credores causará um rebaixamento do rating do país e a Moody´s poderá tomar a mesma atitude dependendo dos resultados da troca de títulos da dívida. Mesmo com a dureza do ajuste, comenta-se que ele não será profundo o suficiente para tirar a Argentina da crise, mas deve garantir o déficit zero por mais algum tempo. Os investidores ainda mantêm a previsão de quebra do país, mas a data foi novamente adiada, trazendo algum alívio momentaneamente. E o mercado vem interpretando declarações do governo argentino como sendo sinais de dolarização. Fala-se, como um primeiro passo, em reduzir as barreiras para a aceitação da moeda norte-americana para o pagamento de salários e impostos, entre outros.Copom manteve Selic em 19%Conforme todos esperavam, foi anunciada na quarta-feira a manutenção em 19% ao ano da Selic, a taxa básica referencial de juros da economia. As incertezas do cenário internacional inviabilizam uma queda da taxa. Por outro lado, a inflação está sob controle e o dólar também tem se mantido estável; nos últimos dias, mesmo sem intervenções do Banco Central (BC). Assim, uma elevação da taxa mostrou-se desnecessária, mesmo porque causaria uma desaceleração indesejável da economia. Além disso, juros mais altos elevariam as despesas do governo, outro efeito a se evitar.Mercados mundiais apreensivosNas bolsas ao redor do mundo, cresceram as preocupações com a proliferação de casos de ataques bioterroristas, e a escalada das tensões no Oriente Médio, em função do assassinato do ministro do Turismo israelense. A confirmação do início de operações terrestres no Afeganistão também trouxe apreensão. Dados divulgados sobre a economia européia também revelam forte desaquecimento. Assim, não se repetiu o otimismo da semana passada.MercadosO dólar recuperou-se um pouco, com a expectativa mais positiva em relação ao pacote argentino, mas o comercial para venda não ficou abaixo de R$ 2,70. A Bolsa de Valores de São Paulo oscilou pouco, ficando estável se comparado com a semana passada. Já as bolsas norte-americanas apresentaram pequena queda.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)+5,05%-0,64%+0,12%-2,46%+3,07%Dólar (cotação)R$ 2,7730R$ 2,7150R$ 2,7230R$ 2,7600R$ 2,7350Juros (DI a termo ao ano)23,510%22,960%22,830%23,050%22,640%Nasdaq (variação)-0,42%+1,52%-4,40%+0,39%+1,12%Dow Jones (variação)+0,04%+0,39%-1,61%-0,76%+0,45%Dia-a-dia:Segunda-Feira (15/10)As eleições na Argentina não surpreenderam e os mercados pareciam não acreditar numa ruptura do modelo econômico do país. O resultado foi um dia de recuperação nas cotações. Terça-Feira (16/10)A maior tranqüilidade com a Argentina no curto prazo e as altas das bolsas nos EUA contribuíram para a recuperação das cotações nos mercados brasileiros. Quarta-Feira (17/10)O governo argentino recebeu US$ 5 bilhões do Banco Mundial e BID como garantia para renegociar dívida externa. Mas os ataques bioterroristas derrubaram as bolsas dos EUA. Quinta-feira (18/10)O mercado aguarda a divulgação do pacote argentino com ansiedade. Agências internacionais de classificação de risco alertaram que perdas para os credores derrubarão os ratings do país. Sexta-feira (19/10)As cotações apresentaram recuperação com rumores otimistas sobre empresas do setor elétrico. Também correram boatos de que as províncias estivessem próximas de um acordo com o governo argentino.

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