Mercados: resumo da semana

A semana começou com o temor de que a queda do avião da American Airlines fosse um novo atentado terrorista. As bolsas no mundo inteiro entraram em queda e o dólar começou a subir. Porém, as evidências trataram logo de descartar esta hipótese e os mercados recuperaram a estabilidade. Aliás, essa é a palavra que melhor descreve o comportamento das cotações na semana. As oscilações foram muito pequenas, predominando um leve otimismo, ainda cauteloso.A redução no volume de negócios que se observou na semana já era esperada, devido ao feriado nos Estados Unidos na segunda-feira e no Brasil na quinta-feira. Já na Argentina, o risco país não parou de crescer, assim como a apreensão dos investidores estrangeiros.Risco de calote não está descartadoA situação argentina piorou ainda mais. O Fundo Monetário Internacional (FMI) cancelou a linha de apoio financeiro ao país vizinho e não deu sinais de que os recursos de acordos já fechados sejam antecipados. O Banco Mundial seguiu a mesma linha. Para poder receber investimentos, o país precisaria primeiro reestruturar sua dívida e cumprir com a promessa do déficit zero.O país continua tentando a antecipação de US$ 1,6 bilhões prometidos pelo Fundo para dezembro. Esses recursos seriam indispensáveis para que o governo possa honrar compromissos externos que vencem no final de novembro. No entanto, segundo analistas, este dinheiro poderia não ser suficiente, mesmo se fosse liberado. E o FMI não dá sinais de empenho no assunto.A possibilidade de calote da dívida aumentou ainda mais e o ministro da Economia, Domingo Cavallo, confirmou ter discutido a dolarização da economia com o secretário do Tesouro norte-americano, Paul O´Neill. Hoje o risco país da Argentina fechou em 2.766 pontos (leia mais a respeito no link abaixo). As dificuldades políticas também são grandes e o presidente Fernando De la Rúa ainda não conseguiu que todos os governadores assinassem o acordo de corte no repasse de verbas federais. O acordo inclui a eliminação do déficit em todas as esferas de governo e renegociação das dívidas das províncias. Nove governadores da oposição recusam-se a aceitar os termos propostos.Recessão nos Estados Unidos preocupaOs números da economia norte-americana confirmaram o cenário de forte recessão, acentuado após os ataques terroristas em 11 de setembro. A produção industrial norte-americana caiu 1,1% em outubro em comparação com setembro, o maior declínio mensal desde novembro de 1990.Ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou a projeção de crescimento para os EUA. Embora haja a expectativa de crescimento, a previsão para 2001 caiu dos iniciais 1,3% para 1,1%. Já para 2002, a queda na projeção foi mais acentuada: de 2,2% para apenas 0,7%, o que pode ser considerado o desempenho mais fraco registrado desde o fim da última recessão, em 1991.Com o objetivo de incentivar o consumo e o setor produtivo, o Banco Central dos Estados Unidos (Fed) já promoveu um corte de 1,5 ponto porcentual na taxa de juros do país após os atentados. Com isso, a taxa está hoje no patamar de 2,0% ao ano. Por outro lado, com a queda da inflação, os juros reais da economia não estão caindo no mesmo ritmo, o que coloca em risco o objetivo do Fed. As vitórias da Aliança do Norte no Afeganistão tiveram um impacto positivo e animaram um pouco os mercados mundiais com a possibilidade de que os conflitos na Ásia Central acabem antes do esperado. O Taliban foi sendo expulso das principais cidades do país, inclusive Cabul, sem grande desgaste para os Estados Unidos.Queda no preço do PetróleoA queda do preço do petróleo no mercado internacional teve impacto direto sobre as cotações dos papéis da Petrobrás. Hoje, o preço do barril do petróleo tipo brent estava cotado a US$ 17,55 - uma baixa de 2,11% em relação ao preço de ontem. As ações ordinárias (ON, com direito a voto) da Petrobrás estavam em queda de 7,18% e as preferenciais (PN, sem direito a voto), em baixa de 6,92%. Para o Brasil, este foi um sinal positivo, pois os índices de inflação e a balança comercial ficam menos pressionados, pois a baixa representa uma economia com as importações e gasolina mais barata nos postos. A recuperação dos preços do produto é improvável, mas pode acontecer, dependendo de um acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) com os demais países exportadores - especialmente a Rússia - para cortar a produção global.MercadosOs mercados mantiveram-se estáveis ao longo da semana. O dólar comercial para venda não sofreu oscilações e ficou em R$ 2,53. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) também seguiu estável, com ligeira alta. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - apresentou leve alta e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - variou pouco e permaneceu em patamar ligeramente superior à semana passada.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-1,28%+2,79%-0,72%, - %+0,44%Dólar (cotação)R$ 2,5520R$ 2,5520R$ 2,5450R$ - R$ 2,5280Juros (DI a termo ao ano)20,800%20,702%20,800% - %20,520%Nasdaq (variação)+0,64%+2,82%+0,59%-0,14%-0,10%Dow Jones (variação)-0,56%+2,06%+0,74%+0,50%-0,05%Dia-a-dia:Segunda-Feira (12/11)A queda do avião da American Airlines em Nova York assustou os investidores, mas a reação no final do dia foi moderada. Outra má notícia foi a recusa do FMI em apoiar a Argentina. Terça-Feira (13/11)Dados preliminares sugeriram que a queda do avião da American foi mesmo acidental, um alívio para os investidores. Boas notícias também da guerra no Afeganistão animaram as altas de hoje. Quarta-Feira (14/11)Quando parecia que a euforia do mercado brasileiro tinha passado, o anúncio de conclusão do acordo do governo da Argentina com as províncias fez o dólar despencar. Sexta-feira (16/11)Nessa sexta-feira espremida entre feriado e final de semana, os mercados operaram com bastante tranqüilidade de otimismo moderado.

Agencia Estado,

16 de novembro de 2001 | 22h26

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