Mercados: resumo da semana

A onda de otimismo prevaleceu no mercado financeiro esta semana. As contas externas estão equilibradas com perspectiva de crescimento modesto para o País em 2001 e um pouco maior em 2002. Comparado à forte desaceleração da economia mundial, este não é um resultado ruim. Outra novidade animadora foi o anúncio de redução das metas de racionamento ontem pelo governo. Embora o problema não tenha sido resolvido, este pode ser o sinal de que os dias de economia de energia podem estar contados. Mesmo tendo impacto sobre a economia, os investidores perceberam que os alardes catastróficos sobre o racionamento não se confirmaram. Há um consenso de que seu fim seria um alívio. No entanto, os níveis de água nos reservatórios continuam muito baixos e é preciso esperar o resultado das chuvas de verão, no início do ano, para se fazer uma análise real da situação da energia elétrica no País, assim como definir o futuro do racionamento de energia às vésperas das eleições presidenciais de 2002.O dólar não parou de recuar. Hoje, fechou em R$ 2,503, menor valor desde 16 de agosto. Com isso, analistas acreditam que a pressão exercida pela alta do dólar nas taxas de inflação esteja se esgotando, embora a inflação projetada para o ano que vem já chegue próximo do limite máximo da meta. O que também ajudou na queda do dólar foi a notícia de que a Ambev pretende captar um volume de até US$ 1 bilhão no mercado externo. Em conseqüência destes resultados animadores, aumenta as apostas em uma redução da Selic - taxa básica referencial de juros da economia -, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Já na última reunião, realizada nesta quarta-feira, a manutenção da taxa em 19% ao ano não surpreendeu e, por isso, não houve reação nos mercados.O preço do barril de petróleo também continua em queda. Após várias negociações, a Rússia aderiu timidamente à proposta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) - da qual não faz parte - e concordou em diminuir sua produção em apenas 50 mil barris diários, quando o mercado esperar uma redução de 150 mil. Para o Brasil e outros países importadores, a redução do preço do petróleo pode significar um reforço nas contas externas. Argentina à espera de um alentoNão houve nenhum alento expressivo para a Argentina, pelo contrário. O ministro da Economia, Domingo Cavallo, admitiu esta semana que não poderá cumprir com o déficit zero no último trimestre do ano, na verdade o resultado pode ser um déficit de até US$ 2 bilhões. E as perspectivas para o próximo ano são ruins com o adiamento dos compromissos e aumento da recessão que pode levar a uma queda maior da arrecadação fiscal.A situação do país continua grave. A desconfiança dos investidores sobre a capacidade da Argentina em honrar seus compromissos provocou, além da elevação do risco país, a fuga constante de reservas internacionais - em 21 de setembro, estas reservas somavam US$ 21.908 e, na quarta-feira, chegaram a US$ 18,34 bilhões. E, se o governo não conseguir a antecipação de US$ 1,260 bilhão do Fundo Monetário Internacional (FMI), terá de sacar recursos de suas reservas para pagar suas contas, o que aumentará ainda mais o rombo.O risco país manteve-se em patamares altos. Chegou a 3.000 pontos base esta semana e não apresentou queda significativa - de ontem para hoje, declinou apenas 67 pontos base e ficou em 2.961. Já a taxa no Brasil manteve-se abaixo de 1.000 pontos base, o que evidencia cada vez mais o "descolamento" entre os dois países, acentuado no últimos dias. Hoje, a proposta dos bancos argentinos para a troca de títulos da União chegou a um total de US$ 12,5 bilhões. Esta negociação faz parte de uma operação maior que inclui os fundos de pensão, cuja proposta deve sair na segunda-feira, e também os empréstimos feitos às Províncias. O governo espera conseguir trocar no mínimo US$ 30 bilhões de um total de US$ 63 bilhões que se encontram no mercado. À espera da retomada da economia norte-americanaOutro motivo de preocupação para os investidores ainda são os Estados Unidos. Aguarda-se uma retomada da atividade econômica do país. Afinal, a recuperação da economia norte-americana refletiria diretamente no cenário mundial, inclusive no Brasil. Porém, os números do país ainda revelam um desaquecimento forte. O Banco Central dos Estados Unidos (Fed) vem adotando uma política significativa de corte de juros ao longo do ano a fim de incentivar o consumo, a produção do país e, assim, reverter este quadro. Na próxima reunião no dia 11 de dezembro, espera-se mais um corte entre 0,25 e 0,5 ponto porcentual nas taxas de juros, atualmente em 2% ao ano, portanto, abaixo da inflação. MercadosOs mercados mantiveram o otimismo com certa dose de cautela ao longo da semana. O dólar comercial para venda teve queda significativa na primeira semana de novembro. Mas, a partir de então, vem sendo negociado em torno de R$ 2,53. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) vem se recuperando desde o dia 4 de outubro, apresentando uma alta de 33,42%. Nos últimos três dias, teve uma alta acentuada de 6,21%. Nos Estados Unidos, desde os atentados terroristas de 11 de setembro, as bolsas apresentaram queda e começaram a se recuperar a partir do final de setembro. A partir do dia 14 de novembro, têm apresentado pouca oscilação. O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York teve alta de 20,93%, a partir do dia 24 de setembro. E a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - apresentou recuperação a partir do dia 22 de setembro, com alta de 33,73%. Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)+0,82%-2,69%+1,23%+1,77%+3,10%Dólar (cotação)R$ 2,52R$ 2,555R$ 2,544R$ 2,534R$ 2,504Juros (DI a termo ao ano)19,980%20,370%20,110%20,250%20,5040%Nasdaq (variação)+1,89%-2,79%-0,29% +1,50%Dow Jones (variação)+1,11%-0,75%-0,67% +1,27%Dia-a-dia:Segunda-Feira (19/11)O otimismo continuou no mercado financeiro no Brasil. O resultado da balança comercial reforçou este clima. Os mercados apostavam na manutenção da taxa Selic pelo Copom, que se reuniu na terça e na quarta.Terça-Feira (20/11)O otimismo ficou em segundo plano e os mercados operaram em compasso de espera durante toda a manhã. Quarta-Feira (21/11)Depois dos susto com o risco país da Argentina, que chegou a 3.171 pontos, os mercados acalmaram-se à tarde, apresentando uma ligeira recuperação. O mercado apostou na manutenção da Selic em 19% ao ano pelo Copom, que se reuniu naquele dia, o que se confirmou.Quinta-feira (22/11)Sem surpresas com a manutenção da Selic e com as bolsas nos EUA paradas, os mercados voltaram a operar com poucas oscilações, mantendo o otimismo.Sexta-feira (23/11)Os mercados tiveram um dia eufórico enquanto os mercados internacionais estavam meio parados.

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