Mercados: resumo da semana

Depois da euforia das últimas semanas, o otimismo dos mercados - considerado exagerado por alguns analistas - começou a se retrair, reforçado pelas declarações do Banco Central (BC) e pela ata do Comitê de Política Monetária (Copom). O presidente do BC, Armínio Fraga, anunciou que a inflação deverá continuar pressionada, devido aos reajustes de energia elétrica, estimados em 30% para o ano que vem. Para manter a meta de inflação de 3,5% - prioridade para o próximo ano -, o BC não deve reduzir a Selic, taxa básica de juros da economia, nos próximos meses, como esperavam muitos investidores. Embora o governo esteja cauteloso, as contas externas mostraram sinais positivos, principalmente em relação aos investimentos diretos estrangeiros, que devem ficar em US$ 19 bilhões este ano. Ontem, a divulgação do resultado do IGP-M de novembro preocupou o mercado de juros. O resultado ficou no topo das expectativas dos economistas. O índice apresentou alta de 1,10%, enquanto as previsões ficavam entre 0,90% e 1,15%. É bom lembrar que as tarifas de energia elétrica costumam ser corrigidas por este índice.No terceiro trimestre, a economia cresceu apenas 0,34% este ano em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este foi o pior desempenho desde o terceiro trimestre de 1999, quando foi registrada uma queda de 0,58%. O racionamento de energia elétrica, que teve início em junho, foi um dos fatores apontados para o pior desempenho do PIB brasileiro em dois anos. Crise argentina agrava-se A Argentina mergulha cada vez mais na crise. A principal preocupação do governo e de analistas econômicos foi a saída sistemática de depósitos dos bancos, o que ameaçaria o regime de conversibilidade. Analistas falam em corrida aos bancos para saques em massa dos depósitos desde ontem. Embora o presidente Fernando De la Rúa tenha afirmado que a paridade cambial esteja garantida, houve fortes indícios no mercado de que o país possa não resistir às pressões do Fundo Monetário Internacional (FMI) para desvalorizar o peso.A situação do país é crítica. Houve diversos boatos - desmentidos pelo governo - de desvalorização cambial, dolarização, congelamento dos depósitos, renúncias e feriado bancário na próxima segunda e terça-feira. Outro temor é de que o FMI não libere a última parcela do empréstimo de US$ 1,260 bilhão. Segundo o governo argentino, este dinheiro seria liberado perto do dia 20 de dezembro. No entanto, o país precisaria deste recurso até o dia 14 de dezembro, quando deverá honrar compromissos no valor de US$ 958 milhões. O risco país continua batendo recordes. Atingiu 3.439 pontos-base e as instituições financeiras suspenderam os empréstimos interbancários. A desconfiança é geral a ponto de o anúncio do sucesso da troca de títulos do governo com investidores locais não ter surtido efeito. O resultado final desta troca - perto de US$ 40 bilhões - será divulgado ainda hoje. Retração da economia norte-americanaNos Estados Unidos, dados divulgados na segunda-feira revelaram que a economia entrou em recessão em março, sendo agravada pelos atentados terroristas. Apesar de algumas indicações otimistas, a queda foi maior que o esperado. Analistas já falam em novo corte de juro básico - de 2% para 1,75% ao ano - na próxima reunião do Fed - banco central norte-americano -, em 11 de dezembro.De acordo com a primeira revisão do PIB do terceiro trimestre, divulgada pelo Departamento do Comércio dos EUA, a retração da economia norte-americana no terceiro trimestre foi maior que o previsto. Foi de 1,1% no período, superior à expectativa de 0,8%, projetada por analistas. Esta foi a maior retração desde 1991, quando o PIB caiu 2%. A estimativa final do PIB será divulgada no próximo mês. MercadosDepois do pico de otimismo, houve um certo recuo do mercado. O dólar comercial para venda teve queda de 9,92%, desde o dia 8 de outubro, e fechou hoje em R$ 2,4960. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) vem se recuperando desde o dia 4 de outubro e, com o pico de euforia nesta semana, acumulou alta de 34,55%. Mas, nos últimos três dias, o quadro reverteu-se e a queda foi de 4,69%.Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - apresentou leve alta e segue estável, assim como a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)+2,50%-1,14%-4,29%-2,17%+1,53%Dólar (cotação)R$ 2,4800R$ 2,4720R$ 2,4820R$ 2,5400R$ 2,4960Juros (DI a termo ao ano)20,200%20,500%21110%21,800%21,650%Nasdaq (variação)+2,00%-0,27%-2,48%+2,40%-0,14%Dow Jones (variação)+0,23%-1,10%-1,63%+1,21%+0,23%Dia-a-dia:Segunda-Feira (26/11)As contas externas tornaram a agradar os investidores e o mercado acreditava na liberação de US$ 1,26 bi do FMI para a Argentina. Provável aumento nas tarifas de energia também agradaram.Terça-Feira (27/11)Os mercados passaram por um momento de correção dos ativos, mas mantêm as perspectivas positivas em relação aos fundamentos econômicos em 2002.Quarta-Feira (28/11)As incertezas externas e a perspectiva de que os juros internos não venham a cair tão cedo levaram os investidores a embolsar os ganhos recentes com ações, vendendo-as. Mas o dólar permaneceu baixo. Quinta-feira (29/11)A ata da última reunião do Copom revelou grande preocupação do governo com controle da inflação e a crise na Argentina voltou a se agravar. Com isso, o pessimismo tomou conta do mercado.Sexta-feira (30/11)Sem recuperar totalmente as perdas de ontem, os mercados brasileiros tiveram um dia mais otimista, ignorando o pânico na Argentina.

Agencia Estado,

30 de novembro de 2001 | 22h34

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