Mercados: resumo da semana

Houve recuo na euforia das últimas semanas e as altas e baixas das cotações nos mercados vem se anulando, sem indicar tendência. No longo prazo, mantém-se a tendência de otimismo com muita cautela. No câmbio, a expectativa de que o País continue recebendo fortes entradas pressionou a moeda norte-americana para baixo, que chegou a R$ 2,3320 na segunda-feira, a menor cotação desde o dia 2 de julho, para depois se estabilizar próximo de R$ 2,37. Analistas acreditam que, se o fluxo de divisas se retrair, retornando a um padrão mais típico, o dólar pode ficar em um patamar mais elevado que o atual, entre R$ 2,30 e R$ 2,50. A suspensão das vendas diárias de US$ 50 milhões no mercado anunciada pelo governo contribui para essa expectativa. O Banco Central realizou hoje a troca de papéis cambiais com vencimento antes das eleições presidenciais de 2002 por outros de prazos maiores, com vencimentos em 2005 e 2006, segundo e terceiro anos do próximo mandato presidencial. A operação chegou a um pouco mais da metade dos cerca de R$ 2 bilhões de papéis ofertados, a taxas de juros entre 11,60% e 12,70%. O sucesso foi parcial, dado o volume baixo e as taxas elevadas, o que revela a pouca disposição dos investidores em assumir riscos, devido à incerteza sobre a sucessão presidencial, embora a troca tenha atingido a expectativa dos mercados. O teste de hoje foi a primeira tentativa do BC em evitar oscilações bruscas no ano que vem. Apenas no primeiro semestre vencem US$ 15,9 bilhões em títulos. Uma grande preocupação dos mercados é a evolução da inflação de 2002. Na quarta-feira, os números divulgados em relação à primeira semana de dezembro agradaram os investidores. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) ficou em 0,36% e o oficial Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 0,71%. Os dois ficaram abaixo das expectativas e apontam para uma queda na inflação em dezembro. Assim, a meta revisada para 2001 pode ser cumprida, assim como a de 2002, apesar de estar bastante apertada. No entanto, ainda não é possível afirmar quando haverá redução da Selic - a taxa básica referencial de juros da economia -, atualmente em 19% ao ano. Crise argentina caminha para colapso A crise argentina parece não ter fim, mas caminha para um colapso. O descontentamento é geral. Ontem, o presidente, Fernando De la Rúa, enfrentou a sétima greve geral de seu governo com caixas eletrônicos incendiados, ônibus apedrejados e conflitos com a polícia. As preocupações dos investidores aumentaram ainda mais com a renúncia, na sexta-feira, do vice-ministro da Economia, Daniel Marx, o que prova a crise política que o país enfrenta. Para tentar conter os problemas decorrentes da crescente queda na arrecadação fiscal e a recusa do Fundo Monetário Internacional (FMI) na liberação do US$ 1,26 milhão, que era esperado para este mês, o governo argentino tomou mais uma medida impopular: adiar o pagamento de aposentadorias e pensões. O adiamento por uma semana atingiu benefícios entre US$ 200 e US$ 2 mil, já para os valores acima de US$ 2 mil, não há data definida e a previsão é de que não sejam pagos antes de janeiro. Como o ministro da Economia, Domingo Cavallo, não admite a reforma do regime cambial, restou ao país realizar cortes drásticos no orçamento, como os dos benefícios de aposentados e pensionistas, após haver limitado saques e envio de dólares ao exterior. Por outro lado, na prática, a paridade já não existe. Os doleiros têm aplicado um ágio de cerca de 20% nas trocas de peso por dólar. Mas a equipe econômica insiste na conversibilidade, já que 60% da dívida de cidadãos, empresas e governo estão indexadas em dólar. Ainda em relação à dívida do país, o governo conseguiu pagar hoje, após intensa negociação, os vencimentos em torno de US$ 700 milhões. Porém, este ainda não é o fim. No próximo dia 28, a União precisará de mais US$ 451 milhões para honrar seus compromissos. EUA e Japão em recessão Nos Estados Unidos, o Fed - banco central norte-americano - confirmou a expectativa do mercado cortando a taxa de juro básico do país, que passou de 2% para 1,75%, inferior à inflação e a mais baixa em quarenta anos. Com isso, o governo pretende estimular o consumo e o investimento e, assim, possibilitar a retomada do crescimento econômico, prevista para o segundo semestre de 2002. No entanto, os últimos dados divulgados sobre a economia do Japão e Estados Unidos revelam que a economia dos dois países está em recessão. O CPI - Índice de Preços ao Consumidor - norte-americano, por exemplo, ficou acima do esperado, o que mostra que a política de queda de juros talvez esteja chegando ao limite. Além disso, a Europa enfrenta forte desaceleração econômica. E o Brasil pode vir a ser afetado por estes fatores, somados ao colapso da Argentina, dependendo do desfecho da crise. Mercados O otimismo das últimas semanas deu lugar à estabilidade. O dólar comercial chegou à cotação mais baixa desde o dia 2 de julho, na segunda-feira, fechando em R$ 2,3320, para voltar a subir e fechar em R$ 2,3800 na terça-feira. A partir de então, as variações foram insignificantes. A moeda norte-americana registra quedas desde 25 de outubro, acumulando uma desvalorização de 12,45%. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) recupera-se desde o dia 4 de outubro. Desde então, apresentou alta de 28,80%. Nos últimos dias, não tem indicado tendência clara, com altas e quedas se anulando. Após os atentados, as bolsas norte-americanas vêm se recuperando. Mas, desde o dia 5 de dezembro, vêm apresentando tendência de baixa suave. Desde o dia 21 de setembro, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - registra alta de 19,13% e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York, 37,24% Veja abaixo as cotações de fechamento da semana:   segunda-feira terça-feira quarta-feira quinta-feira sexta-feira Bovespa (variação) +1,11% -0,73% +1,60% -3,05% -1,44% Dólar (cotação) R$ 2,3320 R$ 2,3800 R$ 2,3710 R$ 2,3740 R$ 2,3770 Juros (DI a termo ao ano) 20,470% 20,300% 20,380% 20,350% 20,472% Nasdaq (variação) -1,44% +0,49% +0,47% -3,23% +0,34% Dow Jones (variação) -1,27% -0,33% +0,06% -1,30% +0,46% Dia-a-dia: Segunda-Feira (10/12) Na onda de otimismo sustentada pelas declarações de Armínio Fraga e previsões mais otimistas das instituições financeiras, o dólar despencou. Terça-Feira (11/12) A forte queda do dólar atraiu compradores. Ainda assim, a tendência de queda das últimas semanas era mantida. Argentina enfrentou greve geral na quinta-feira e falava-se em moratória na sexta. Quarta-Feira (12/12) Enquanto as expectativas de colapso financeiro na Argentina não se confirmavam, os mercados mantinham o otimismo com as fortes entradas de dólares e melhores perspectivas para a economia em 2002. Quinta-feira (13/12) O otimismo dos mercados, que começou em meados de outubro, parecia estar se esgotando e dando lugar a um período de maior estabilidade. As cotações tiveram menor variação já que a reação à melhora das expectativas estava saturada. Sexta-feira (14/12) O assunto do dia foi a operação de troca de títulos cambiais promovida pelo governo, que teve sucesso relativo. Na Argentina, a saída de Daniel Marx da equipe econômica não agradou.

Agencia Estado,

14 Dezembro 2001 | 23h57

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