Mercados: resumo da semana

Prevaleceu o otimismo nos mercados neste início de ano, acentuado pelos bons resultados das contas externas. O feriado na terça-feira, incluindo a paralisação dos mercados na segunda-feira, reduziu o volume de negócios. Paralelamente, as incertezas em relação à Argentina ainda causam apreensão, enquanto não for anunciado o pacote econômico. O fator mais bem-recebido foi o resultado positivo da balança comercial, um superávit de US$ 2,643 bilhões, o primeiro desde 1994. Somada ao bom desempenho do comércio externo, a captação expressiva de empresas brasileiras no exterior, ajudam a manter o dólar em patamares baixos. A moeda norte-americana chegou a atingir a cotação de fechamento mais baixa desde maio de 2001 nesta semana R$ 2,2950 e recuperou a alta hoje, fechando em R$ 2,3270. Quanto aos juros, muitos analistas já fazem previsão de redução da Selic - a taxa básica referencial de juros da economia - no curto prazo e há quem aposte em um corte na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no dia 23. A meta de inflação para este ano é apertada, de 3,5% com margem de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. De qualquer modo, já se avalia que o índice esteja em queda, reforçado pela redução dos preços dos combustíveis, aumento das tarifas de energia abaixo do esperado e proximidade do fim do racionamento com as fortes chuvas de verão. Assim, pode haver espaço para uma queda nos juros, aposta de muitos investidores, já que as taxas de mercado estão abaixo da Selic.Incertezas argentinas e cenário internacionalO pacote argentino deverá ser anunciado amanhã. Embora fique claro o descolamento do Brasil, os mercados permanecem atentos aos desdobramentos das medidas do governo. Em discurso logo após a sua posse, Eduardo Duhalde - o quinto presidente em doze dias - já havia admitido o fim da conversibilidade e a declaração de moratória. Ele deverá cumprir os dois anos restantes do mandato do ex-presidente Fernando De la Rúa, até dezembro de 2003.Algumas medidas já foram antecipadas sobre a Argentina, mesmo sem um comunicado oficial do pacote. Entre as informações divulgadas na imprensa, o país deverá adotar dois tipos de câmbio: um fixo, com lastro em uma cesta de moedas, voltado basicamente ao comércio exterior, e outro flutuante para o restante da economia. Além disso, deve haver a conversão das dívidas de até US$ 100 mil em pesos. O governo tenta conter o pânico com a desvalorização, que pode resultar em uma disparada do dólar e da inflação, e proteger a classe média. Analistas temem que ele não tenha os meios para tanto.Segundo informação da enviada especial a Buenos Aires, Paula Puliti, o Congresso argentino está reunido hoje para analisar e votar o anteprojeto de lei de Emergência Pública e Reforma do Regime Cambial para depois divulgar e implantar o novo pacote econômico. No projeto de lei, o Executivo pede poderes especiais para adotar as seguintes medidas: a fixação de um novo tipo de câmbio entre o peso e o dólar, a regulação de preços, a pesificação dos saldos devedores do cartão de crédito, a liberação de depósitos em dólar em um prazo a ser definido e a criação de um imposto de exportação sobre derivados de petróleo. MercadosNos últimos dias, o dólar reforçou a tendência clara de queda que teve início em 25 de outubro. Desde então, acumula uma desvalorização em torno de 14,29%. Ontem, a moeda norte-americana teve a sua menor cotação de fechamento desde o dia 11 de maio, R$ 2,2950, para se recuperar hoje e fechar em R$ 2,3270. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) apresenta uma clara tendência de alta iniciada em 8 de outubro, registrando alta de 41,97%, e acentuada desde 20 de dezembro com alta de 10,94%.As bolsas norte-americanas recuperam-se desde os atentados de 11 de setembro. Embora a tendência de alta do Dow Jones - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - esteja mais moderada, desde o dia 21 de setembro já acumula alta de 24,57%. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York -, apesar das oscilações desde o dia 5 de dezembro, registra alta desde o dia 21 de setembro de 44,70%.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação) - % - %+2,17%+2,83%+0,46%Dólar (cotação)R$ 2,3350R$ - R$ 2,3040R$ 2,2950R$ 2,3270Juros (DI a termo ao ano)20,100% - %19,480%19,480%19,480%Nasdaq (variação) - % - %+1,48%+3,29%+0,74%Dow Jones (variação) - % - %+0,52%+0,98%0,86%Dia-a-dia:Segunda-Feira (31/12)Como esperado, o volume de negócios nesta véspera de Natal foi muito pequeno. E os mercados seguiram imunes à Argentina. Terça-Feira (01/01)-Quarta-Feira (02/01)O primeiro dia útil registrou boas notícias e expectativas otimistas, apesar do baixo volume de negócios. Quinta-feira (03/01)O otimismo dos mercados levou o dólar a ser negociado a R$ 2,2840 na mínima do dia, e a moeda norte-americana fechou em R$ 2,2950. Esse foi o valor de fechamento mais baixo desde 11 de maio de 2001. Sexta-feira (04/01)O otimismo dos últimos dias parece ter encontrado seus limites hoje, e as cotações nos mercados, especialmente de câmbio, foram corrigidas ligeiramente.

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