Mercados: resumo da semana

Houve recuo no otimismo que tomou conta dos mercados nas últimas semanas. A preocupação com a crise argentina fez o dólar e os juros subirem e a Bolsa de Valores de São Paulo cair. A captação do governo brasileiro de dólares nos mercados internacionais - no total de US$ 1,25 bilhão - e a declaração do diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, de que os investimentos diretos estrangeiros no Brasil ficaram perto de US$ 23 bilhões, bem acima da estimativa de US$ 19 bilhões, foram as boas notícias da semana.Os números da inflação divulgados hoje ficaram acima das expectativas e surpreenderam os mercados. O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe da primeira quadrissemana de janeiro ficou em 0,46%, enquanto a expectativa era de uma variação entre 0,20% e 0,30%. E o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado) de dezembro, ao invés de uma variação entre 0,30% e 0,50%, como previa o mercado, atingiu 0,65%. Na pesquisa do Banco Central, a expectativa era de 0,39%. Com a divulgação destes índices, a possibilidade de redução da Selic - taxa de juros básica da economia - na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) é menor, embora ainda não esteja totalmente descartada. Ainda há boas notícias, como as projeções de término próximo do racionamento de energia, graças ao grande volume de chuvas nos últimos dias, e uma possível queda dos preços dos combustíveis além dos atuais níveis, abaixo do previsto pelo governo. Os investidores aguardam a confirmação destas expectativas antes de retomar as apostas de redução dos juros. Fim do feriado bancário na ArgentinaA instabilidade política aumentou na Argentina com o anúncio das medidas econômicas e já começaram a surgir boatos de renúncia do presidente Eduardo Duhalde e sua equipe. Sem perspectivas definitivas para o fim da crise, o mercado brasileiro começou a ser afetado pelo país vizinho e observa atentamente as reações às novas medidas. Os manifestantes voltaram às ruas ontem contra o cronograma de devolução dos depósitos bancários, os em dólar até 2003 e os saldos em peso, a partir de março deste ano. Porém, o fim do feriado bancário hoje teve uma reação mais modesta do que o esperado. Não houve corrida aos bancos nem ao câmbio, o que deu um certo alívio aos mercados. Hoje foi o primeiro dia de operação do sistema de câmbio duplo, após quase 11 anos de paridade. O câmbio fixo ficou cotado em P$ 1,40 e será usado apenas para as exportações, enquanto o câmbio livre oscilou entre P$ 1,60 e P$ 1,80 e será usado para o restante da economia. Sob pressão dos bancos, que temem um grande prejuízo, o governo voltou atrás sobre a decisão de pesificar todas as dívidas em dólar até US$ 100 mil. Agora, este limite vale apenas para as dívidas imobiliárias em dólar, o restante dos empréstimos terão limites menores. Compra de carros, por exemplo, ficará em US$ 30 mil e empréstimos pessoais, em US$ 10 mil. Ainda assim, não se sabe de onde sairão os recursos para garantir essa conversão na proporção de um peso por dólar. Os bancos terão enormes prejuízos, e não se vê solução para o problema.Retomada gradual da economia nos EUAHoje, o presidente do Federal Reserve (Fed), Alan Greenspan, fez seu primeiro pronunciamento sobre as perspectivas da economia nos próximos três meses. Ao invés de anunciar a recuperação econômica e o fim do corte de juros, afirmou que a economia norte-americana ainda enfrenta riscos no curto prazo, apesar de alguns sinais de melhora. Segundo ele, estes sinais ainda não seriam suficientes para permitir uma recuperação constante da atividade econômica. MercadosO dólar comercial vinha em queda desde 8 de outubro de 2001. Mas, desde o início do ano, voltou a subir com força. Desde o dia 3 de janeiro, quando chegou a ser cotado a R$ 2,2950, já subiu 4,66%. Ainda assim, a queda acumulada desde 8 de outubro é de 13,32%. O inverso ocorreu na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Desde 8 de outubro, a alta acumulada é de 34,60%, mas nos últimos dias, desde 7 de janeiro, apresenta queda de 5,50%. Nos Estados Unidos, as bolsas vêm se recuperando desde os atentados de 11 de setembro. O Dow Jones - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - iniciou uma tendência leve de queda desde o dia 7 de janeiro, acumulando desvalorização de 2,05%. Mas, no acumulado desde 21 de setembro, ainda registra alta de 21,27%. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - não teve muitas oscilações nos últimos dias e apresenta alta de 42,11% a partir de 21 de setembro.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)+0,33%-1,47%-1,04%-3,21%+0,13%Dólar (cotação)R$ 2,33R$ 2,3740R$ 2,3670R$ 2,4220R$ 2,4020Juros (DI a termo ao ano)18,92%19,04%19,14%19,38%19,38%Nasdaq (variação)-1,08%+0,91%-0,53%+0,11%-1,21%Dow Jones (variação)-0,60%-0,46%0,56%-0,26%-0,80%Dia-a-dia:Segunda-Feira (07/01)Os mercados iniciaram o ano eufóricos com a melhora no cenário interno. Agora, com o pacote argentino, os investidores interromperam a onda otimista e acompanharam os acontecimentos Terça-Feira (08/01)As apreensões em relação ao novo pacote argentino, que deve estrear amanhã, inspiraram movimentações pessimistas no mercado. Quarta-Feira (09/01)O dia nos mercados foi tranqüilo e houve pequena variação nas cotações. Mas as atenções continuaram focadas na Argentina, enquanto os investidores apostaram em queda da Selic em janeiro. Quinta-feira (10/01)O dia foi de muito pessimismo nos mercados financeiros por uma série de más notícias. A eterna crise argentina, alta do IGP-M e regulamentação do setor elétrico derrubaram o humor dos investidores. Sexta-feira (11/01)Sem pesos e com depósitos bloqueados, os argentinos não correram aos bancos hoje para comprar dólares e os mercados tiveram um dia relativamente tranqüilo.

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