Mercados: resumo da semana

Nem a euforia do final do ano nem o pessimismo da última semana prevaleceram no mercado. Ao invés disso, um certo equilíbrio tomou conta dos negócios. Frente a um quadro de recessão da economia mundial e com a atenção voltada à crise argentina e à recuperação da economia norte-americana, os investidores mantêm a cautela, porém com um ligeiro otimismo. Houve sinais positivos nos últimos dias: o dólar voltou a cair e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a subir. Além disso, as empresas brasileiras seguem com a forte entrada de capitais, o que pressiona o dólar a cotações abaixo de R$ 2,40, e a balança comercial continua a apresentar saldo positivo de U$ 250 milhões, na segunda semana de janeiro.Porém, a inflação voltou a surpreender. O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe da segunda quadrissemana de janeiro, divulgado hoje, ficou em 0,58% contra 0,46% da primeira quadrissemana. Embora a previsão tenha ficado no intervalo de 0,4% a 0,6%, o mercado esperava um IPC menor, entre 0,4% e 0,5%. A previsão para o ano ainda continua em 4%, mas com a divulgação deste índice, a hipótese de redução da Selic - taxa de juros básica da economia - na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na próxima semana fica descartada, abrindo esta possibilidade apenas no longo prazo.Flexibilização do "corralito"A crise argentina continuou a causar preocupação. As incertezas são muitas, ainda mais sem a definição clara das diretrizes do plano econômico para recuperação do país. Nesta semana, o governo decidiu flexibilizar o "corralito". Agora, os depósitos até U$ 5 mil podem ser convertidos à taxa oficial de 1,40 peso, o que atinge cerca de 78% dos poupadores, para saques limitados a no máximo 1,5 mil pesos por mês e pagamento de salários e dívidas. Também será criado uma espécie de Proer para evitar uma crise no sistema financeiro. O prejuízo dos bancos foi estimado entre US$ 9 bilhões e US$ 20 bilhões. No paralelo, a moeda norte-americana chegou a $2,35 pesos e o BC teve de intervir no mercado, vendendo dólares diariamente para controlar a desvalorização. Ainda assim, o dólar não caiu abaixo de $1,80 peso, o que pressiona a inflação e aumenta o descontentamento popular. Além da difícil tarefa de recuperar a economia, o grande desafio do presidente Duhalde é conter a onda de protestos e violência que vem aumentando na proporção da irritação dos argentinos. A boa notícia foi a evolução nas negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A União Européia passou a defender a ajuda financeira ao país, e até os Estados Unidos passaram a uma atitude mais flexível. O Fundo concedeu anistia dos pagamentos devidos nos próximos doze meses, e uma missão do Fundo chegará na semana que vem ao país. Ainda assim, os países ricos insistem que o governo apresente um plano econômico consistente, uma tarefa difícil se Duhalde não tiver coragem de sepultar medidas populistas e encarar a necessidade de atitudes drásticas neste primeiro momento. Outras incertezas que preocupamA Argentina não parece isolada na crise; Venezuela e Colômbia também enfrentam momentos difíceis. Embora ainda não tenha reflexos concretos no Brasil, esta instabilidade preocupa os investidores. O medo maior é de que a crise comece a se espalhar pela América Latina e saia do controle. Outro fator de instabilidade são as eleições presidenciais em 2002, não só no Brasil, mas também no Equador, Bolívia e Colômbia.Enquanto a Bovespa inverteu a queda dos últimos dias, as bolsas nos Estados Unidos mantêm uma tendência clara de baixa, que refletem as perdas com a falência da Enron e a recessão no país. Também os resultados das empresas no quarto trimestre desagradaram e acabaram causando a queda de preços das ações. Além disso, o presidente do Federal Reserve (Fed), Alan Greenspan, anunciou na semana passada que a economia ainda enfrenta riscos no curto prazo, apesar de alguns sinais de melhora.MercadosO dólar vinha em queda, mas voltou a subir no início do ano. Em 11 de janeiro, chegou a ser cotado em R$ 2,4020, mas, desde então, estabilizou-se num patamar mais baixo, próximo de R$ 2,37. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vem se recuperando desde 8 de outubro de 2001, acumulando alta de 32,50%. Nas duas primeiras semanas do ano, inverteu a mão e sofreu queda de 8,78%. Nos últimos três pregões, apresentou leve alta. Nos Estados Unidos, as bolsas - que vinham se recuperando desde os atentados de 11 de setembro - iniciaram uma tendência clara de queda desde 7 de janeiro. Desde então o Dow Jones - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - acumulou uma desvalorização de 4,17%, enquanto a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - apresenta queda no mesmo período de 5,24%.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-3,43%-0,85%+0,56%+1,93%+0,27%Dólar (cotação)R$ 2,3960R$ 2,3750R$ 2,3680R$ 2,3810R$ 2,3660Swap de juro prefixado20,65%20,86%20,77%20,32%20,08%Nasdaq (variação)-1,57%+0,51%-2,82%+1,93%-2,79%Dow Jones (variação)-0,96%+0,33%-2,14%+1,42%-0,79%Dia-a-dia:Segunda-Feira (14/01)As crises na Venezuela e na Colômbia somaram-se às preocupações com a recuperação da economia dos EUA e com a crise argentina, e a Bolsa despencou. Terça-Feira (15/01)O mercado recuperou-se do susto de ontem com as diversas crises em países vizinhos, e vinha se recuperando. Mas a Argentina voltou a assustar no meio da tarde, com protestos populares e novas medidas. Quarta-Feira (16/01)Os ingressos de dólares mantiveram as cotações baixas no final da tarde, mas a cautela com as bolsas dos EUA e com a crise argentina continua. Quinta-feira (17/01)Depois da euforia da virada do ano e do pessimismo do início de janeiro, os mercados estavam mais equilibrados, e ligeiramente otimistas. Apesar da disparada do dólar na Argentina, aqui os resultados foram mais moderados. Sexta-feira (18/01)Por um lado, perspectivas de crescimento econômico para 2002 e o bom desempenho das contas externas, do outro inflação ainda alta, pressionando a apertada meta do governo e os riscos externos, e os mercados operaram estáveis.

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