Mercados: resumo da semana

Os mercados operaram com tranqüilidade, espremidos entre o feriado em memória de Martin Luther King Jr. nos Estados Unidos na segunda-feira, quando um apagão também paralisou dez Estados do Centro-Sul do Brasil, e do feriado municipal de hoje em São Paulo, em comemoração da fundação da cidade. Os negócios mantiveram-se nos patamares das cotações das últimas duas semanas e com volumes baixos, especialmente nesses dois dias. O maior destaque nesse quadro de estabilidade é o dólar, que registrou cinco altas consecutivas, ainda que modestas, passando de R$ 2,3660 na sexta-feira passada para R$ 2,4130, uma variação de praticamente 2%.Uma das razões para uma pressão maior do câmbio foi a operação de rolagem antecipada de títulos cambiais realizada na quinta-feira. O governo tenta evitar a recompra de papéis no vencimento para evitar riscos, pois a grande maioria dos cambiais, que chegam a quase 30% da dívida pública, vence no segundo trimestre deste ano. Sem opções de aplicação corrigida pelo dólar para o curto prazo, alguns investidores sempre preferem migrar seus recursos para o dólar. É a terceira operação do tipo desde 14 de dezembro, e os resultados foram melhores que os das duas primeiras.Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), não agradou a sugestão do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, de proibição dos celulares pré-pagos como parte de um pacote de combate ao crime organizado, na terça-feira. As ações das empresas de telefonia sofreram quedas, mas na quarta-feira à noite o governo federal já descartava a possibilidade, pelas fortes perdas que traria às empresas de telefonia e por considerá-la pouco eficaz no combate à criminalidade. O apagão da segunda-feira também afetou os papéis das empresas do setor elétrico, que se recuperaram ao longo da semana por não haver relação direta entre o blecaute e a crise energética.O governo brasileiro divulgou os bons resultados das contas externas em 2001. O maior destaque foi o investimento direto estrangeiro, que ficou em US$ 22,636 bilhões, bem acima das previsões. A missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) que veio ao país para rever o acordo em vigor manifestou satisfação com a situação brasileira, mas fez alguns alertas. Segundo o FMI, o país ainda está muito vulnerável a choques externos por causa do déficit nas contas externas e do grande volume de títulos cambiais em vigor. Também recomendou que o governo continue cauteloso em suas políticas, especialmente na área fiscal, um recado que vale para o ano eleitoral e para o próximo presidente.Nos Estados Unidos, as bolsas recuperaram o otimismo com a divulgação de alguns balanços surpreendentemente positivos. Além disso, discurso do presidente do Fed - Banco Central norte-americano - indicou uma possível recuperação - ainda que incipiente - da economia norte-americana. Não se espera mais que o juro básico seja reduzido dos atuais 1,75% ao ano, mas a retomada do crescimento econômico é a melhor notícia possível.Na Argentina, a tensão continua grande, enquanto o governo não determina um rumo mais claro para a economia do país e a população volta a protestar com mais intensidade. O mercado brasileiro segue observando a situação argentina, embora sem contaminação direta.O governo continua vendendo dólares em grandes volumes para tentar conter as cotações no mercado livre. E a equipe técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI) rejeitou o orçamento de 2002, considerando-o excessivamente otimista em suas projeções. O fato dificulta as negociações para a liberação de novos recursos para o país, já que o FMI provavelmente exigirá maior esforços para equilibrar as contas públicas. Além disso, a vice-diretora-gerente do Fundo, Anne Krueger afirmou que considera a quantia pedida pelo governo do presidente Eduardo Duhalde, US$ 15 bilhões, elevada demais. E, por enquanto, a UE, que parecia estar mais empenhada na ajuda à Argentina do que os Estados Unidos, só deu assistência técnica ao país, não financeira.MercadosA Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vem operando sem indicar tendência, com altas e baixas se anulando. E o dólar acumula pequenas altas desde sexta-feira passada, acumulando valorização de 1,99% desde então. Nos Estados Unidos, a reação das bolsas ainda é tímida, mas os últimos três pregões registram ligeiras altas.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-1,63%-1,15%1,76%-0,53%-Dólar (cotação)R$ 2,3740R$ 2,3800R$ 2,3850R$ 2,3980R$ 2,4130Juros (swap de um ano)20,05%20,02%19,77%20,08%-Nasdaq (variação)--2,48%2,12%1,05%-0,25%Dow Jones (variação)--0,59%0,18%0,67%0,45%Dia-a-dia:Segunda-Feira (21/01)Os mercados já vinham operando com volumes ínfimos antes mesmo do apagão que ocorreu na tarde de segunda, e a Bovespa fechou com o menor volume num pregão completo desde setembro de 1999.Terça-Feira (22/01)Mercados esperavam que Copom mantivessem Selic em 19% ao ano. Havia aposta em queda nos juros, mas não esse mês. Na Bovespa, as ações de telefonia celular caíram.Quarta-Feira (23/01)Os mercados apresentaram poucas variações e as ações de telefonia recuperaram-se do susto de terça. Copom divulgou a Selic que, como era aguardado, manteve-se em 19% ao ano.Quinta-feira (24/01)Em dia tranqüilo, o mercado voltou a reforçar a tendência de estabilidade das cotações, mas apresentou ligeiro pessimismo.Sexta-feira (25/01)O feriado municipal em São Paulo paralisou a Bovespa, a BM&F e as principais instituições financeiras do país. O volume de negócios foi mínimo e a falta de notícias garantiu pouca oscilação no câmbio.

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