Mercados: resumo da semana

A semana foi marcada por preocupações de investidores com as empresas norte-americanas e queda nas bolsas em Nova York com reflexos nos mercados brasileiros. Ainda assim, há sinais de retomada da economia norte-americana, muito antes do que se previa. O clima no Brasil foi de estabilidade, com baixo volume de negócios. De maneira geral, não surgiram novidades que estimulassem novas apostas, nem otimistas, nem pessimistas para o médio prazo, e os patamares atuais das cotações se consolidaram, com poucas oscilações no dia-a-dia dos negócios.A ata da reunião mensal de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada nos dias 22 e 23, não chegou a surpreender os investidores, mas trouxe algumas informações importantes sobre a percepção da economia pelo governo. O Comitê reforçou sua postura conservadora, centrando sua análise da pressão inflacionária, não só nos índices de janeiro, que assustaram os investidores, mas também nos de dezembro. O Copom também alertou para os riscos que a crise argentina traz para o Brasil, especialmente por causa das eleições presidenciais. Mas reconheceu que há um pequeno crescimento, que deve se reforçar conforme o ano avança e previu retomada da economia norte-americana já no segundo trimestre de 2002.O anúncio, já esperado, do cancelamento da venda da Companhia Paranaense de Energia (Copel) desanimou os investidores na segunda-feira, assim como o apagão que atingiu o Rio Grande do Sul na terça-feira. Porém, houve boas notícias para as empresas do setor elétrico, com a divulgação de novas normas liberando parte dos preços do setor na quinta-feira. A medida valorizou as ações das elétricas, especialmente da Eletrobrás, que também anunciou uma captação de US$ 220 milhões. Nos Estados Unidos, o Fed - banco central norte-americano - manteve o juro básico da economia em 1,75%, após 11 reduções seguidas, o que representa um sinal de retomada da economia, embora seu presidente, Alan Greenspan, tenha alertado que o quadro ainda é frágil, com riscos de reversão. A manutenção dos juros já era esperada, pois vários indicadores econômicos surpreenderam positivamente o mercado, mostrando que possivelmente a recuperação da economia já esteja a caminho, o que só se esperava para a metade do ano. Porém, ainda há muito nervosismo com os resultados das empresas no quarto trimestre de 2001, que vêm sendo divulgados nos últimos dias. Além disso, os investidores ainda não se recuperaram do susto com o escândalo da Enron e estão muito sensíveis a denúncias de manipulação contábil. Concordatas de grandes empresas nas últimas semanas também assustam. Todos esses fatores renderam baixas nas bolsas do mundo inteiro e oscilações grandes em Nova York, com reflexos no Brasil.Na Argentina, a Corte Suprema decretou inconstitucional o semi-congelamento dos depósitos bancários, conhecido como "corralito", mas apenas para os cidadãos que tenham ação na Justiça contra o governo nessa questão. Temendo as conseqüências da decisão, O Banco Central anunciou feriado bancário na segunda e na terça-feira. Teme-se agora uma avalanche de processos, e, se todo o dinheiro bloqueado for liberado, uma quebradeira dos bancos, que não teriam como honrar saques em massa, e possivelmente uma hiperinflação. A preocupação dos argentinos com a atual situação econômica reflete-se nas cotações da moeda norte-americana no mercado livre, em que o dólar fechou hoje em 2,10 pesos e chegou a ser vendido a 2,15 pesos.Estava previsto para amanhã o anúncio dos detalhes do pacote econômico que vinha sendo elaborado ao longo da semana. O governo argentino, que está em processo de negociação e tenta adequar-se com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial, que exigem um plano confiável para a economia, a livre flutuação do peso e um orçamento realista para 2002. Os argentinos querem US$ 9 bilhões já prometidos pelo o FMI ao ex-presidente Fernando de la Rúa e congelados em função da crise.Entre as novas medidas, fala-se na liberação do câmbio e do abrandamento do corralito. Também é esperada a definição das regras para conversão das dívidas e depósitos bancários em pesos. A expectativa é de que os empréstimos acima de US$ 100 mil sejam convertidos à taxa de $1,20 peso por dólar com um ano de carência para o pagamento do capital e os demais depósitos, a $1,40 peso.Hoje a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) inaugurou o Novo Mercado para estimular o interesse por empresas com mais transparência e clareza na relação com o investidor.MercadosDepois de nove dias de muita estabilidade, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou uma forte queda no início da semana, voltando à estabilidade num patamar mais baixo nos últimos dias. E o dólar, depois de sete pregões acumulando pequenas altas, que somadas chegaram a 3%, manteve-se nos últimos dois dias da semana próximo de R$ 2,41. Nos Estados Unidos, as bolsas vêm patinando nas duas últimas semanas. Tanto Dow Jones - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - como a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York -, oscilaram sem marcar tendência clara de alta ou de baixa no período.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-1,22%-3,85%+0,25%+1,51%-0,50%Dólar (cotação)R$ 2,4250R$ 2,4380R$ 2,4320R$ 2,4140R$ 2,4100Juros (swap de um ano)20,24%20,32%20,40%20,31%20,30%Nasdaq (variação)+0,32%-2,62%+1,82%-1,08%-1,18%Dow Jones (variação)+0,26%-2,51%+1,50%+1,61%-0,13%Dia-a-dia:Segunda-Feira (28/01)Os mercados tiveram um dia tranqüilo, com poucos negócios, e o dólar voltou a subir. Terça-Feira (29/01)Rumores sobre dois grandes grupos empresariais em Nova York derrubaram as bolsas norte-americanas e afetaram os negócios no Brasil. Quarta-Feira (30/01)O volume de negócios não foi tão baixo hoje, e as variações em relação aos fechamentos de ontem foram mínimas. Nova York voltou a influenciar os mercados diretamente. Quinta-feira (31/01)Em um dia de boas notícias para o setor elétrico e para a economia norte-americana, os mercados apresentaram recuperação. Sexta-feira (01/02)Os mercados tiveram um dia tranqüilo, ainda pendendo para a estabilidade. Mas o fim do corralito reacendeu a crise argentina e preocupa.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.