Mercados: resumo da semana

O cenário econômico de estabilidade e a proximidade do carnaval não impulsionaram os negócios. Os mercados mantiveram-se cautelosos com o anúncio do pacote argentino. Os investidores acabaram adotando uma posição mais conservadora devido à véspera do feriado prolongado. Há preocupação com a reabertura do mercado de câmbio na Argentina - marcada para segunda-feira, dia em que os mercados estarão fechados no Brasil - e desconfiança em relação aos balanços das empresas norte-americanas, devido ao escândalo de manipulação contábil da Enron.Foram divulgados vários índices de inflação esta semana. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro foi de 0,52% e revelou uma inflação ainda elevada. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de janeiro, divulgado na terça-feira, ficou em 0,57%, inferior à prévia anterior de 0,68%, mas acima do resultado de dezembro, de 0,25%. Quanto a fevereiro, o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI) - divulgado na quinta-feira - também ficou abaixo do esperado, em alta de 0,19%. A expectativa de deflação do mercado confirmou-se com a primeira prévia de fevereiro do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) com variação negativa de 0,16% e a tendência agora é de queda da inflação.Embora alguns analistas falem em corte da Selic - a taxa básica referencial de juros da economia - na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos próximos dias 19 e 20. Mas, frente a uma meta de inflação apertada (3,5%), a maioria espera que a cautela continue, e a previsão é de uma queda nos próximos meses, caso se confirme o registro de uma deflação significativa neste primeiro trimestre. A taxa básica de juros da economia vem sendo mantida em 19% desde julho do ano passado. Incertezas com argentina na segunda-feiraA entrada em vigência do pacote econômico anunciado no final de semana passado foi adiada muitas vezes, e está marcada para segunda-feira. Há muitas incertezas com a pesificação total da economia e a livre flutuação do peso, que valerá para todas as operações cambiais. A preocupação maior com a flexibilização do "corralito" é que os argentinos - desconfiados com o sistema bancário - realizem saques em massa e quebrem o sistema bancário. Alguns analistas apostam em uma disparada das cotações para até $ 3 pesos por dólar. Para controlar a situação, o governo proibiu os bancos de vender moedas estrangeiras e limitou a venda a US$ 1 mil por pessoa, apenas nas casas de câmbio.O sistema bancário está muito fragilizado. A perda dos bancos foi estimada em US$ 30 bilhões em decorrência do desequilíbrio provocado pela pesificação dos créditos pela taxa de $ 1 peso por dólar e dos depósitos em dólares em $ 1,40 peso, o que resultaria em um descasamento na ordem de 40%. Para minimizar o prejuízo, o governo pretende lançar títulos no limite de $ 3,5 bilhões de peso, porém esta medida pode ser insuficiente. Analistas temem a volta da inflação e, devido às incertezas, e investidores desconfiam que o Fundo Monetário Internacional (FMI) não libere os US$ 15 bilhões que a Argentina pede. Rumores na imprensa do país sustentam que o Fundo não aprovou o plano econômico e não pretende conceder ajuda financeira. Na semana que vem, o ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, tentará pressionar o FMI. Enquanto isso, membros do G7 - grupo dos sete países mais ricos do mundo - também discutem o que fazer com a Argentina. Uma das agravantes da crise econômica argentina é a crise política. Na última sexta-feira, a Corte Suprema havia decretado inconstitucional o semi-congelamento dos depósitos bancários, conhecido como "corralito", o que poderia levar a uma avalanche de processos, por conseqüência, a uma quebradeira dos bancos e, possivelmente, a uma hiperinflação. Para não correr este risco, o presidente Eduardo Duhalde suspendeu por 180 dias a decisão do decreto e, como resposta ao judiciário, o Congresso acelerou o processo de impeachment dos juízes da Corte argentina por suspeitas de favorecimento político e corrupção. A crise institucional é grave e pode comprometer ainda mais a implantação de medidas econômicas e da credibilidade do país.Retomada não impulsiona bolsasNos Estados Unidos, embora vários índices apontem para uma retomada da economia, não têm sido suficientes para impulsionar as bolsas. Aparentemente, os investidores ainda não se recuperaram do escândalo de maquiagem contábil da Enron, que decretou falência, surpreendendo o mercado e causando perdas aos acionistas. Eles temem que o mesmo venha acontecendo com outras empresas e evitam o mercado acionário. MercadosA Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou uma forte queda na semana passada, mas depois manteve estável em patamares um pouco mais baixos nos últimos dias, sem mostrar tendência. O dólar vem acumulando altas desde 18 de janeiro, que somadas chegam a 3,97%. Hoje, a moeda norte-americana fechou em R$ 2,46, a maior cotação desde 3 de dezembro.Nos Estados Unidos, os sinais de retomada da economia não foram suficientes para impulsionar as bolsas. Desde 17 de janeiro, a Dow Jones - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - vem oscilando, sem marcar tendência clara de alta ou baixa. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - vem caindo desde 10 de janeiro, acumulando desvalorização de 11,15%.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-1,15%+1,88%+0,02%-0,53%-0,68%Dólar (cotação)R$ 2,4260R$ 2,4230R$ 2,4360R$ 2,4630R$ 2,4600Juros (swap de um ano)20,58%20,30%20,00%20,15%20,18%Nasdaq (variação)-2,91%-0,92%-1,40%-1,69%+2,06%Dow Jones (variação)-2,22%-0,02%-0,33%-0,29%+1,23%Dia-a-dia:Segunda-Feira (04/02)O pacote econômico divulgado pelo governo argentino trouxe apreensão aos investidores brasileiros, que assumiram posições conservadoras. Terça-Feira (05/02)Os volumes de negócios seguiram baixos por conta do carnaval e das preocupações com Estados Unidos e Argentina. Mas houve espaço para leve recuperação das cotações. Quarta-Feira (06/02)As cotações oscilaram hoje em função de vários fatores, como a proximidade do carnaval, a crise Argentina, as quedas das bolsas em Nova York e queda da inflação. Quinta-feira (07/02)Os investidores assumiram posições mais cautelosas, em grande parte, por causa do medo de surpresas durante os dias em que os mercados não funcionarão. Sexta-feira (08/02)Num dia fraco em novidades e negócios, os investidores preferiram manter a cautela para evitar perdas decorrentes de surpresas no cenário externo.

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