Mercados: resumo da semana

Em uma semana reduzida devido ao feriado de carnaval, os mercados permaneceram em clima de cautela e o volume de negócios ficou abaixo do normal. Os investidores continuaram atentos ao cenário externo, especialmente em relação à Argentina e Estados Unidos. A reabertura do mercado de câmbio no país vizinho teve um impacto menor do que o esperado, mas novos momentos de instabilidade poderão ser provocados, já que a crise está longe do fim. Nos Estados Unidos, os dados divulgados hoje contrariaram as estimativas dos analistas.A situação da Argentina continuou crítica. Um alento para o país seria o apoio financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI) que vinculou a liberação de novos recursos a uma política consistente de corte de gastos. De acordo com o ministro da Economia, Jorge Lemes Lenicov, após sua viagem aos EUA, a equipe econômica vem trabalhando para fazer as reformas estruturais que o FMI espera.A crise política e a falta de credibilidade dos argentinos no governo são agravantes da crise econômica argentina. A semana foi marcada por protestos contra a pesificação dos depósitos, as restrições aos saques bancários, a falta de assistência médica nos hospitais públicos e o orçamento para este ano. Nesta primeira semana de flutuação cambial livre, a cotação do dólar fechou entre 2,05 e 2,10 pesos para venda na maioria das casas de câmbio pesquisadas pela Agência Estado, em Buenos Aires. Hoje, o Banco Central argentino negou rumores de que interveio no mercado de câmbio. A situação da Venezuela teve impacto menor do que o cenário argentino sobre os negócios no Brasil. No primeiro dia de câmbio livre, o bolívar apresentou desvalorização de 19% frente ao dólar. No segundo dia, recuperou-se e encerrou os negócios em alta de 15%. Mas, segundo analistas, esta alta foi em grande parte provocada por um movimento de compra da moeda venezuelana encabeçado pelo Banco Central do país e alguns bancos privados. O objetivo desta estratégia é reduzir o risco de inflação. Tanto em relação à Argentina quanto à Venezuela, a boa notícia para o Brasil é que não há sinais de contágio para os mercados internos.No Brasil, inflação dá sinais de quedaUm dado positivo no Brasil foi o superávit - exportações maiores que importações - de US$ 115 milhões da balança comercial, na segunda semana de fevereiro, que no ano acumula saldo positivo de US$ 306 milhões, conforme números divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Outro bom resultado foi o índice de inflação medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o Índice Preços ao Consumidor (IPC), que ficou em 0,34% na primeira quadrissemana de fevereiro. O número já é um sinal de recuo da inflação, dado que em janeiro o resultado foi de 0,57%. A Fipe prevê deflação no resultado final deste mês. A tendência de queda nos índices de inflação teve início na semana passada com a divulgação da primeira prévia de fevereiro do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) com variação negativa de 0,16%. No entanto, analistas acreditam que estes índices, embora revelem uma tendência de queda, ainda não sejam suficientes para se falar em corte na Selic - a taxa básica referencial de juros da economia - na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 19 e 20. A taxa básica de juros da economia está em 19% ao ano desde julho do ano passado. Veja a expectativa dos analistas para a reunião do Copom na próxima semana no link abaixo.Investidores aguardam retomada da economia nos EUANesta sexta-feira, o volume de negócios nos mercados foi inferior ao normal, em função do feriado da próxima segunda-feira nos Estados Unidos (Dia do Presidente). Os investidores ficaram decepcionados com os dados da economia norte-americana divulgados hoje, já que eles estão à espera de uma retomada do crescimento econômico do país nos próximos meses. O índice de confiança do consumidor caiu para 90,9, enquanto esperava-se 93, mesmo número registrado em janeiro. Já o indicador de produção industrial no primeiro mês do ano apresentou um recuo de 0,1%, quando se esperava um resultado semelhante ao do mês anterior. O PPI (inflação ao produtor), também divulgado hoje, registrou deflação de 0,1% em seu núcleo - descontadas as alterações de preços influenciados por dados sazonais -, quando a expectativa era de alta de 0,1%.MercadosA Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou uma forte alta esta semana, após sete pregões mantendo-se estável. Nesta semana acumulou valorização de 5,02%. O dólar vinha acumulando altas desde 18 de janeiro, mas reverteu a trajetória esta semana. Nos últimos três dias, teve queda de 1,30%.Nos Estados Unidos, o Dow Jones - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - marca tendência de alta e, desde 8 de fevereiro acumula, 1,63%. Trata-se de um movimento de recuperação da queda registrada após os atentados terroristas de 11 de setembro. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - também mantém a recuperação. Nesta semana, especificamente, os negócios ficaram estáveis. Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação) - - +2,88%+2,20%-0,12%Dólar (cotação) - - R$ 2,4110R$ 2,4340R$ 2,4280Juros (swap de um ano)--19,68%19,42%19,75%Nasdaq (variação)+1,52%-0,67%+1,33%-0,86%-2,07%Dow Jones (variação)+1,44%-0,48%+1,27%+0,12%-0,99%Dia-a-dia:Segunda-Feira (11/02)Não houve funcionamento dos mercados no País, devido ao feriado de carnaval.Terça-Feira (12/02)Não houve funcionamento dos mercados no País, devido ao feriado de carnaval.Quarta-Feira (13/02)Os mercados reabriram tranqüilos após o feriado. Na Argentina, as incertezas continuaram. Com isso, os investidores mantiveram a cautela. Quinta-feira (14/02)O dólar comercial fechou na cotação máxima do dia, de R$ 2,4340. A Bovespa teve alta. Fatores pontuais tiveram influência maior sobre os mercados. Sexta-feira (15/02)O dia foi de atenção com o índice de inflação divulgado no Brasil e as expectativas em relação à reunião do Copom na próxima semana.

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