Mercados: resumo da semana

Os mercados reagiram bem durante a semana. Uma das notícias positivas foi a redução da Selic, a taxa básica de juros da economia, de 19% ao ano para 18,75% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Além disso, foi anunciado o fim do racionamento, o leilão de títulos cambiais foi realizado com sucesso pelo Tesouro Nacional e permanece a expectativa de recuo da inflação. As preocupações continuaram sendo a Argentina - ainda sem definição política e ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) - e os Estados Unidos - à espera de sinais consistentes de retomada da atividade econômica.Na quarta-feira, o Copom anunciou a redução da Selic. O corte nos juros surpreendeu os analistas e, no dia seguinte ao anúncio, teve impacto principalmente nos negócios da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), cujo volume foi bem superior, e no mercado de juros. Como a base da política monetária do governo é cumprir a meta de inflação, uma maior queda nos juros depende diretamente do recuo dos próximos índices a serem divulgados. Neste ano, a meta é considerada apertada, em 3,5% com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais.Os investidores também ficaram atentos à venda de títulos cambiais para alongamento da dívida. O Tesouro Nacional conseguiu vender integralmente os papéis. O objetivo foi trocar papéis com vencimento próximo por títulos com vencimento em 2003. O total da operação ficou em R$ 4,650 bilhões. Uma outra boa notícia foi o fim do racionamento de energia a partir de 1º de março, anunciado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Por outro lado, nem ele nem os ministros Pedro Parente e José Jorge quiseram assegurar que um novo racionamento estaria descartado.Esta semana também foram divulgados os índices de inflação. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), apurado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), referente à segunda quadrissemana de fevereiro, revelou uma alta de 0,30%. Analistas previam um resultado entre 0,13% e 0,30%, portanto o resultado ficou no patamar máximo esperado. Houve um recuo pequeno em relação à primeira quadrissemana, quando o Índice verificou uma alta de 0,34%. A alimentação foi o principal item que pressionou a inflação neste período.Argentina ainda sem recursos do FMINa Argentina, o presidente Eduardo Duhalde ainda não conseguiu entrar em acordo com os governadores das províncias para realizar um plano de corte de gastos e reestruturação das dívidas. De acordo com o Fundo monetário Internacional (FMI), um pacto fiscal nas províncias é a condição prioritária para a liberação de recursos. Um dos pontos polêmicos que impediram a conclusão do acordo nesta semana foi a conversão das dívidas em dólares das províncias com os bancos locais. As dívidas serão convertidas a 1,40 peso por dólar, enquanto os governadores reivindicam a conversão de um para um.No entanto, há dúvidas de que apenas o acordo com as províncias convença o FMI a conceder ajuda financeira à Argentina. Resta ainda a instabilidade social e política do governo que preocupa o mercado internacional. Os protestos continuaram ocorrendo, provocados sobretudo pelo aumento da pobreza, crescimento do desemprego e disparada nos preços dos produtos da cesta básica, somados às restrições aos saques bancários na Argentina. O dólar voltou a subir e fechou, nesta sexta-feira, em 2,15 pesos para a venda. Sinais de recuperação nos EUAA economia norte-americana vem mostrando sinais de recuperação. Foi divulgado esta semana o Índice de Preços ao Consumidor (CPI), apresentando alta de 0,2% em janeiro e revertendo a queda em dezembro de 0,1%. O porcentual ficou dentro das expectativas de um aumento de 0,3%. Embora os investidores ainda estejam preocupados com o ritmo da atividade norte-americana, eles apostam que haverá sinais de retomada no crescimento econômico do país no segundo trimestre deste ano. MercadosA Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou uma forte alta desde o dia 13 de fevereiro, acumulando valorização de 7,66% neste período. Mas, no acumulado do ano, ainda registra uma pequena queda, de 0,11%. O dólar vinha acumulando altas desde 18 de janeiro, mas desde o dia 15 de fevereiro mantem-se estável.Nos Estados Unidos, o Dow Jones - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - não apresenta tendência clara. Os movimentos de alta e baixa vem se anulando. Já a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - vem em trajetória de queda desde 9 de janeiro, um porcentual negativo de 15,66%.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-0,82%-0,99%2,39%1,71%0,24%Dólar (cotação)R$ 2,435R$ 2,422R$ 2,420R$ 2,422R$ 2,424Juros (swap de um ano)19,54%19,50%19,33%19,07%18,91%Nasdaq (variação)--3,07%1,43%-3,34%0,48%Dow Jones (variação)-1,61%2,01%-1,07%1,36%Dia-a-dia:Segunda-Feira (18/02)Sem a referência de Nova York, o mercado financeiro encerrou o dia atento aos leilões cambiais e às notícias argentinas. Aguardava-se a decisão sobre a taxa de juros no Brasil, que saiu na quarta-feira. O dólar fechou em alta de 0,29% e a Bolsa recuou 0,82%. No mercado de juros, as taxas caíram.Terça-Feira (19/02)Investidores mantiveram a expectativa de manutenção da Selic. O dólar fechou em queda de 0,53%. A Bovespa encerrou os negócios em alta de 0,99%. Os juros recuaram no mercado futuro.Quarta-Feira (20/02)Copom baixou a Selic para 18,75% ao ano, sem viés. A Bolsa fechou em alta de 2,39%, acumulando uma valorização de 4,57% em fevereiro. O dólar comercial foi vendido a R$ 2,4200 no final do dia, com queda de 0,08%. As taxas de juros recuaram.Quinta-feira (21/02)Os mercados tiveram um dia de ajuste técnico. Os juros futuros recuaram para um patamar em torno de 18,50% ao ano. A Bovespa, com alta de 1,71%, negociou R$ 870 milhões, um volume superior ao dos últimos dias. O dólar fechou com leve alta de 0,08%.Sexta-feira (22/02)Os mercados terminam a semana em clima de tranqüilidade. O dólar comercial foi vendido a R$ 2,4240 nos últimos negócios do dia, em alta de 0,08%. A Bolsa fechou em alta de 0,24%. Os juros terminaram estáveis em relação ao fechamento de quinta.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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