Mercados: resumo da semana

A semana no mercado financeiro foi tomada pela onda de pessimismo que começou com o posicionamento desfavorável de alguns bancos estrangeiros em relação ao Brasil. O movimento começou na segunda-feira, quando a Merrill Lynch e o Morgan Stanley recomendaram a seus investidores reduzir os papéis da dívida brasileira na composição de suas carteiras.O crescimento do pré-candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, nas pesquisas de intenção de voto foi um dos motivos apontados pelas instituições para a recomendação negativa. Com a mesma justificativa, dois outros bancos apontaram perspectivas pessimistas - o holandês ABN-Amro e o espanhol Santander. Por outro lado, os estrangeiros Dresdner, JP Morgan, ING Barings e Lloyds mantiveram a mesma recomendação para o Brasil.O fato é que os papéis da dívida brasileira iniciaram uma tendência de queda em meados de abril. Esse movimento intensificou-se depois dos primeiros anúncios de bancos estrangeiros no início desta semana. Para se ter uma idéia, os C-Bonds (principais títulos da dívida brasileira) acumulam uma queda de 5,90% do dia 12 de abril até hoje.A perspectiva negativa em relação ao Brasil, que provocou a queda dos títulos brasileiros, afeta também os negócios com papéis de empresas privadas negociados no exterior. Empresas brasileiras que já haviam anunciado a captação de recursos no mercado internacional adiaram as operações em função da altas taxas de juros que teriam que pagar para negociar seus papéis. A Petrobrás cancelou uma operação de US$ 300 milhões, a Eletropaulo deixou de captar US$ 150 milhões e hoje foi a vez de a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) adiar o lançamento de American Depositary Receipts (ADRs) no mercado internacional e a oferta de ações preferenciais (PN, sem direito a voto) no mercado brasileiro. Com isso, o fluxo de dólares para o mercado interno diminui, contribuindo para a escalada do dólar nos últimos dias. No mesmo período - do dia 12 de abril até hoje -, a alta da moeda norte-americana foi de 5,01%. Algumas conseqüências da alta do dólarDólar em alta tende a influenciar o comportamento da inflação, pois os preços dos insumos e produtos importados são pressionados para cima. Ou seja, se o dólar sobe, a inflação também pode ser pressionada e, neste caso, não há espaço para redução dos juros. Isso já foi percebido nos negócios. Os contratos de DI futuro com vencimento em outubro negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) pagavam taxas de 18,190% ao ano no dia 12 de abril. Hoje, esses contratos encerraram o dia com juros de 18,750% ao ano. O investimento em ações é prejudicado pela alta dos juros. Isso porque a aplicação perde atratividade, uma vez que o investidor pode conseguir retorno elevado no mercado de juros sem correr risco. Além disso, para as empresas, juros elevados aumentam o custo da produtividade, reduzindo lucros e novos investimentos. Desde o dia 12 de abril, a queda da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi de 8,30%.No balanço mensal das aplicações em abril, fechado na última terça-feira, o ouro despontou como a melhor aplicação. O dólar ficou em segundo lugar no ranking e o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bovespa - encerrou o mês com resultado negativo. Veja o balanço completo no link abaixo.Principais números divulgados na semanaSe por um lado a valorização do dólar frente ao real prejudica a redução dos juros e a recuperação da Bolsa, por outro pode beneficiar o saldo da balança comercial, já que os produtos brasileiros ficam mais competitivos. Nesta semana foi divulgado o saldo da balança em abril: superávit - exportações maiores que importações - de US$ 481 milhões. Com o resultado, o saldo acumulado no ano está positivo em US$ 1,5 bilhão. Em 2000, no mesmo período, o superávit era de US$ 166 milhões. Segundo analistas, o resultado melhor de 2002 é em grande parte resultado de uma diminuição das importações em resposta ao desaquecimento da economia do País. Outro número divulgado nesta semana foi o Índice Geral dos Preços do Mercado de abril, em 0,56%. O número está um pouco abaixo do esperado pelos analistas que previam um resultado entre 0,60% e 0,95%. Excluindo-se o efeito dos reajustes de preços administrados, principalmente combustíveis, a alta seria de apenas 0,09%, ou seja, em linha com o patamar exibido no mês anterior.ArgentinaNa Argentina, as cotações do dólar permaneceram estáveis, mas em um patamar bastante elevado, em torno de três pesos por dólar. Analistas afirmam que este "equilíbrio" foi motivado principalmente por dois fatores: a lei "tampão", que limitou temporariamente a saída de pesos do sistema financeiro que iriam direto para o mercado de câmbio; e o leilão de títulos cambiais realizado pelo Banco Central.É grande a expectativa em torno da divulgação de um novo pacote de medidas econômicas no País vizinho, depois que o Ministério da Economia passou a ser dirigido por Roberto Lavagna. Analistas avaliam que o governo adiou por muito tempo as mudanças e acreditam que a Argentina precisa de medidas severas para corte de gastos. Com um governo enfraquecido, fica ainda mais difícil adotar essas medidas.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)0,11%-1,28%--4,18%0,57%Dólar (cotação)R$ 2,364R$ 2,362-R$ 2,396R$ 2,409Juros (swap de um ano)19.97%19.79%-20.13%19.98%Nasdaq (variação)-0,42%1,87%-0,63%-1,95%-1,93%Dow Jones (variação)-0,92%1,27%1,14%0,32%-0,85%Dia-a-dia:Segunda-Feira (29/04)Se o dia foi de baixo volume de negócios nos mercados, o mesmo não pode ser dito em relação ao número de notícias que atraíram a atenção dos investidores. No fechamento dos mercados, a Bolsa apresentou alta de 0,11%, o dólar caiu 0,34% e os juros recuaram.Terça-Feira (30/04)Com poucos negócios, os mercados encerraram a terça-feira com números estáveis. A Bolsa recuou 0,04%. O dólar foi vendido a R$ 2,3620, em baixa de 0,08%. Os juros também caíram.Quarta-Feira (01/05)Não houve movimentações no mercado brasileiro devido às comemorações do Dia Mundial do Trabalhador.Quinta-feira (02/05)O mercado financeiro foi tomado por avaliações a respeito do cenário político no Brasil. Os investidores, tanto no Brasil quanto no exterior, reagiram mal às avaliações. A Bolsa caiu 4,18% e o dólar subiu 1,44%. No exterior, os papéis da dívida brasileira tiveram mais um dia de queda.Sexta-feira (03/05)Bancos estrangeiros continuaram a emitir opiniões sobre as perspectivas brasileiras na sexta-feira. Entre pareceres positivos e negativos, a Bolsa fechou em alta de 0,57%, dólar subiu 0,54% e juros recuaram.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.