Mercados: resumo da semana

Uma onda de pessimismo tomou conta dos investidores esta semana. As incertezas em relação ao cenário político foram mais uma vez responsáveis pelas reações negativas dos mercados, tendência que deve se manter até a definição das eleições presidenciais. O dólar comercial acumula alta de 9,57% desde 10 de abril e a Bolsa de Valores de São Paulo, queda de 9,58% no mesmo período.A denúncia de que o ex-diretor do Banco do Brasil (BB), Ricardo Sérgio de Oliveira, teria cobrado propina na privatização da Vale do Rio Doce, em maio de 1997, causou maior instabilidade à pré-candidatura governista de José Serra, do PSDB. Até sua substituição foi cogitada. Ricardo Sérgio foi responsável pela arrecadação de fundos da campanha de Serra ao Senado, em 1994. E outra suspeita surgiu sobre essa mesma campanha, a de que apenas R$ 95 mil teriam sido declarados dos R$ 2 milhões doados pelo empresário Carlos Jereissati.A primeira conseqüência deste quadro foi a queda no preço dos títulos brasileiros negociados no exterior, dado que o investidor estrangeiro exige juros mais altos na compra destes papéis. Isso porque esta aplicação torna-se mais arriscada devido às incertezas internas. Com isso, a taxa de risco-país do Brasil - índice que mede a diferença entre os juros pagos pelo governo norte-americano e as taxas pagas pelo governo brasileiro em seus papéis no exterior - aumenta. Nesta sexta-feira, a taxa de risco do Brasil atingiu 974 pontos base - patamar mais elevado no ano. No entanto, os rumores perto do fim dos negócios hoje sobre o resultado da pesquisa eleitoral da Toledo & Associados acalmaram o mercado. De acordo com os boatos, José Serra garantiu o segundo lugar nas intenções de voto, distanciando-se dos pré-candidatos Anthony Garotinho, do PSB, e Ciro Gomes, do PPS, que estariam empatados tecnicamente em terceiro lugar. O grande temor era de que Serra seria prejudicado nas pesquisas em função das recentes denúncias.Possíveis conseqüênciasEste pessimismo em relação aos papéis públicos brasileiros verificado nos últimos dias tende a ser repassado também para os papéis das empresas brasileiras privadas negociados no exterior. O resultado mais provável deste cenário é o aumento do custo com o pagamento de juros para as empresas, o que provoca um enfraquecimento da atividade econômica. A redução desta captação contribui para a alta do dólar. Para o consumidor, este cenário pode provocar, a médio prazo, um aumento da inflação, devido à alta do dólar, e a elevação dos juros nos empréstimos. CPMF e inflaçãoOutro fator ainda preocupante é o atraso na votação da emenda constitucional que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A emenda passou pela Câmara dos Deputados e agora está em fase de tramitação no Senado. Há pressa na votação, uma vez que a partir do dia 17 de junho, se a emenda não for aprovada, a CPMF deixa de ser cobrada, o que provocará uma queda na arrecadação, em torno de R$ 400 milhões semanais.A inflação continua a preocupar, uma vez que a política monetária está baseada no cumprimento da meta, que neste ano é de 3,5% com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. Nos dias 21 e 22 de maio, haverá reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para reavaliar a Selic, taxa básica de juros da economia. A Selic está em 18,5% ao mês. Foi divulgado hoje o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice fechou em 0,80% - de 0,2 ponto porcentual acima do índice de março em 0,60% e perto do piso das expectativas. Nos Estados Unidos, o Banco Central (Fed) reavaliou na terça-feira a taxa de juros do país. A decisão foi pela manutenção da taxa em 1,75% ao ano. Os dados da economia norte-americana já dão sinais claros de retomada da atividade econômica, mas alguns números do mercado de trabalho apresentem resultados fracos. MercadosA Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) apresenta tendência de queda desde 17 de abril, acumulando desvalorização de 11,66%. O dólar vem subindo desde o dia 10 de abril e hoje fechou em R$ 2,4680, acumulando uma alta de 9,57% desde então. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - acumula uma queda de 6,54% desde 19 de março. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - acumula baixa de 17,03%, desde 11 de março. segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-1,42%-0,71%2,22%-4,08%0,24%Dólar (cotação)R$ 2,421R$ 2,435R$ 2,438R$ 2,473R$ 2,468Juros (swap de um ano)19.95%19.92%19.98%20.32%20.35%Nasdaq (variação)-2,14%-0,30%7,78%-2,70%-3,01%Dow Jones (variação)-1,98%0,29%3,10%-1,03%-0,97%Dia-a-dia:Segunda-Feira (06/05)No foco de atenção dos mercados, o processo eleitoral deu o tom dos negócios na segunda-feira. Os investidores reagiram de forma muito negativa às suspeitas veiculadas pela imprensa no final de semana, as quais podem prejudicar a campanha do pré-candidato pelo PSDB José Serra. Terça-Feira (07/05)O encaminhamento da eleição presidencial continuou dominando os negócios no mercado financeiro. Com o aumento das incertezas, os investidores reagiram de forma negativa. A taxa de risco-país chegou a 912 pontos base. No mercado interno, a Bolsa recuou. Juros e dólar subiram.Quarta-Feira (08/05)Os investidores não abandonaram a postura de cautela em relação ao cenário político, mas, pontualmente, a alta expressiva das bolsas em Nova York provocou uma recuperação de parte das perdas registradas nos mercados nos dias anteriores.Quinta-feira (09/05)Rumores sobre o resultado de uma pesquisa eleitoral a ser anunciado no fim de semana deixaram os investidores apreensivos no final dos negócios. O dólar chegou a R$ 2,4750. Patamar mais alto desde 30 de novembro de 2001. Bolsa recuou 4,08%. Risco-país é o mais alto no ano.Sexta-feira (10/05)Os ativos no mercado financeiro recuperaram parte das perdas registradas na quinta-feira, quando os negócios foram tomados por rumores de que Serra havia caído para o quarto lugar em pesquisa eleitoral. A Bolsa fechou com alta de 0,24% e o dólar recuou 0,20%.

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