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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Mercados: resumo da semana

Mais uma semana de oscilações nos mercados, influenciados principalmente pelas incertezas em relação à sucessão presidencial com a proximidade das eleições. A divulgação de duas pesquisas de intenção de voto e os rumores que as antecederam foram o foco das atenções dos investidores. Para eles, o melhor cenário seria o de continuidade da política econômica, sem ruptura do atual modelo.No início da semana, o Instituto Datafolha anunciou que o pré-candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, ficou com 43% das intenções de voto. Em seguida, aparece o pré-candidato do PSDB, José Serra, com 17% das intenções de voto, à frente de Anthony Garotinho (PSB), que teve 15%, e de Ciro Gomes (PPS), com 14%. Em relação à pesquisa anterior - realizada em 9 de abril -, Lula cresceu 11 pontos porcentuais, enquanto Serra perdeu 5 pontos. Já no Vox Populi, Lula ficou com 42% das intenções de voto; Serra, com 17%; Garotinho, com 15%; e Ciro, com 12%. Os investidores terminaram a semana cautelosos com a expectativa da divulgação na próxima semana de duas novas pesquisas eleitorais, ambas do Ibope, e denúncias da Revista Isto É, que já está nas bancas, contra o deputado Henrique Alves, do PMDB do Rio Grande do Norte, antes cotado para ser vice na chapa de José Serra, presidenciável pelo PSDB.Outra incerteza que continuou a preocupar os mercados nesta semana: o atraso na votação da emenda que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Para minimizar as perdas com a arrecadação fiscal, uma vez que a CPMF deixará de ser cobrada em 18 de junho, o governo anunciou algumas medidas compensatórias, como corte de gastos e aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o qual ainda não foi decidido.A condução da política monetária também atraiu a atenção dos investidores nos últimos dias. Declarações à imprensa do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e do diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, sinalizaram uma possível redução da Selic, taxa básica de juros da economia, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na próxima semana. O ministro destacou o recuo dos índices de inflação e o diretor do BC demonstrou preocupação com o enfraquecimento da atividade econômica. Hoje o presidente do BC, Armínio Fraga, foi mais comedido ao colocar a demanda como um dos elementos a serem considerados pelo Copom. A Selic está em 18,5% ao ano. Vale lembrar que a política monetária baseia-se no cumprimento das metas de inflação, que neste ano é de 3,5% com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo.MercadosA Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) apresenta tendência de queda desde 17 de abril, acumulando desvalorização de 7,52% nos últimos 30 dias. O dólar vem subindo desde o dia 10 de abril e hoje fechou em R$ 2,4760, acumulando uma alta de 9,22% desde então. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - vem oscilando e desde 10 de maio apresenta uma leve tendência de alta. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - também vem oscilando, mas sem apresentar tendência definida de alta ou baixa. Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-1,06%1,68%1,19%2,52%0,31%Dólar (cotação)R$ 2,521R$ 2,509R$ 2,506R$ 2,476R$ 2,476Juros (swap de um ano)20.83%20.82%20.34%20.09%20.20%Nasdaq (variação)3,24%4,04%0,28%0,44%0,63%Dow Jones (variação)1,71%1,87%-0,53%0,44%0,62%Dia-a-dia:Segunda-Feira (XX/XX)Os boatos voltaram a influenciar os negócios. Além do aumento das incertezas em relação aos fundamentos econômicos do País, o pessimismo ficou mais forte com rumores de crescimento da pré-candidatura do PT e de queda do PSDB nas intenções de voto.Terça-Feira (14/05)Incertezas em relação ao encaminhamento da sucessão presidencial provocaram dias de fortes oscilações nos mercados. Especialmente na terça-feira, este comportamento nos negócios acentuou-se. No mercado cambial, o dólar foi da máxima de R$ 2,5510 à mínima de R$ 2,5090. Quarta-Feira (15/05)Sem boatos negativos nesta quarta-feira, os ativos recuperaram parte das perdas acumuladas nos dias anteriores. Alguns fatos positivos beneficiaram a tentativa de recuperação dos mercados. A Bolsa fechou o dia em alta de 1,19% e o dólar recuou 0,12%.Quinta-feira (16/05)Os mercados foram beneficiados pelas declarações de autoridades monetárias que sinalizaram a possibilidade de redução da Selic na próxima reunião do Copom. Investidores aproveitaram o pretexto para operar de forma positiva e recuperar parte das perdas acumuladas nos últimos dias.Sexta-feira (17/05)Denúncias no ambiente político e expectativa com o resultado de novas pesquisas eleitorais marcaram o dia nos mercados. Apesar de adicionarem mais incertezas ao cenário, estes fatores não provocaram uma piora no humor dos investidores. Bolsa fechou com alta de 0,31% e dólar subiu 0,36%.

Agencia Estado,

17 de maio de 2002 | 20h21

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