Mercados: resumo da semana

A decisão do governo em manter a Selic, taxa básica referencial de juros da economia, em 18,5% era esperada, porém os investidores reagiram com pessimismo. Para o Comitê de Política Monetária (Copom), o balanço dos riscos - que serão divulgados na próxima quarta-feira na ata da reunião - ainda não permite uma redução dos juros. Segundo analistas, as incertezas em relação ao cenário eleitoral, a alta do dólar e do preço do barril de petróleo, bem como a elevação da taxa de risco-país de 730 pontos-base para um patamar superior a 900 pontos-base, estariam entre as razões, sem esquecer a preocupação com a inflação. Vale lembrar que a política monetária baseia-se no cumprimento das metas de inflação, que neste ano é de 3,5% com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. E a inflação nos últimos 12 meses ficou em 7,98%, bem acima do centro da meta.Na segunda-feira, foram divulgados a prévia do Índice Geral dos Preços do Mercado (IGPM) de maio pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), cujo resultado ficou em 0,58%, e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), em 0,02% na segunda quadrissemana de maio, com leve alta em relação ao resultado anterior, que apresentou deflação de 0,03%.Eleições, CPMF e contas públicasO cenário político continuou sendo foco de atenção dos investidores, tendência que deve se manter até as eleições presidenciais, uma vez que o mercado financeiro aposta na vitória de um candidato comprometido com a manutenção da política econômica. No momento, há um certo otimismo em relação à candidatura de José Serra com o início dos programas políticos na televisão. Analistas acreditam que uma exposição maior levará a um crescimento de sua candidatura, o que deve ser sentido já no início da semana. O mercado também recebeu bem a nomeação da deputada do PMDB, Rita Camata, como vice na chapa de Serra.Na terça-feira, o resultado da pesquisa do Ibope para o Bank of America registrou 38% das intenções de voto para o pré-candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Em segundo lugar, os pré-candidatos José Serra, do PSDB, e Anthony Garotinho, do PSB, ficaram empatados 16%. A possibilidade de aprovação a tempo da emenda constitucional que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) foi bem recebida, pois afasta o risco de perdas com a arrecadação fiscal. Na quinta-feira, a emenda foi aprovada por unanimidade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Agora, falta a votação em dois turnos no Senado, marcados para a primeira quinzena de junho.Uma boa notícia foi o resultado fiscal de abril, divulgado pelo Banco Central (BC), que demonstra um controle sobre as contas públicas. O superávit primário atingiu R$ 8,973 bilhões, o maior resultado mensal do ano, acima da estimativa dos economistas, que apontavam para um número entre R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões.Economia norte-americanaNos Estados Unidos, as declarações do vice-presidente norte-americano, Dick Cheney de que o país podia ser alvo de um novo ataque terrorista assustaram os investidores e provocaram queda na bolsa norte-americana que registrava tendência de alta alguns dias antes. Além disso, os sinais de recuperação da economia norte-americana ainda são fracos. As bolsas nos EUA acentuaram a queda com a primeira revisão do PIB no primeiro trimestre. O número ficou abaixo das expectativas, um crescimento de 5,6% no período, enquanto a estimativa de expansão era de 6%.MercadosO dólar comercial vem subindo desde o dia 10 de abril e hoje fechou em R$ 2,5210, acumulando uma alta de 11,20% desde então. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) apresenta tendência de queda desde 17 de abril, acumulando desvalorização de 8,44%. Entre as ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) -, as maiores altas da semana foram as preferenciais (PN, sem direito a voto) da Aracruz (+6,45%), VCP (+4,83%), Embratel Participações (+4,22%), Cemig (+4,19); e a Petrobrás ON, com direito a voto (+5,45%). Entre as maiores baixas, estão as preferenciais PN da Cesp (-7,08%), CRT Celular (-8,29%), Telelest Celular (-8,70%), Inepar (-9,86%) e Telesp Celular Participações (-13,17%).Nos Estados Unidos, o Dow Jones - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - vem oscilando desde 15 de abril, sem apresentar uma tendência clara de alta ou baixa. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - também vem oscilando desde 26 de abril e não apresenta tendência clara. Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-0,25%0,27%-2,63%1,52%0,14%Dólar (cotação)R$ 2,484R$ 2,483R$ 2,525R$ 2,529R$ 2,521Juros (swap de um ano)20.25%20.09%20.79%20.67%20.57%Nasdaq (variação)-2,29%-2,20%0,51%1,44%-2,13%Dow Jones (variação)-1,19%-1,21%0,52%0,57%-1,09%Dia-a-dia:Segunda-Feira (20/05)Mercados em compasso de espera aguardavam decisão do Copom e os resultados de pesquisas eleitorais. Os mercados norte-americanos voltaram a operar de forma negativa, influenciados pela possibilidade de novos ataques terroristas. Na Argentina, o dia foi marcado por manifestações sociais.Terça-Feira (21/05)O mercado reafirmou a aposta de manutenção da Selic nos 18,5% ao ano na conclusão da reunião do Copom no dia seguinte. A expectativa também era grande pelo efeito do programa de televisão de Serra, que vinha mal nas pesquisas.Quarta-Feira (22/05)Manutenção da Selic não surpreendeu o mercado, mas o noticiário interno e externo estimulou o pessimismo. O dólar voltou a subir e a bolsa caiu.Quinta-feira (23/05)O pessimismo dos dias anteriores não passou, mas ao menos as cotações pareceram ter se estabilizado. Os investidores esperam as novas pesquisas de opinião na semana que vem.Sexta-feira (24/05)A estabilidade predominou nos negócios do dia, enquanto o mercado esperava a evolução da corrida presidencial e as votações no Congresso pela CPMF.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.