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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Mercados: resumo da semana

Os mercados conservaram a tensão da semana passada. O que mais preocupa os investidores é a administração da dívida pública do País e, por conseqüência, sua capacidade de pagamento. As incertezas com relação à sucessão presidencial também contribuíram para o nervosismo mais uma vez. Os investidores temem que o presidente a ser eleito não dê continuidade a política econômica hoje em vigor e, por isso, tornam-se mais cautelosos em relação aos títulos brasileiros.A moeda norte-americana acumula alta de 7,10% desde o início do mês. Para aliviar a pressão sobre o dólar, o Banco Central (BC) anunciou ontem algumas medidas para trazer maior liqüidez ao mercado cambial: saque de US$ 10 bilhões junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e redução do piso mínimo para as reservas internacionais de US$ 20 bilhões para US$ 15 bilhões. A frágil situação das contas públicas encontra explicação pelo elevado grau de endividamento do País. Hoje, a dívida compromete 56% do Produto Interno Bruto (PIB), atrelada em grande parte ao dólar e às taxas de juros. Quando os juros e o dólar sobem, acarretam em aumento da dívida brasileira e do temor dos investidores de que o governo não será capaz de honrar seus compromissos. Essas incertezas fazem com que o risco-país cresça. Para o governo e as empresas brasileiras, o resultado é a elevação dos juros para a captação de recursos. A taxa de risco-país representa o grau de confiança dos investidores em relação à capacidade de pagamento da dívida do país e reflete a diferença entre a taxa de juros paga pelo governo brasileiro em relação à taxa do governo norte-americano. Nesta semana, chegou a 1.300 pontos base, patamar que garantiu o terceiro lugar no ranking das taxas de risco mais elevadas, atrás da Argentina e da Nigéria. Ou seja, os títulos da dívida brasileira pagaram 13 pontos porcentuais acima dos juros norte-americanos.Houve notícias positivas, mas não suficientes para acalmar a tensão dos mercados, como as declarações favoráveis do FMI sobre o Brasil. Além disso, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,21%, enquanto os analistas esperavam um resultado entre 0,22% e 0,40%. Vale lembrar que o IPCA é usado como referência para a meta inflacionária, cujo cumprimento encontra-se na base da política de juros do governo. Neste ano, a meta é de 3,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. MercadosO dólar comercial manteve a tendência de alta, que teve início no mês de junho. Desde então acumula valorização de 7,10%. A moeda norte-americana fechou hoje em R$ 2,7160. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registra queda também desde o início do mês, uma baixa de 9,04% deste então. Entre as ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bovespa -, as maiores altas da semana foram as preferenciais (PN, sem direito a voto) Eletropaulo (+13%), Embraer (+3,74%), Inepar (+1,72%), Telefônica (+1,54%) e a preferencial B (PNB) Aracruz (+1,78%). Entre as maiores baixas, estão preferenciais (PN, sem direito a voto) Tele Centro Oeste Celular Participações (-9,13%), Tele Leste Celular (-8,57%), Telesp Celular Participações (-8,35%), Banco do Brasil (-7,89%) e Tele Nordeste Celular Paritipações S. A. (-7,72%).Nos Estados Unidos, o Dow Jones - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - vem apresentando sucessivas baixas desde o dia 17 de maio. Neste período, a queda acumulada é de 8,49%. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - também está caindo. No mesmo período, teve queda de 13,59%. Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)2,58%-3,09%-0,64%-1,40%-2,21%Dólar (cotação)R$ 2,636R$ 2,712R$ 2,795R$ 2,710R$ 2,716DI futuro19.23%20.80%24.00%22.10%23.00%Nasdaq (variação)-0,31%-2,19%1,47%-1,47%0,53%Dow Jones (variação)0,58%-1,33%1,05%-1,19%-0,30%Dia-a-dia:Segunda-Feira (10/06)Os mercados deixaram de lado o nervosismo apresentado na semana anterior e reagiram de forma positiva aos leilões de troca promovidos pelo Banco Central (BC) e aos números da pesquisa de domingo. A Bolsa fechou em alta de 2,58% e o dólar recuou 0,04%. Terça-Feira (11/06)O nervosismo tomou conta dos negócios na terça-feira. As reações por parte dos investidores começaram com o aumento das vendas de títulos da dívida brasileira no exterior, provocando uma queda do preço dos papéis. O dólar fechou na cotação máxima do dia, em R$ 2,7120. A Bolsa recuou 3,09%. Quarta-Feira (12/06)Uma quarta-feira de forte nervosismo nos mercados, justificada, essencialmente, pelas incertezas em relação ao encaminhamento da sucessão presidencial. O dólar fechou com alta de 3,06% e os juros chegaram ao limite máximo de oscilação na BM&F. Quinta-feira (13/06)O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,6870 na ponta de venda, em baixa de 3,68%. Desde o início do dia, ele oscilou de R$ 2,6400 a R$ 2,7340. As medidas anunciadas pelo BC não foram suficientes para acalmar os investidores, devido à falta de clareza sobre a atuação da instituição no mercado cambial. Sexta-feira (14/06)Os investidores terminam a semana com a mesma incerteza que demonstraram nos dias anteriores: qual será a política econômica adotada pelo próximo governo e de que forma a dívida do País será administrada. A Bolsa fechou em baixa de 2,21% e o dólar subiu 0,22%.

Agencia Estado,

14 de junho de 2002 | 22h31

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