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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Mercados: resumo da semana

A semana foi de forte nervosismo nos mercados. O dólar disparou e fechou hoje em R$ 2,84, uma alta de 4,56% em relação à semana passada. A cotação de hoje é o patamar mais alto desde a desvalorização do real no início de 1999. A O Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - fechou em baixa de 4,68%. No ano, acumula queda de 23,42%. A taxa de risco-país, que mede a confiança dos investidores no Brasil, chegou a 1.727 pontos base, colocando o País em segundo lugar à frente da Nigéria e atrás da Argentina. O risco-país é dado pela diferença entre os juros norte-americanos e as taxas pagas pelo governo brasileiro. No patamar alcançado hoje, significa que os juros brasileiros ficaram 17,27 pontos porcentuais acima da taxa paga pelo governo dos Estados Unidos.O nervosismo também se refletiu nas taxas de juros. Os contratos de DI futuro com vencimento em julho de 2003, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), encerraram o dia em 30,500% ao ano. Na sexta-feira passada, estava em 27,700% ao ano e, no início do mês, em 20,500% ao ano.As incertezas com relação à sucessão presidencial também contribuíram para a tensão nos mercados mais uma vez. Há o medo de que a mudança de governo comprometa a manutenção da política econômica. No resultado da última pesquisa eleitoral divulgada nessa semana, o pré-candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, teve uma queda pequena, de 39% para 38%, enquanto o presidenciável pelo PSDB, José Serra, manteve os mesmos 19% da pesquisa anterior. Os investidores ficaram decepcionados com o resultado, já que esperavam um crescimento de Serra.No entanto, o que mais dificulta a situação do Brasil é o elevado grau de endividamento do País. Com isso, os investidores ficam inseguros em relação à possibilidade de calote da dívida. Ontem, o rebaixamento do rating da dívida brasileira pelas agências de classificação de risco Moody´s e Fitch piorou o quadro. Além disso, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Paul O´Neill, declarou que seria contra uma nova ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao Brasil.Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu pela manutenção dos juros em 18,50% ao ano, mas com viés de baixa. O que surpreendeu os mercado, pois o Banco Central (BC) pode reduzir a taxa antes da próxima reunião do Copom, em 16 e 17 de julho. No entanto, essa possibilidade parece cada vez mais remota, já que depende de uma melhora das condições do mercado, principalmente de uma queda nas cotações do dólar. MercadosO dólar comercial manteve a tendência de alta, iniciada nos primeiros dias de junho. Desde então acumula valorização de 11,99%. A moeda norte-americana fechou hoje em R$ 2,8400. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registra queda também desde o início do mês, uma baixa de 17,41% deste então. Entre as ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bovespa -, as maiores altas da semana foram as preferenciais B (PN, sem direito a voto) Centrais Elétricas Santa Catarina (+5,77), as ordinárias (ON, com direito a voto) Light (+0,02%) e Embraer (0,00%) e as preferenciais da Brasil Telecom S. A. (0,00%) e Brasil Telecom Participações PN (0,00%). Entre as maiores baixas, estão preferenciais do Banco do Brasil (-19,42%), Eletropaulo PN (-19,20%), Embratel Participações (-19,07%), Embratel Participações ON (-23,37%) e Banco do Brasil ON (-19,17%).Nos Estados Unidos, o Dow Jones - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - vem apresentando sucessivas baixas desde o dia 17 de maio. Neste período, a queda acumulada é de 10,62%. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - também está caindo. No mesmo período, teve queda de 17,25%. Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)2,04%-0,97%-2,77%-5,09%-4,68%Dólar (cotação)R$ 2,663R$ 2,714R$ 2,707R$ 2,770R$ 2,840Juros (DI de seis meses)21.32%23,25%24.10%24.75%26.49%Nasdaq (variação)3,23%-0,67%-2,99%-2,14%-1,62%Dow Jones (variação)2,25%0,19%-1,49%-1,36%-1,89%Dia-a-dia:Segunda-Feira (17/06)A segunda-feira foi mais tranqüila devido à atuação do BC. O clima de cautela permanecia e a expectativa ficou por conta da reunião do Copom na terça e na quarta-feira e de novas pesquisas eleitorais. A Bolsa fechou em alta de 2,04% e o dólar recuou 1,95%. Terça-Feira (18/06)O dia foi de oscilação nos mercados. A expectativa dos investidores ficou por conta da reunião do Copom, a se realizar no dia seguinte. O cenário político continuava no foco de atenções. A Bolsa registrou baixa de 0,97% e o dólar subiu 1,92%. Quarta-Feira (19/06)Com a Selic estável e a adoção do viés de baixa, o Copom demonstrou uma aposta na melhora das condições dos mercados. A reação dos investidores não seguiu a mesma tendência positiva. Nesse sentido, também contribuiu o rumor de queda do pré-candidato do PSDB em pesquisa eleitoral. Quinta-feira (20/06)Os mercados tiveram um dia de forte nervosismo. O dólar comercial chegou a R$ 2,7780, a Bolsa recuou para 10.908 pontos, em baixa de 5,09%. A taxa de risco-país subiu para 1.595 pontos.Sexta-feira (21/06)A crise de confiança dos investidores em relação ao Brasil continuou provocando estragos nos mercados na sexta-feira. A taxa de risco-país chegou a 1.727 pontos. O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,8400, em alta de 2,53%. A Bolsa recuou 4,68%.

Agencia Estado,

21 de junho de 2002 | 21h05

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